Category Archives: querido diário

Como não tratar seus clientes

Tivemos um pequeno contratempo nestas férias. No domingo, fomos a uma filial do restaurante Bate Coração, na Praia do Cassino, em Rio Grande-RS (não achei link de referência, apenas para a sede do restaurante, localizada no Centro da cidade de Rio Grande). A comida é boa, apesar dos preços não muito convidativos. Mas a parte ruim aconteceu quando saímos de lá – mais precisamente, ainda no estacionamento (ou no que tudo indicava ser um estacionamento; há controvérsias).
Ao sair de lá, encontramos o vidro do carro quebrado. Não houve grandes danos materiais (notamos a ausência de um radinho a pilha e dos fones de ouvido do celular, que estavam no porta-luvas). Mas o que realmente estragou a noite foi a atitude do proprietário do estabelecimento.
Ora, se um carro é arrombado no estacionamento de um restaurante, o mínimo que se espera é algum apoio do estabelecimento. Mas não foi bem isso que recebemos. A primeira coisa que o proprietário fez (ressalva: não sabemos ao certo se era o proprietário, mas se comportou como tal) foi ressaltar que aquilo não era um estacionamento – apenas uma área livre entre a rua e o estabelecimento. Na verdade, há um muro com o nome do restaurante, fechado por um portão de ferro (o portão fica aberto durante a noite), e lá ao fundo está localizado o restaurante. Os carros ficam entre o muro e o prédio. Havia outros carros lá antes de chegarmos, e há espaço para uns 12 carros. Se isso não é um estacionamento, então me digam o que é.
Isto não é um estacionamento
bate coração
Tudo bem, pode não ser um estacionamento. Mas o proprietário continuou, dizendo que a gente teria que se virar para dar um jeito de substituir o vidro ou tapar o buraco, visto que a concessionária mais perto ficava a 60km. Quando meu pai tentou se auto-consolar com um “espero que o seguro cubra isto”, o dono do restaurante passou a dizer que duvidava que o seguro cobriria aquilo, até porque não era propriamente o vidro lateral, e sim um pedacinho de vidro fixo ao lado do vidro do carona. Reclamamos da falta de segurança no local, e o que ouvimos foi o proprietário contar, como se isso fosse resolver alguma coisa, que no ano anterior outro carro havia sido arrombado da frente do restaurante, e que o outro cliente tinha deixado para o seguro resolver, sem envolver o estabelecimento (o que só reforça a idéia de que o lugar é inseguro, diga-se de passagem).
Enquanto limpávamos os cacos de vidro, o dono do restaurante nos ignorou por completo para falar ao telefone celular. Depois, ele reuniu o máximo de boa vontade possível e nos ofereceu um pedaço de vassoura para limpar os cacos de vidro – e só.
Saímos de lá com mais raiva do tratamento péssimo recebido após a refeição (pena que já havíamos pagado a conta), do que propriamente pelo fato de terem quebrado o vidro do carro.
Ah, sim, Sr. Proprietário… o seguro cobrirá os danos do vidro. Mas, se não cobrisse, a jurisprudência estaria a nosso favor para cobrar os danos materiais do estabelecimento (quer queira, quer não, aquilo é um estacionamento, o que confere ao proprietário do terreno os deveres de um depositário – e a obrigação de restituir o bem depositado nas mesmas condições em que foi deixado).
Não sei o que ele poderia ter feito nessa situação (oferecer um pedaço de papel ou plástico para cobrir o espaço ocupado pelo vidro quebrado seria o mínimo, não?). Mas certamente ironizar sobre a situação não ajudou em nada. Na dúvida, é mais seguro pedir comida por tele entrega, do que ir a um restaurante com estacionamento espaço livre entre a rua e o prédio para se colocar carros com aparência de estacionamento.

