
As constantes restrições de acesso à Internet em países como Birmânia (Myanmar) e China levaram a organização Reporters Sans Frontiers a promover, em parceria com a Unesco, o primeiro Dia Internacional pela Liberdade de Expressão na Internet, que será realizado nesta quarta-feira, 12 de março. Sob o mote “24 horas contra a censura”, a organização convoca os moradores dos países Birmânia, China, Coréia do Norte, Cuba, Egito, Eritréia, Tunísia, Turcomenistão e Vietnã a se juntaram às cibermanifestações que ocorrerão ao longo do dia 12.
A entidade também aproveitará a data para publicar uma nova lista com os “inimigos da internet” (a lista atual é composta pelos nove países citados acima), e disponibilizar uma versão atualizada do “Guia do dissidente cibernético“.
Só para dar um exemplo do que realmente sinifica ter a imprensa – e o acesso à Internet – censurados, basta relembrar os protestos dos monges budistas na Birmânia, que viraram notícia no mundo todo no ano passado. Devido à censura, as notícias sobre o país precisam ser publicadas por repórteres instalados nos países que fazem fronteira com a Birmânia. Mesmo assim, a população resiste e luta, e usa blogs e outros veículos de midia cidadã para informar o resto do mundo sobre o que acontece por lá.
Vale lembrar ainda que o Brasil também não é um verdadeiro primor em termos de liberdade de expressão na Internet – nosso país figura no mapa da censura online elaborado pelo Global Voices Online (e por um motivo no mínimo bizarro, diga-se de passagem).
Embora a idéia seja protestar contra restrições à liberdade de expressão na Internet nos nove países listados acima, blogs e sites do mundo inteiro são convidados a participar das manifestações. Segundo a entidade, atualmente são ao todo 63 dissidentes cibernéticos que estão presos em várias partes do mundo em virtude do exercício do direito à liberdade de expressão na Internet.
Via Monitorando.
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Blogs e blogueiros: estive em Porto Alegre no final de semana para conhecer alguns dos meus ídolos na blogosfera: Milton Ribeiro, Idelber Avelar, os verbeaters Tiago Casagrande e Gustavo Brigatti, dentre outros. É completamente estranho, mas ao mesmo tempo interessante, conversar com outros blogueiros sem a intermediação de uma caixinha de comentários (talvez por isso tenha predominado em mim, ainda que involuntariamente, o lado monossilábico e reticente).
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Assunto paralelo: para o pessoal que anda reclamando nos bastidores da infreqüência dos posts neste blog, aí vai um paliativo: montei, via Yahoo! Pipes, um feed que reúne os posts deste blog com alguns dos meus bookmarks do del.icio.us.
All posts by Gabriela Zago
Twitter em explicação básica
Sabe quando você tem algo legal a dizer, mas não tão legal a ponto de render um post, ou não tão relevante a ponto de se contar em um e-mail? Para essas situações, tem-se o Twitter!
Link para o vídeo. Se alguém quiser ajudar com as legendas, siga aqui. Se preferir, veja mais vídeos do Common Craft Show.
Via Dossiê Alex Primo.
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Em tempo: não deixem de acompanhar também o blog Twitter Brasil 🙂
Papel, caneta e uma boa história para contar
Na edição de fevereiro do Carnival of Journalism (projeto que inspirou a criação da Ciranda de Textos), o estudante de jornalismo britânico Dave Lee sugeriu, em seu blog no Press Gazette, uma lista de equipamentos que deveriam constar no bolso de qualquer estudante de Jornalismo. A proposta era apresentar uma lista básica de ferramentas que um estudante deveria ter e carregar consigo sempre. De forma sintetizada (não deixe de visitar o post para conhecer os argumentos), os itens seriam o seguintes:
– Papel e caneta
– Celular
– Gravador de áudio
– Câmera digital
Na ocasião, cheguei a fazer um comentário ao post sugerindo que um bom celular com recursos de imagem e vídeo poderia substituir pelo menos a necessidade de uma câmera digital (e talvez até o gravador de áudio), desde que a câmera do celular tivesse uma qualidade razoável – o que traria ainda como vantagem a possibilidade de se enviar fotos direto do celular para o Flickr Móvel, ou então enviar vídeos por MMS para o YouTube.