Hoje, ao escolher um lugar seguro para almoçar – mais especificamente, um lugar em que pudéssemos estacionar com segurança um carro com um grande buraco na porta do carona sem que terminassem de furtar os objetos ali remanescentes (algo como… o rádio do carro?) -, saiu, sem querer, a piada pronta que a situação toda fornecia:
– E que tal se a gente procurasse um lugar que tenha estacionamento?

Cenas do cotidiano

“Uma galinha, uma galinha, uma galinha, uma galinha”
Agora há pouco, no McDonald’s, uma família finalizou o seu lanche, e a mãe levou as crianças ao caixa para escolher a sobremesa. O menino mais novo notou que, ao lado do caixa, estavam expostos os brinquedos desse mês do McLanche Feliz. Tendo se interessado por uma das opções, a criança começou a gritar, estridentemente:
“Olha, mãe, uma galinha! Eu quero uma galinha, uma galinha, uma galinha, uma galinha”.
Ao que a mãe responde:
“Mas meu filho, já tens o coelho”.
A criança olha para o próprio coelho, olha para o mostruário dos brinquedos, e continua:
“Mas é uma galinha, uma galinha, uma galinha, uma galinha. Eu quero uma galinha, uma galinha, uma galinha, uma galinha”.
Quer saber qual é a galinha que o menino tanto queria? Confira abaixo, do material de divulgação dos brinquedos deste mês:

E então, já descobriu qual deles é a galinha?
O Papa-léguas ou Bip-Bip é, na verdade, uma ave típica do deserto norte-americano, mais ou menos do tamanho de uma galinha (e aqui terminam as semelhanças com galinhas). Nos EUA, é conhecida como Roadrunner. Tanto galinhas quanto papa-léguas pertencem à classe das aves, mas são de ordens diferentes: as primeiras são galliformes, enquanto os últimos são cuculiformes.
Mas, baseando-se apenas na aparência, a criança não errou totalmente ao chamar o Papa-léguas de galinha. Ou acaso vocês sabiam antes que animal era o Bip-Bip?

A conversa do dia
Na mercearia:
“Ficaste sabendo do Beto Carrero?”
“Pois é, menina. E ele tinha a aparência de ser tão mais novo, coitado”
“É, mas mó-reu”.
No Twitter:
“A grande notícia do dia é a oferta da M$”
“A Microsoft quer comprar o Yahoo! para poder rivalizar com o Google!”
“Ai, meu deus, o que será que vai acontecer com o Flickr?”

Vou tirar férias da tecnologia. Até depois do Carnaval 🙂

Procurando lógica no nome dos esmaltes

Fugindo um pouco (completamente) da temática (!) do blog…
Descobri que existe uma cor de esmalte com o meu nome. Quer dizer, eu já sabia que existia esmalte nessa tonalidade, e sabia que o nome dessa cor era Gabriela. Mas nunca tinha parado para pensar no real significado disso. E muito menos tinha me dado conta do grau de falta de lógica na escolha de nomes para cores de esmaltes – e, em geral, para todos os produtos. Ou melhor, para tudo.
Dos mais enigmáticos – como Samba Juliana, Misturinha ou Paris – e o próprio Gabriela (por que não?) – aos que possuem uma relação metafórica um tanto mais óbvia (como Terra, Bege, Jabuticaba ou Framboesa), o que se percebe é que as palavras utilizadas para designar as cores de esmaltes têm as origens mais diversas*. A parte estranha é que elas significam, independente de terem ou não alguma lógica na relação metafórica que estabelecem com a cor que representam. Pergunte a qualquer mulher com uma relativa vivência de salões de beleza, e ela saberá nomear várias cores, inclusive algumas com nomes bizarros bastante criativos (aliás, achei particularmente interessante a história por trás da cor Samba Juliana…).
Na prática, o que acontece é que é o uso da língua que imprime os mais variados sentidos para os nomes. Não há como prever os usos possíveis. O significado vai ser dado pelo contexto do uso. E, quanto maior o uso, maior o peso de uma marca. Às vezes chega a ser tão forte que por vezes o sentido original se apaga: a palavra passa a significar o novo produto que designa. Também há vezes em que o próprio nome do produto passa a designar a coisa que significa (mais ou menos a lógica que nos impele a chamar as fitas adesivas de durex, mesmo que saibamos que, no fundo, se trata de uma das inúmeras marcas de durex fitas adesivas…).
A própria escolha dos nomes de blogs, por exemplo, segue uma lógica um tanto aleatória. Ontem, participava com um amigo em um brainstorm pra a escolha do nome de um novo blog. O nome escolhido foi completamente diferente da idéia original – a escolha do nome passou por vários critérios, inclusive pela disponibilidade de endereço (de nada adianta querer um nome básico e supercomum, se todos os endereços comuns já foram tomados).
Mas o pior não foi parar para pensar e perceber que os nomes dos esmaltes (e dos blogs) são estranhos e aleatórios. O pior foi constatar que os nomes de todas as coisas são estranhos e aleatórios – a língua é arbitrária, as palavras são arbitrárias. O universo é arbitrário, tudo é arbitrário! Às vezes nos sentimos confortáveis ao utilizarmos referenciais familiares. Mas a verdade seja dita: a graça da coisa é atribuir às palavras novos sentidos. Sem que houvesse (re)invenções de sentido, estaríamos condenados a empregar eternamente um pequeno e reduzido número de signos.