Mas um post de ontem no Atrium resgata a discussão e põe de uma forma bem mais clara o que realmente importa para o estudante de jornalismo jornalista: ter o que dizer, independente de poder contar com dispositivos tecnológicos de última geração. A grande questão não é só carregar dispositivos técnicos e aparatos mirabolantes, mas sim carregar equipamentos que efetivamente irão ser utilizados. O meio não é a mensagem. De nada adianta levar sempre a tiracolo uma câmera de última geração se não se souber como contar histórias por imagens… Ou, como colocou Luis Santos, no Atrium, “O determinante é o que fazemos com as coisas…e não a sua simples existência”.
… mas, é claro, ter o costume de carregar sempre os equipamentos necessários é extremamente útil – afinal, nunca se sabe quando se estará diante de algum fato com interesse jornalístico (ou blogosférico, ou pitoresco, ou inusitado…). Pelo menos o papel e a caneta, para todas as situações, são indispensáveis 😛
Em cartaz: sua vida online
O YouTube tem planos de lançar, até o final do ano, uma ferramenta que permita live streaming de vídeo (à maneira do que já fazem Ustream.tv e Yahoo! Live). O MyBlogLog, adquirido há algum tempo pelo Yahoo!, incorporou recentemente uma função de streaming de conteúdo produzido em outros sites. O Pownce permite colocar link para o perfil do usuário em outros serviços, o Jaiku traz um streaming incorporado às micropostagens (dá até para puxar as atualizações do Twitter para o Jaiku). No Brasil, há o MeAdiciona, uma iniciativa interessante para quem está à beira de uma crise de identidade virtual. Mas para não perder nada mesmo, há o Profilactic, já mencionado por aqui, e que tem suporte para 135 sites diferentes – você coloca o seu nome de usuário em cada site, aperta alguns botões, e pronto, tem uma página única que reúne todo o conteúdo produzido por você na Internet: textos, imagens, vídeos. Prático, e ao mesmo tempo assustador – mais informação reunida, menos privacidade. Quer mais? Este post do ReadWriteWeb lista ao todo 35 serviços de lifestreaming.
Mas nem tudo é caos e destruição. Imagine o potencial jornalístico de uma ferramenta que agregue textos, vídeos e imagens produzidos sobre um determinado assunto, distribuídos por várias mídias, mas reunidos em um só lugar. Dá para, por exemplo, fazer a cobertura de um evento por vídeo no YouTube, em micropostagens no Twitter, com fotos no Flickr, com textos mais longos em um blog, com áudio em um podcast, e, com a ajuda de um desses simples aplicativos, agregar tudo automaticamente em um único endereço.
Mais sobre o fim do jornal em papel
Muito tem se dito sobre a possibilidade de a Internet vir a acabar com o jornal em papel. Mas a situação não é bem assim: cada meio tem seu espaço, e assim como a televisão não acabou com o rádio, a Internet também não acabará com a imprensa. Meios diferentes conquistam públicos diferentes, e é preciso aprender a conviver com isso. A grande questão não é se os jornais vão acabar, e sim o que é preciso fazer de diferente para evitar que eles acabem.
Preocupada com essa situação, Romina, do blog En El Medio, traz a lista elaborada em 2005 pelo Real Simple de 10 novos usos para o jornal em papel:
1. Desodorizar caixas de alimentos
2. Amadurecer tomates
3. Empacotar coisas delicadas
4. Limpar vidros.
5. Preservar antigüidades de cristal.
6. Secar sapatos.
7. Embrulhar presentes.
8. Usar como capacho para secar as botas de neve encharchadas.
9. Preparar o jardim.
10. Manter a gaveta de verduras da geladeira seca e livre de odores.
Também daria para incluir um item 11, ou substituir o 8 (já que não temos neve), por: jornais são ótimos para fazer banheiros para animais domésticos.
Não, isto não é uma piada. A idéia é buscar alternativas ecológicas para o jornal em papel, aproveitando-se do fato de que o papel jornal é bastante absorvente. Mas óbvio que isso não tem absolutamente nada a ver com a discussão online/offline – embora seja interessante ler o artigo “Should I Cancel My Newspaper Subscription?” da Slate (via Ponto Media), que traz os prós e contras, sob o ponto de vista do meio ambiente, de se ler notícias online ou offline. Um trechinho:
“Paper may be an energy hog, but so, too, are the servers and desktops that make online newspapers possible”
Dá o que pensar. Leia o texto completo aqui.