* Não sei por que cargas d’água fiz isso (talvez não fosse conseguir dormir tranqüila sem ao menos saber os nomes), mas elaborei uma listinha de nomes de esmaltes (das marcas Risque, Impala e Colorama). Tentei agrupar de uma forma mais ou menos lógica — veja o resultado aqui. Vai dizer que os nomes não são esquisitos [e aleatórios]?

Nova casa: Verbeat

Este é meu primeiro post aqui na Verbeat . E como em todo primeiro post de um blog (que na verdade significa post n° 805, mas vocês podem abstrair os demais posts importados do outro blog e considerar este como o #1), é nessa hora que a gente tenta resumir toda a expectativa com a criação de um novo blog. Também é no primeiro post que se faz algumas considerações sobre o drama da escolha do template (a escolha de cores, a bagunça feita no CSS). Mas achei mais interessante sugerir a leitura de primeiros posts de blogs de dois conhecidos que estão começando agora. De certa forma, as preocupações iniciais deles são as mesmas preocupações de todos os que se iniciam na aventura de um novo blog: a Karina, com sua neura, e o Sérgio, com seu ganha, perde… [Haveria um link para o blog do Jandré, se ele já tivesse criado o dele :P]
Criar um blog é muito mais do que clicar em “create a new blog” na página inicial de uma ferramenta qualquer de blogagem. Criar um blog é assumir o compromisso de participar de conversações na web – escrever, comentar, ser criticado, tentar se superar a cada dia. Criar um blog é um desafio. [E vocês podem esquecer logo toda essa ladainha, porque este blog continua o mesmo. Só mudou de endereço :P]
Enfim, atualizem seus blogrróis e bookmarks para http://www.verbeat.org/blogs/gabrielazago

Agradecimentos especiais ao Tiagón, pelo banner, e pela ajuda no template 😀

Recadinho para o pessoal do feed: para vocês, não muda nada. Mesmo nome de blog, mesmo endereço do feed… 🙂

Deu primeiro no Twitter! [sim, eu sempre quis poder dizer isso!]

E não esqueçam de dar uma olhada no condomínio, que tem um monte de blog muito massa! 😀

Sentimento de pertença a um lugar

Em nosso dia-a-dia conturbado, por mais que a gente passe o tempo inteiro viajando, por mais que se fique alternando entre um lugar e outro, e por mais que os lugares pareçam todos iguais, há sempre um lugar que podemos chamar de “nosso lugar”. É aquele espaço ou ambiente para o qual sempre queremos voltar, não importa onde estejamos. É o lugar que consideramos como nosso “lar’.
Os navegadores de Internet – e muitas páginas da web – também se utilizam dessa metáfora, ao estabelecer como “Home” um lugar previamente definido por nós (no caso dos navegadores) ou pela organização (no caso dos sites). Supõe-se que o Home seja um lugar que nos agrade tanto que queiramos sempre voltar para lá.
Supostamente, o lugar de nossas origens, onde plantamos nossas raízes, deveria ser o lugar para onde sempre queremos voltar. Deveria. De tanto que passo o ano alternando entre duas cidades, cheguei a um ponto que já acho que não pertenço a lugar algum. Circulei pelas ruas de Bagé esta semana, e não encontrei sequer um rosto familiar. Os lugares já não são os mesmos, as pessoas já não são as mesmas, tudo é diferente, embora tudo permaneça igual. Até em casa da minha família – a mesma casa de antes – já não me parece um lar. Meu antigo quarto virou um lugar um tanto cavernoso, frio, inóspito. As paredes seguem no tom azul desmaiado – mas ao invés de acolhedoras, parecem que vão me sufocar. As camas são as mesmas, apesar de estarem em outra posição. Mas não são as minhas coisas que estão sobre a escrivaninha. Não são meus os livros que estão na estante. Aquele lugar não pertence mais a mim, não é mais meu lugar.

Crise existencial suscitada por um formulário bobo de cadastro em um site. Lá tem o campo “Cidade”. Como preencher? De que cidade eu sou? Vale onde nasci, onde estou, ou onde passo a maior parte do ano?

Update 10/12 – o Sérgio fez uma análise interessante via comentário: “Ou ainda pode ser fruto desse fenômeno que a psiquiatria moderna insiste em não analisar a depressão pós ano letivo.

Brasil Telecom: o pior atendimento do mundo

Estamos sem conexão à Internet aqui em casa (em Bagé) há cinco dias. A saga começou na quarta-feira. Impossibilitados de conectar desde a terça-feira, telefonamos para o serviço de atendimento da Brasil Telecom, para tentar saber se o problema era com eles ou no computador de casa. Pelo telefone, informaram que os fios de conexão haviam sido furtados, mas que o problema seria resolvido até o dia seguinte (quinta-feira, feriado da Proclamação da República).

Na quinta-feira, a conexão seguiu não funcionando. Decidimos esperar até sexta, após o feriado, para telefonar novamente.

Sexta-feira

Na sexta-feira, após esperar quase duas horas para sermos atendidos (e muita musiquinha, propaganda institucional, e mensagens de falsa esperança do tipo “Aguarde. Em breve, você será atendido”), a atendente, Elane sem sobrenome (ela se recusou a dizer o nome completo) disse que poderia mandar um técnico para resolver o problema no dia seguinte. Ela argumentou que o problema nos cabos já havia sido resolvido (mas então por que a Internet continuava sem funcionar??). Reclamamos, insistimos que queríamos atendimento no mesmo dia (já que desde terça estávamos sem Internet), e, enquanto falávamos, a atendente “supersimpática” colocou o telefone no mudo. Algum tempo depois, ela voltou para perguntar “Pronto. Já terminou?” (ou seja, a moça não teve paciência nem de ouvir a reclamação – então por que raios foi procurar emprego em um serviço de telemarketing???). De qualquer modo, ficou registrado o número do atendimento, e a promessa de que em até 24 horas o problema estaria resolvido.

Ainda na sexta-feira, no final da tarde, um rapaz, que se identificou como Gabriel, técnico de informática da Brasil Telecom, telefonou aqui para casa. Ele queria a todo custo nos convencer de que o problema era no computador, e, por isso, foi solicitando que mudássemos as conexões, desligássemos todos os telefones, e mexêssemos nas configurações da Internet. Ele também subestimou a minha capacidade ao extremo. Primeiro, ele pediu para entrar no cmd para digitar um comando. Digitei o comando, deu uma mensagem de erro, e li para ele a mensagem. Ele disse para digitar novamente, fiz isso, e veio a mesma mensagem (!!). Aí ele me acusou de estar digitando errado, e começou a soletrar, pausadamente, como se se dirigisse a uma criança de 3 anos de idade, letra por letra do que deveria ser digitado. Antes que eu xingasse o coitado e mandasse ele para a Lua, meu pai assumiu o telefone e voltou a insistir na necessidade da presença física de um técnico, porque do jeito que a coisa estava, apenas desconfiguraríamos o computador, e nos afastaríamos ainda mais da solução do problema.