Estudantes 2.0
A Web 2.0 abre potenciais inegáveis para a comunicação. A abertura à participação permite que, ao menos em tese, todo mundo possa se expressar em um mesmo suporte, o que faz com que a fronteira entre emissão e recepção se torne nebulosa. Além disso, o fato de que essas informações estão disponibilizadas na Internet faz com que elas possam ser acessadas e alteradas em qualquer parte do mundo.
Isso acaba abrindo um potencial enorme para os estudantes. Seus atos, anseios, opiniões e reivindicações não precisam ficar restritos a um único curso, a uma única universidade. Pela Internet, é possível mobilizar outros estudantes em prol de uma causa, ou discutir com alguém do outro lado do mundo as políticas estudantis de um determinado país.

Mas o mesmo meio que permite um potencial democrático, também pode trazer como conseqüência um verdadeiro caos, dependendo do uso que se faça. O João Barreto sugeriu um link para uma matéria da BBC sobre o site JuicyCampus.com. O site tem gerado uma série de protestos nos EUA. Criado originalmente para ser um fórum em que universitários de diversas partes dos Estados Unidos pudessem expressar suas opiniões de forma anônima, a coisa descambou a tal ponto que, atualmente, o que mais se encontra por lá são fofocas e denúncias a respeito da vida privada de estudantes, funcionários e professores de universidades americanas. Como em um típico site de Web 2.0, dá para votar e comentar nas fofocas. E, é óbvio, as mais populares são as mais suculentas, principalmente as que envolvem drogas ou sexualidade. Já há grupos de estudantes buscando barrar o acesso ao site a partir de algumas universidades.

Entretanto, nem toda rede social para estudante precisa necessariamente virar uma bagunça total. Depende do modelo, depende do uso. No Brasil, há o Descolando. A proposta do site é os alunos avaliarem seus professores – dizendo se costumam faltar aulas, fazer provas difíceis, ou não explicar bem a matéria
(também dá para avaliar coisas felizes e realmente úteis para um estudante, como: se é fácil de colar, se o professor repete provas de um semestre para outro, e se cobra presença). A idéia é permitir que os alunos possam conhecer um pouco dos professores antes de terem aula com eles, até para poder, quando possível, optar por cursar a disciplina em outra turma. Claro que algumas críticas são bem cruéis (como chamar um professor de ‘sonífero’), mas em geral não se parte para agressões pessoais. Avalia-se o tipo de aula. É possível denunciar comentários abusivos, e votar nos comentários mais pertinentes. A comunidade se auto-organiza. Diferentemente do Juicy Campus, o acesso ao Descolando se dá mediante cadastro. Para se cadastrar, todo aluno precisa estar vinculado a uma universidade (óbvio). E o acesso funciona mediante convite (aliás, tenho ainda alguns convites se algum estudante quiser testar; professores são proibidos :P). O site foi criado por quatro alunos da PUC-Rio (não é à toa que a maior parte das críticas disponíveis são sobre professores dessa instituição), mas está aberto a estudantes universitários de todo o país. Problema prático: assim que tiver muitos usuários, é bem provável que acabe tendo o mesmo destino do Classe a Limpo, da Ufrgs (outra sugestão do João), que saiu do ar esta semana, depois de inúmeras críticas que partiram para o lado pessoal.
A idéia do 2.0, a colaboração em tese, é muito boa. Pena que muitas vezes as coisas acabam desandando para a bagunça nas mãos de estudantes mal intencionados (como no caso das fofocas no site norte-americano).
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Assunto paralelo: o Daniel Bender iniciou uma campanha interessante com relação à revista Veja: ele propôs uma Googlebombing associando a Veja às denúncias que vem sendo feitas pelo jornalista Luis Nassif. Saiba mais sobre o bombardeio aqui.
Por que o Twitter vicia?
Howard Rheingold, autor, dentre outros livros, de Smart Mobs, fez uma lista dos motivos pelos quais ele gosta do Twitter, meio que tentando explicar por que o Twitter vicia. De forma sintetizada, esses motivos seriam:
A abertura (qualquer um pode acessar, seguir e ser seguido – embora seja possível restringir suas atualizações para apenas conhecidos, pouca gente efetivamente faz isso), o imediatismo (as informações fluem o tempo todo), a variedade (os assuntos tratados são os mais diversos, e vão de política a tecnologia, de fofocas a notícias, de trivialidades do dia-a-dia a experiências de produção literária em 140 caracteres, etc.), a assimetria (Rheingold chama a atenção para o fato de que muito pouca gente segue exatamente as mesmas pessoas que as seguem), o fato de que o Twitter pode ser utilizado como um canal de comunicação com vários públicos (no sentido de que é possível usá-lo para divulgar informações aos seguidores, como posts de blogs, ou o andamento de determinados projetos), uma maneira de se conhecer novas pessoas, um lugar para encontrar pessoas com quem se compartilha os mesmos interesses, além de servir como uma janela para o que está acontecendo no mundo, na medida em que é possível seguir pessoas de situações e lugares os mais diferentes.
Por que esse post de Howard Rheingold é relevante? Ao que parece, ele desencadeou uma espécie de nova onda de adoração do Twitter Internet afora. Dezenas de pessoas aproveitaram a oportunidade para expor os motivos pelos quais também curtem (ou odeiam) o Twitter, fora os que já falariam do assunto em situação normal (como o Jeff Jarvis, que comenta a brevidade do Twitter em sua coluna de hoje no The Guardian).
Russell Beattie, por exemplo, parte do post de Howard Rheingold para acrescentar o fato de que o Twitter tem quase um milhão de usuários, e, mesmo assim, nele (praticamente) não se vê spam ou trolls. Na verdade, conforme foi percebido nos comentários à postagem de Beattie, até há algumas formas de se fazer spam (como ao adicionar o mesmo grupo de pessoas várias vezes, fazendo que cada uma receba zilhares de notificações de novo seguidor – a Capricho costumava fazer isso, e era extremamente irritante), mas elas costumam ser bastante desencorajadas pelos demais usuários. Agora, alguém já viu algum troll no Twitter? E pára-quedista/salsinha?
Bom, não sei se é por conta da brevidade, da rapidez, da possibilidade de conversação, da simplicidade ou da diversidade de temas tratados (ou de uma combinação entre os cinco, e muitos outros fatores), só sei que o Twitter realmente vicia…
E vocês, por que gostam ou odeiam o Twitter? É só uma bolha, ou os microblogs ainda irão marcar época?
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Assunto paralelo: logo mais, às 22h40min na TV Cultura, vai ao ar a entrevista com Steven Johnson no Roda Viva. Os questionamentos foram feitos por Ricardo Anderáos (Metro), Alexandre Matias (Link/Estadão), Tiago Dória (blogueiro do IG), Gustavo Villas Boas (Folha de S.Paulo), Juliano Spyer (Radarcultura) e Ronaldo Lemos (Creative Commons). Vale a pena conferir. A entrevista já havia sido twittada pelo professor Luli Radfahrer, no dia 13 de fevereiro, data em que foi gravada.
Mercado de trabalho para jornalistas
Versão pessimista: A concorrência no mercado de Jornalismo no Brasil é grande. A cada ano, milhares de novos jornalistas saem da faculdade e tentam ingressar no mercado de trabalho. O ingresso no curso de Jornalismo se torna a cada ano mais concorrido. Mas o número de vagas nas grandes empresas jornalísticas do país não cresce na mesma proporção. O resultado é muita gente desempregada, ou tendo que ir trabalhar em outras áreas. E esse cenário assusta.
Versão otimista: O mercado de trabalho para o jornalista é bastante concorrido. Mas basta ser um profissional versátil, que sempre haverá uma vaga para quem realmente se esforça e procura. Além do mais, hoje em dia, com um pouquinho de espírito empreendedor e uma boa visão de mercado, é possível começar o próprio negócio. Nunca se teve tantas possibilidades, e muitas delas surgiram em decorrência do avanço da web. Existe vida além do jornalismo tradicional, fora das redações. E o primeiro passo é reconhecer isso.
Em qual desses cenários é mais fácil acreditar?
O Colegio de Periodistas de Chile iniciou, no final de 2007, uma campanha no mínimo curiosa. Intitulada “Não seja um jornalista frustrado“, a ação objetiva buscar esforços para esclarecer aos ingressantes nos cursos universitários de Jornalismo no país a necessidade de se observar a qualidade dos cursos e o campo de atuação do jornalista. O motivo? Um estudo realizado pela Universidade Adolfo Ibañez indicou que, após dois anos de formado, um em cada cinco jornalistas do Chile estava desempregado. Dentre os 80% que conseguiam emprego, 44% não trabalhavam como jornalistas. (Não sei como andam as porcentagens aqui pelo Brasil. Mas ver os colegas se formar e não conseguir emprego assusta mais do que um punhado aleatório de estatísticas.)
É comum atribuir o problema da falta de emprego à má qualidade dos cursos. Mas será que o problema está apenas na formação? Será que em parte também o problema pode ser culpa do aluno? Fazer um curso universitário não é uma garantia de que se adquirirá conhecimento, de que se estará preparado para o mercado. A única obrigação da universidade é fornecer os subsídios e as ferramentas (livros, aulas, atividades extra-classe) para que o aluno construa o conhecimento. Mas fazer um curso não garante que se esteja preparado para a profissão. E muito menos estar formado garante o ingresso no mercado de trabalho.
Embora não haja uma fórmula definitiva para sair do curso de Jornalismo com um emprego garantido, há inúmeras listas e sugestões do que fazer para quem, como eu, ainda é estudante e quer aproveitar ao máximo o tempo de graduação para facilitar depois o ingresso no mercado de trabalho. Abaixo, segue a lista elaborada por Greg Linch, estudante de Jornalismo da Universidade de Miami, que, em seu terceiro ano de universidade, já traz na bagagem um currículo bastante vasto e invejável – mais ou menos na linha do que representa o Dave Lee para o Reino Unido. A lista é na verdade uma compilação de sugestões e recomendações disponíveis sobre o assunto web afora (meus comentários estão entre parênteses):
1. Use bastante a Internet (algo como: existe vida além do Orkut).
2. Leia blogs sobre jornalismo online (uma boa dica é seguir o caminho da primeira edição da Ciranda de Textos).
3. Comece um blog (se você ainda tem dúvidas quanto a isso, vale a pena ler a discussão iniciada no LinkedIn e continuada no Online Journalism Blog).
4. Aprenda a contar histórias de mais de uma forma (aqui vão algumas dicas).
5. Sites importantes: entre para o LinkedIn (substituto brasileiro: Via 6) e adicione o Poynter aos seus favoritos (substituto brasileiro: Observatório da Imprensa? Jornalistas da Web? Comunique-se?)
6. Você tem experiência? Trabalhe nos veículos de sua universidade, e procure por experiências fora da faculdade (também conhecido como: estágio).
7. Utilize os recursos da universidade: converse com alunos mais antigos, e conheça seus professores (e também cabe a ressalva de que se deve procurar fazer isso ainda antes de entrar para o curso).
8. Networking: faça contatos.
9. Conheça o mercado. Leia sobre ele (siga a bolinha e acompanhe os textos desta edição da Ciranda).
10. Esteja aberto a mudanças (o que permite retornar a um dos pontos iniciais deste post: nem todo jornalista precisa necessariamente trabalhar como repórter).
(Veja a lista original aqui.)
As dicas não garantem um emprego. Mas certamente ajudam a deixar o estudante de Jornalismo um pouco mais preparado para, ao término da faculdade, tentar o ingresso no assustador mundo do mercado de trabalho. Ou, pelo menos, nos ajuda a ter uma visão do mercado um tanto mais realista (na verdade, confesso que a minha visão é a mais pessimista possível, ainda mais depois da discussão que houve na lista de Jornalistas da Web a partir de uma vaga para jornalista por lá postada que oferecia um salário relativamente baixo – essa discussão inclusive acabou inspirando a temática desta edição da Ciranda de Textos).
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*Conforme antecipado alguns pixels acima, este post faz parte da segunda edição da Ciranda de Textos. Esta rodada está sendo hospedada no blog Meio Digital.
Pirataria online é crime também no Brasil
A Justiça de São Paulo condenou um homem por vender CDs piratas com músicas dos Beatles pela Internet em 2003. A Justiça do país é tão lenta que, De acordo com a APCM, esta é a primeira vez que alguém é condenado por esse tipo de crime no país.
A defesa apresentada é no mínimo interessante. O réu alegou que era fã de Beatles e que o site em que vendia os CDs era na verdade um fã clube que distribuía, gratuitamente, as cópias dos discos. (A sentença completa pode ser acessada no blog do advogado Marcel Leonardi.)
A decisão foi em primeira instância, o que significa que o condenado ainda pode recorrer. A pena, de um ano e oito meses de reclusão, foi substituída por uma pena restritiva de direitos (isso pode acontecer quando o réu preenche uma série de requisitos, dentre os quais, não ter sido condenado por nenhum outro crime nos últimos 5 anos).
Tudo bem, vender cópias de CDs pirata é um exemplo claro de violação à lei. O que muda é que a situação já não fica tão impune assim, a decisão abre precedentes para que outros também possam ser condenados pelo mesmo motivo.
Apesar de ter apenas 10 anos, nossa Lei de Direitos Autorais já anda um tanto defasada, principalmente por não prever muitos dos usos advindos da popularização e do crescimento da Internet. Um exemplo mais específico: no Brasil, não se tem o direito à cópia privada (nossa legislação não prevê a figura do fair use), o que torna a simples operação de passar as músicas de um CD comprado legalmente para mp3, para poder ouvir em um iPod, uma atividade contra a lei. (Para saber mais sobre isso, vale a pena conferir a entrevista em vídeo que Juliano Spyer, autor de Conectado, fez com Ronaldo Lemos, advogado representante da Creative Commons no Brasil – a primeira parte da entrevista trata especificamente dessa questão do fair use).
A renúncia de Fidel Castro e a mídia
Uma postagem de Marshall Kirkpatrick no ReadWriteWeb analisa o papel desempenhado pelas mídias sociais na cobertura da renúncia de Fidel Castro. A idéia geral é a de que, na Web 2.0, as pessoas consomem cada vez mais notícias de forma social (através de redes sociais, de indicações de amigos, em blogs), e, por isso, uma análise de como foram essas coberturas seria algo pertinente. O post segue a linha do Uncov, que faz divertidas críticas a empreendimentos de Web 2.0.
Os sites Digg, Mahalo, Memeorandum (não conhecia, é uma espécie de agregador da blogosfera política), Slashdot, Technorati, Twitter e Wikipedia foram analisados. Como considerações gerais, Kirkpatrick constata que o Twitter é o melhor lugar para ficar sabendo primeiro dos fatos (as informações fluem de forma rápida), porém não é bom para acompanhar os desdobramentos do acontecimento (okay, nenhuma novidade nisso – vide a categoria microblogging ali no menu ao lado). Já o Mahalo, com suas páginas de resultados construídas manualmente, fornece uma boa quantidade de links para quem busca informações básicas sobre o fato, já no meio do desenrolar do acontecimento. Por fim, a Wikipedia seria o melhor caminho para acompanhar os desdobramentos de um fato (numa espécie de megajornal em tempo real).
A partir do questionamento “What social news site can break the news, offer quality background resources and stay relevant for a global 24 hours news cylce? So far, no one but mainstream media has proven able to do that”, Kirkpatrick analisa site por site, vendo o destaque conferido ao fato logo que a renúncia foi anunciada, e mais tarde, algumas horas depois. Com isso, ele percebeu que a maior parte desses sites não continuou a dar destaque a Fidel Castro ao longo do dia. A conclusão a que ele chega é no sentido de que o potencial da Web 2.0 para notícias é imenso, mas que nenhum dos sites analisados teria conseguido fazer uma cobertura completa por si só.
Mas, espera aí… quem disse que a mídia social precisa fazer exatamente a mesma coisa que a mídia tradicional? Qual é a graça de imitar o que já faz a grande mídia??? Outro problema é que a análise leva em consideração o número de notícias, a quantidade de tempo que o fato permaneceu em destaque nas redes sociais, e não tanto o que foi dito e como foi dito. E conclui que a cobertura social foi um fracasso, sem nem ao menos analisar o conteúdo do (pouco) que foi dito. Será que as pessoas realmente queriam mais informações sobre o caso? Será que o tempo que o fato ficou em destaque nas redes sociais não demonstra o grau de importância que as pessoas realmente deram ao fato (em contraposição ao tempo excessivo que a mídia tradicional achou que ele mereceria)? E tem mais… nos comentários ao post, as pessoas se deram conta do fato de que a análise feita pelo ReadWriteWeb desconsiderou completamente a cobertura em espanhol sobre o caso – provavelmente a maior e mais completa.
Bom, de qualquer modo, passadas mais de 24 horas do fato, lanço a pergunta: como você tomou conhecimento da renúncia de Fidel Castro? Foi por blogs, pelo Twitter (enfim, pelas mídias sociais), por um site de notícias tradicional, ou por algum outro meio? E o meio escolhido foi suficiente, ou você precisou procurar mais dados por outra via?