Por fim, o tal do Gabriel disse que um técnico (real, de carne e osso, e não uma voz entediada ao telefone) viria no dia seguinte – mas fez questão de dar ênfase ao fato de que, se o problema não fosse na conexão em si e sim no computador, eles nos cobrariam pelo serviço (sim, depois que o técnico por telefone nos fez mudar todas as configurações do computador, é bem provável que o problema agora seja, também, no próprio computador!).

Sábado

Esperamos pacientemente até o vencimento do horário da primeira solicitação da vinda do técnico. Até ligamos para o atendimento pelo telefone antes do término do prazo, e uma mensagem gravada afirmava que o problema seria resolvido até meio dia (24 horas após a solicitação feita com a simpaticíssima Elane). Tendo passado o prazo sem nenhuma resolução do problema, ligamos novamente para o suporte. Uma hora esperando atendimento (com direito a anúncios gravados do tipo “passe o dia inteiro na Internet com BRTurbo”), e uma moça de nome “Quênia” (sic?) nos atendeu. Ela disse que poderia solicitar a vinda de um novo técnico para o dia seguinte, já que havia expirado o prazo da solicitação anterior (COMO ASSIM???). E não adiantou dizer que a gente já tinha esperado 24h. Ela ainda disse que, para o mesmo dia, tudo o que poderia fazer era pedir para um técnico entrar em contato pelo telefone (outra criatura com nome de anjo para tirar sarro da nossa capacidade intelectual???).

Chegamos a perguntar o que era preciso ser feito para cancelar o serviço de ADSL, ou então como fazer para conectar com discada (queríamos um número para conectar, pelo menos). Quanto à primeira pergunta, a moça se limitou a dizer que o serviço só pode ser cancelado “De segunda a sexta, em horário comercial” (??). Quanto à segunda pergunta, ela nos mandou ligar para outro número de suporte Brasil Telecom. Uma hora de espera com musiquinha no telefone, e desistimos.

Estamos agora conectados em um cybercafé, e, obviamente, mandaremos a conta para a Brasil Telecom.

E amanhã, domingo, vence o novo prazo para vir um técnico da Brasil Telecom para resolver o problema. Aposto que não virá, ligaremos no domingo, e empurrarão o problema para segunda – e o ciclo se repetirá ad infinitum.

Estamos sem Internet há 95 horas, 43 minutos e 17 segundos. And couting…

Update, 18/11 — hoje, domingo, finalmente um técnico de carne e osso esteve aqui em casa. O problema foi resolvido em pouco tempo. Parece que o que aconteceu foi uma sucessão bizarra de acontecimentos – a falta de fios (se é que houve; veja explicação adiante) fez com que o modem do nosso computador parasse de responder (e continuasse assim, mesmo com o retorno da conexão). O técnico de nome de anjo que ligou aqui para casa na sexta-feira contribuiu para que terminássemos de desconfigurar completamente a conexão. Bastou reiniciar o modem (introduzindo um arame no buraco de reinicialização) para que o aparelho voltasse a funcionar (e por que não nos disseram sobre essa possibilidade por telefone, então?). Depois, foi preciso reconfigurar os endereços de IP e DNS (o tal do Gabriel tinha feito com que bagunçássemos tudo).

Quanto ao suposto furto de fios, de acordo com o técnico que esteve aqui, isso tem cara de desculpa esfarrapada dada pelo serviço de atendimento pelo telefone para se livrar de clientes insistentes (o que só corrobora com a idéia de que eles oferecem o pior serviço de atendimento do mundo — pelo menos por telefone).

Marcadores:

Metas para os próximos dias

– Parar o tempo e/ou fazer com que os dias tenham mais horas.
– Adquirir o dom da onipresença.
– Resistir à tentação de assinalar “mark all as read” nos mais de mil feeds atrasados no Google Reader.
– Começar e terminar de escrever um livro.
– Voar ou teletransportar-se de um lugar a outro (perder tempo com deslocamento é para os fracos).
– Ler dez livros ao mesmo tempo e colocar lista de leituras em dia.

Marcadores:

Relativamente em dia

Resolvi tirar o fim de semana para colocar em dia tudo o que estava pendente em termos de faculdades. Fiz duas peças, redigi dois textos, rascunhei um projeto, li o que precisava ler, preparei uma apresentação, enviei trocentos e-mails, e estou pronta para mais uma semana de aulas.

Em contrapartida, vida social em declínio, blog às moscas, leituras furtivas mais-que-atrasadas, e quarto na maior bagunça. Bagunçada também está minha área de trabalho no PC. Vou salvando todos os arquivos por lá, e depois preciso encontrar tempo paciência para distribuí-los em felizes pastinhas hierarquizadas.

Paradoxo existencial: é impossível dar conta de tudo.

Marcadores:

O mundo é de quem fazia

Lembram do tempo em que criar uma página no hpG era de graça? Lembram do tempo em que o IG se chamava Internet Grátis, e disponibilizava um horrendo serviço de e-mail (o ieG – Internet e-mail Grátis), além de espaço gratuito para construir sites? Não tenho o direito de reclamar, porque aproveitei ao máximo minha fase de inspirações criativas em ebulição. Criei muitas páginas no tempo em que o hpG ainda era grátis (ainda é; há uma versão, limitada a 5Mb e ao uso do FTP pela web, para quem quiser criar uma página totalmente web 1.0 e sem graça) e em outros serviços gratuitos de hospedagem. Muitas delas já se perderam pelo caminho. Outras tantas ainda estão no ar. A web 1.0 pode até parecer sem graça… mas ela permitia dar vazão a uma excessiva criatividade. Aprender a se destacar era essencial.

A página da minha turma de 7ª série do Ensino Fundamental (!), criada no Geocities (ainda no tempo em que os endereços eram baseados em regiões geográficas reais), gerou uma grande confusão, e tivemos que remover boa parte do conteúdo porque a bibliotecária-barra-professora de Ciências – que tinha acesso diário à Internet – visitou a página um belo dia e percebeu que tínhamos uma coluna para falar mal dos professores. As críticas rolaram soltas pela instituição, e antes que alguém pudesse nos processar por injúria ou difamação expulsar da escola, tiramos a página sobre os professores do ar. Algum tempo depois, a diretora da escola nos chamou para fazermos sugestões de como reformular a página da escola – depois que ela constatou que a “página da turma 171” fazia mais sucesso que o próprio site da escola. O motivo? Tínhamos até bate-papo! Em 1999, bate-papos como o do UOL e do Terra eram os lugares mais freqüentados da Internet. Forçando um pouco a barra, ter um site com bate-papo era o mesmo que seguir as tendências da Web 2.0 hoje em dia…

Também criei muitas páginas no hpG… Principalmente sobre seriados. Meu tosco site de Gilmore Girls continua no ar até hoje – ele foi estranhamente recolocado em um novo diretório dentro do mesmo servidor, ganhou um novo endereço, mas segue no ar. Meio capengo, mas continua lá. Para um site que já teve mais de mil visitas diárias, a modesta média de 50 por dia deixa muito a desejar. Mas considerando que a página não recebe nenhuma grande atualização desde 2004… 50 visitas por dia para um site deixado às moscas, em um endereço obscuro, de um fan site sobre uma série que já acabou, é um índice relativamente elevado.

Conheci muita gente através do site de Gilmore Girls. E o site também foi fundamental para que eu viesse a optar, anos depois, pelo curso de Jornalismo.

Mas meu fanatismo por Gilmore Girls não rendeu apenas um site. Cheguei ao extremo de fazer um segundo site sobre a série, em inglês (e que está no ar até hoje, mesmo com todos os terríveis erros de gramática, ortografia, regência e concordância) e assinar com o nome do cachorro (Lia Z.!), só para poder concorrer duas vezes a um “prêmio” para fan sites sobre seriados. E o mais bizarro de tudo – ganhei com o site fake e perdi com o original.

Eu era uma fã tão estranha de seriados que não me contentava em ter um único site sobre cada série – tinha vários. Só de Friends eram três. O Explosão Friends (?) ainda está no ar [reparem no aviso de ‘melhor visualizado com Explorer 4 ou superior’]. O Clube Friends era o mais forte – junto a ele eu também administrava uma lista de discussões por e-mail sobre a série. Mas não tinha paciência de acompanhar as discussões (fazia parte do fato de contar com conexão discada, limitada a 20 horas mensais), e em seguida a lista começou a despencar. Depois ela foi assumida pela equipe do Friends-Brasil.com (que já não existe mais, por sinal). A lista de Gilmore Girls sobreviveu apenas até o começo deste ano.

Fiz páginas sobre outros seriados. Charmed, Mad About You, The Drew Carey Show, Party of Five, Popular, Ed… Todas elas não existem mais. Também não existe mais a seção de colunas do site Séries Online. A BrasNet é outra que virou lenda. Até hoje mantenho algumas das amizades virtuais feitas através do #gilmoregirls e do #smallville.

Mas nenhum site ganha deste. Criado no bloco de notas do Windows, ocupando no máximo 10kb de espaço em disco, e com um bando de estranhos cadastrados. Nem foi preciso divulgar.

O que mudou nos tempos atuais? Hoje em dia fica tudo mais fácil. Com dois cliques podemos criar um blog. Não é preciso apanhar para um código html que não deu certo, ou sofrer em um limitadíssimo editor gratuito de páginas pessoais. Ganhamos em praticidade. Perdemos em improvisação. — A vantagem é que sobra mais tempo para interagir com as pessoas 🙂

Marcadores:

Em busca de idéias

Preciso urgentemente ter idéias! O normal é que elas apareçam sem ter que procurá-las. Elas costumam brotar assim, do nada, espontaneamente. (Na verdade, não é bem do nada. Elas precisam de todo um contexto especial para surgirem. Um contexto que propicie que elas surjam, ao menos aparentemente, a partir do nada. Um contexto em que não seja preciso se preocupar com nada, para que o nada gere idéias – uma mente livre de preocupações consegue ter idéias; sob pressão, não criamos, apenas reproduzimos técnicas repetidas). Quando menos se espera, eis que surge uma idéia.

Lembro de um desenho que vi muito tempo atrás (algo como 2003) no Canal Futura (nos tempos em que eu ainda assistia televisão, em que eu ainda acreditava no potencial pedagógico dos meios), no qual as idéias (graficamente representadas pela letra “i”) continham apenas uma perna. A idéia era simples. Sozinhas, as idéias não conseguiam andar. Mas apoiadas em pessoas que decidissem levá-las adiante, as idéias iam longe.

Estou disposta a apoiar uma idéia, a dar suporte a várias idéias ao mesmo tempo. O problema atual é um pouquinho mais pontual. O problema é: como ter idéias?

Mas não é qualquer idéia que me satisfaz. Tem que ser uma idéia da qual se possa participar de todo o processo criativo de gestação. Do estalo inicial à execução. Do brainstorming acidental ao elogio ou à decepção final. Posso até me sentir frustrada depois, mas o importante é que seja uma idéia própria. Uma idéia minha. Algo que, tanto faz que dê certo ou errado ao final, mas que me faça querer ir até o fim.

Alguma idéia de como conseguir isso?

Marcadores: