All posts by Gabriela Zago

Micropodcasting

O TwitterGram permite postar pequenos arquivos de áudio diretamente no Twitter. Para isso, o arquivo, em mp3, não pode ultrapassar 200kb. É possível enviar um novo arquivo a cada 10 minutos. Os mp3 enviados são automaticamente convertidos em postagens no Twitter (vai o nome do programa e uma tinyurl apontando para o arquivo). Considerando que o Twitter pode ser transmitido em um feed RSS… o resultado obtido é praticamente um serviço gratuito de micropodcasting. E o mais legal de tudo: dá para atualizar pelo telefone.

Um uso interessante da ferramenta seria para noticiar desdobramentos ao vivo de fatos que estejam acontecendo — tipo um live micropodcasting de caráter jornalístico.

O micropost de áudio sai nas atualizações do usuário no Twitter, e também na conta global do TwitterGram.

A página do TwitterGram informa que o serviço é disponibilizado em caráter experimental, e que pode ficar fora do ar a qualquer momento.

Em tempo: talvez fosse melhor se a limitação não fosse em termos de tamanho (200kb), e sim na duração do áudio (como nos 30 segs da atualização por telefone). Dá muito bem para ultracompactar um áudio com duração razoável, mas com qualidade terrível.

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Insônia

Bateu a porta. O estrondo ecoou no corredor. Várias luzes de apartamentos vizinhos, acima, abaixo e ao lado, acordaram-se. Aquele silêncio mortificante da noite fria de agosto era interrompido por um estrepitante ruído. De súbito, o medo tomava conta de todos aqueles que há pouco estavam dormindo. O que teria acontecido?

Enquanto isso, não muito longe dali, ele já estava entrando em seu carro, na garagem do subsolo do prédio, quando se lembrou de que deixara o aquecedor ligado. “Droga.”

Desfez todo o caminho percorrido. Voltou ao apartamento. O crepitar da chave, num silêncio engasgante de 3h da madrugada, pôde ser ouvido dois apartamentos acima. A criança, que já não conseguia dormir desde o estrondo, vai então para o quarto ao lado, para a cama de seus pais, e por pouco não os flagra na concepção de mais um irmãozinho.

Enquanto isso, ele apaga o aquecedor. Verifica outros dispositivos eletrônicos, fogão, computador, televisão. Tudo devidamente desplugado. A viagem seria longa. Tudo deveria ficar em seu devido lugar.

Desta vez, não bateu a porta: fechou-a delicadamente. Percebera passos em um apartamento vizinho. Talvez morasse perto de sonâmbulos lunáticos e psicóticos. Talvez uma mãe estivesse a amamentar o seu filho. Talvez estivesse ouvindo coisas demais.

Retornou ao carro. Ficou algum tempo sem fazer nada. Sem dizer nada. Sem pensar em nada. Quando estivera prestes a esquecer porque estava ali, um medo súbito tomou-se-lhe conta. Aquela garagem escura e vazia, fria e cavernosa, assustara-o, como nunca antes o tinha feito. E antes que aquele sentimento pudesse lhe fazer desistir de seus planos, ligou o carro e acelerou com tudo. Tinha de sair dali o mais rápido possível!

Em poucos instantes, ganhou a rua. Tomou o cuidado de sair pelo portão da garagem cuja câmara de segurança estivesse estragada. Não queria correr o risco de ser reconhecido em seu carro. Principalmente depois do papel que seu carro desempenharia naquela noite.

Com um mapa em mãos, tratou de traçar um trajeto que não percorresse pedágios e câmeras de segurança. Ia ser difícil chegar aonde queria sem ser reconhecido. Era preciso inovar: parques e praças poderiam servir de atalhos engenhosos. Ainda bem que ninguém circulava pelas ruas da cidade em madrugadas frias de agosto. Estavam todos ocupados fritando seus miolos diante de lareiras, aquecedores, estufas, cobertores elétricos, calefação central. Poucos sofriam desse distúrbio incontrolável do sono chamado insônia.

Tomou tanto cuidado para não ter de parar em sinais vermelhos, que quase se esquecera de dobrar na esquina certa. E então viu a luz indicativa de que era aquele o lugar que planejava chegar há dias. Estava escuro o suficiente. Ninguém iria perceber o “crime” que cometeria.

Entrou pela entradinha da esquerda. Olhava insistentemente para os lados, de modo a certificar-se de que não havia ninguém por perto. Qualquer deslize poderia ser fatal. Reduziu a velocidade. Baixou os faróis. Sentiu que alguém se aproximava, mas logo percebeu que se tratava de um carro que passava velozmente pela avenida ao lado.

Quando estava no ponto final do trajeto, sorriu aliviado. A pior parte já passara. Agora era só questão de executar o plano, esconder o corpo, e voltar para casa. Não sem antes, é claro, tratar de apagar todas as evidências que permanecessem por seu carro. Era preciso tomar muito cuidado a partir de agora. Cuidado redobrado.

Parou o carro. Desligou o motor. A seu lado, uma janela de ferro deslizava lentamente. Tinha pouco tempo para desistir. Será que valeria a pena levar o plano adiante?

E então, uma voz quente e suave dirigiu-se a ele: “Faça seu pedido”.
Não resistiu: comprou seu McLanche Feliz com a Hello Kitty, e voltou feliz para casa.

Postado originalmente em 31 de agosto de 2005.

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Recursos para todos os gostos

Não gostou de uma decisão? Em matéria processual, há várias maneiras de se atacar decisões de que não se gosta.

Para começar, há o agravo. O agravo é para quando você não gosta de decisões tomadas ao longo do processo, mas que ainda não sejam a decisão definitiva (– a sentença). Em regra, o agravo fica retido nos autos até que a sentença seja proferida. Aí a pessoa precisa apelar da sentença, e, na apelação, manifestar a vontade de que o agravo seja apreciado. Mas mesmo que o agravo só vá ser apreciado após a sentença, é fundamental que a indignação com a decisão fique registrada logo após a decisão que se quer atacar – isso evita que o direito de recorrer dessa decisão preclua (a preclusão merece um post à parte) e ela transite em julgado. Dependendo do caso, também dá para promover um agravo de instrumento, o que faz com que o agravo seja apreciado pela instância superior ao mesmo tempo em que o processo em si segue tramitando no juízo original. Os motivos que justificam que o agravo seja apreciado desde logo são indícios de que se tem o direito alegado (ou a “fumaça do bom direito” – existe termo mais bizarro que esse?) e o perigo decorrente da mora.

Além do agravo, há a apelação. A apelação é o recurso principal para manifestar a não concordância com o resultado de sentenças de mérito – tipo quando o juiz decide um determinado caso, resolvendo quem tem razão e quem não tem. A apelação é dirigida para um grau superior na escala hierárquica do Judiciário. As decisões em segundo grau formam jurisprudência.

Há outros recursos no sistema recursal brasileiro, como os embargos de declaração, cujo objetivo é pedir para o juiz esclarecer/explicar algum ponto obscuro ou omisso em sua sentença, e os embargos infringentes, que cabem sobre acórdãos não unânimes que modificam sentenças de mérito [sorry pelo juridiquês exagerado aqui no finalzinho da frase; não resisti].

Aplicações na vida prática:

Agravo – você e um grupo de amigos estão decidindo o local onde irão jantar na próxima sexta-feira. Não se tem ainda a certeza do lugar, mas uma parte do grupo já decidiu, sem que você pudesse se manifestar, que o prato será pizza. Você não quer pizza. O que fazer? Agrave – e por instrumento, porque há risco na mora (já é quinta-feira!)!

Apelação – o pessoal já decidiu que será pizza e que o jantar será na Pizzaria Tal. Você não quer, de jeito nenhum, e acha injusto que tenham decidido sem consultá-lo. O que fazer? Apele!

Embargos de declaração – você não entendeu direito se vão comer pizza ou calzone lá na Pizzaria. O pessoal trocou tanto de opinião que não ficou claro. Aí você pode pedir para eles mesmos (ou seja, para o mesmo órgão que proferiu a decisão) esclarecerem a decisão, via embargos de declaração.

Embargos infringentes – alguns decidiram em nome de todos. Metade quer ir para um lugar, metade quer ir em outro. Como resolver? Convoque todos para, juntos, decidir aonde todo mundo vai. O que o grupo todo decidir irá substituir a decisão proferida anteriormente por poucos.

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NaNoWriMo 2007

Este ano meu desempenho no NaNoWriMo foi ainda pior que em 2005. Que feio. Escrevi cinco páginas do texto, o que significa que a Girafa Acadêmica* permanecerá sem uma biografia ‘oficial’ até 2008… (se serve de consolo, só três pessoas leram a história do ano passado, o que torna o esforço de escrever uma história de ficção absurdamente desproporcional ao alcance obtido)

Enquanto isso, fiquem com a biografia não-autorizada. E os três primeiros trechos da biografia ‘oficial’ da Girafa Acadêmica:

De como a Girafa e o Elefante se conheceram inicialmente
A cena no parquinho: a gênese da disputa entre o Elefante Analfabeto e a Girafa Acadêmica
Girafa Acadêmica e Camelo Israelense Terrorista como colegas de faculdade

(sim, eu sei que a história é completamente nonsense)

* a Girafa Acadêmica é uma invenção maluquice arbitrária consensual originada durante aulas extremamente tediosas no curso de Direito. Em 2006, ela ganhou até um blog coletivo. Minha nano novel deste ano seria uma tentativa de reunir todas as bizarrices já inventadas sobre a Girafa em um único espaço. Mas faltou tempo. – o prazo termina amanhã, e eu, obviamente, não conseguirei escrever 47 mil palavras em dois dias.

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Construindo uma máquina do tempo ideal

Reflexões surgidas após a leitura do conto “All you zombies” de Robert A. Heinlein, e de algumas considerações acerca do Paradoxo do Avô.

Considerações iniciais

Uma máquina do tempo ideal deveria permitir movimento apenas no tempo, e não no espaço. Para viajar no espaço a gente tem carro, foguete, lancha, balão, bicicleta. O que falta é um dispositivo que permita “viajar” (por falta de um termo mais apropriado) por horas, semanas, meses, decênios, milênios. E não da forma unilateral que se faz quando se mergulha em recordações de um passado vivido, contado ou imaginário (ou acaso alguém esteve na Idade Média para saber como ela realmente era?).

Da importância da construção da cabine

Como ficou decidido que a movimentação se dará apenas no tempo, e não no espaço, faz-se necessária a construção de uma espécie de cabine que permita tal deslocamento. A cabine deveria ser pequena (para uso individual, provavelmente) e feita de um material firme e forte, que resista à ação do tempo (sem ironias).
A pessoa entra na cabine no momento em que está, e sai algum tempo antes no mesmo lugar (para deslocamentos no espaço, consulte o item Máquina do Tempo X Teletransporte). Para pequenas distâncias no tempo, a “viagem” seria tranqüila. O problema é com futuros longos retrocessos no tempo, o que talvez fosse requerer que a cabine seja de um tamanho e formato confortáveis. Considerando-se a necessidade de que a cabine tenha existência tanto no tempo de onde se parte quanto no momento de destino, as longas “viagens” apenas se processarão daqui alguns anos (isso se a máquina for efetivamente implantada e produzida mais ou menos por agora). Mas, em termos simples e lógicos, voltar uma semana no tempo para tentar compreender um pequeno mal entendido é rápido. Mas se alguém que esteja em 3417 resolva voltar ao ano de 2006 para tentar compreender como se deu a construção de determinado dispositivo da máquina do tempo, aí com certeza a “viagem” vai ser bem mais demorada.

O quanto demorada vai ser a “viagem”

Por uma decisão completamente arbitrária (este post trata da construção da minha máquina do tempo, portanto, reservo-me no direito de decidir de forma totalmente aleatória tudo o que concerne ao funcionamento da minha hipotética máquina do tempo), e fazendo analogia com distâncias físicas, cada minuto deslocado no tempo corresponderá a 1 metro. Para fins de cálculo do tempo, considerar-se-á apenas o tempo de deslocamento real, desconsiderando-se os tempos de desintegração e reintegração da matéria (cf. item “Conversão da matéria em luz” abaixo).

Máquina do tempo X Teletransporte

Antes de prosseguir, convém lembrar que o mesmo princípio de desintegração e reintegração da matéria poderá ser adotado na construção de uma máquina de teletransporte (mas aí se estaria falando em uma “máquina do espaço”, o que de certa forma foge à temática proposta neste post). Mas já adianto: o esforço teórico para a construção de uma máquina de teletransporte é completamente inútl, pois para isso (deslocamento no espaço) já dispomos de diversas bugigangas semoventes que desempenham tal função de forma satisfatória, embora em velocidades bem menores do que o que se gostaria. Assim, o caminho para que se atinja uma melhora no deslocamento espacial não é investir no teletransporte, e sim tratar de garantir que a velocidade dos atuais meios existentes seja aumentada.

Conversão da matéria em luz

Tendo sido feita a distinção entre máquina do tempo e máquina do espaço (teletransporte), o passo seguinte seria determinar como se dará a desintegração da matéria. Uma saída prática seria converter a massa do indivíduo que pretende se deslocar no tempo em luz, haja vista a extrema velocidade que a luz é capaz de atingir (ressalte-se novamente que o mesmo princípio também poderia ser adotado numa infrutífera máquina de teletransporte).

A velocidade da luz

A velocidade máxima que a luz pode atingir é de 1 800 000 000km/h, ou seja, 300.000km/segundo. Mas aí tem toda aquela história da teoria da relatividade que diz que a massa do objeto que chega perto da velocidade da luz e a percepção do tempo de quem está em tal velocidade acabam sendo alteradas. A massa reduz, o tempo encolhe. Daí a máquina do tempo necessariamente teria que ter um dispositivo que permitisse corrigir tal falha. Esse é um detalhe que deverá ser trabalhado com o tempo. Por ora, vale fazer como nos exercícios de física do Ensino Médio e partir do pressuposto de que todos os dados complicados poderão ser desconsiderados (“despreze a gravidade, ela é inútil e tem um valor muito complicado”) em nome de uma possível reflexão teórica distanciada acerca do caso.
Entretanto, uma consideração importante que não se pode deixar de fazer neste momento é a necessidade de parcimônia para a utilização da máquina do tempo. Ora, se a conversão causa mudanças de ordem física e temporal, é lógico deduzir que seu uso prolongado possa causar sérias conseqüências. Este assunto poderá ser retomado em futuras considerações teóricas acerca da construção da máquina do tempo. Fica o convite para eventuais pesquisadores e interessados no tema possam desenvolvê-lo via comentários.

Tabela 1 – Proporções tempo – minutos

tempo minutos
1 dia 1.440 minutos
1 semana 10.080 minutos
1 mês 43.829 minutos
1 ano 525.948 minutos

Cálculos

Logo, na razão de 1 metro por minuto que se queira retroceder no tempo, convertendo a massa em luz, tem-se que:
1 ano = 525 948 minutos.
525 948 minutos = 525 948 metros
525 948 metros = 525,948 km
A uma velocidade de 300.000km/s, seria possível retroceder 1 ano no tempo em menos de 1 segundo (0,0017 segundos). Nessa mesma proporção, uma viagem de 40 anos no tempo (de 2046 para 2006, caso a máquina seja construída ainda este ano), levaria um pouco mais de tempo, mas mesmo assim se manteria em menos de 1 segundo (0,7 segundos). A velocidade seria apenas significativa para trajetos que envolvessem mais de 300.000.000 metros, o que se daria em mais de 570 anos. Como esta não deve ser uma preocupação de alguém que exista em 2006, deixaremo
s essa reflexão para nossos descendentes, e vamos logo ao que interessa.

Da impossibilidade de se alterar o passado

Alterar o passado poderia ter conseqüências drásticas (tipo Efeito Borboleta, teoria do caos… mexe num detalhezinho e teu futuro muda drasticamente… tanto que tu podes nem mais existir nele – vide Paradoxo do Avô). Logo, o retorno no tempo deveria apenas permitir que se assistisse, como mero espectador, aos acontecimentos do passado.
Não haveria problemas em alguém se assustar ao se deparar com uma versão de si mesma alguns anos mais velha circulando por aí, pois todos do passado “revisitado” saberiam da existência da máquina do tempo, já que a cabine precisaria existir em tal tempo para permitir o “deslocamento” temporal. Mas para evitar confusões e mal-entendidos, o ideal seria que a versão do corpo que retorna ao passado seja mais ou menos fantasmagórica (e decididamente invisível).
Outra questão importante é decidir se a pessoa vai com a idade que tem, ou com a idade que tinha (e, consequentemente, com o grau de julgamento da idade que irá revisitar). Há dois aspectos a serem observados: (1) de nada adiantaria, por exemplo, poder retornar ao passado para avaliar com distanciamento crítico uma determinada ação, se não se pudesse utilizar dos conhecimentos adquiridos ao longo do tempo para poder refletir com maiores subsídios e tentar alterar o futuro (já que o passado é inalterável); e (2) se a pessoa vai ao passado, como mero espectador (sem poder interferir nos eventos), nada mais lógico que se vá com a idade que se tem no momento em que se entra na máquina (e não com a idade que terá quando observar-se ao sair dela).

Finalidade prática da máquina do tempo

A utilização prática da máquina, ao menos em tempos em que estejamos vivos (considerando-se a construção da máquina em 2006, e uma expectativa de vida média de 71,3 anos para um brasileiro), será apenas para rever acontecimentos dos quais tomamos parte e durante os quais estivemos vivos. Sua finalidade principal seria permitir que as pessoas revejam suas atitudes e reconsiderem seus posicionamentos.

Conclusão inexorável

A máquina do tempo já existe, sob diversas formas e para diversos usos: máquina de fotografar, máquina filmadora, blogs. Tudo são próteses que nos ajudam a revisitar o passado em momentos de dúvidas. Mas não dá para se prender a ele: o presente está aí, para ser vivido. E o futuro chega a todo momento. Então, qual o sentido de se querer tanto ir de volta ao passado?

(Postado originalmente em 11/06/2006. — Sim, é um calhau!)

Em tempo: sei que o texto está no mesmo blog e nem faz tanto tempo assim que foi postado pela primeira vez. Mas resolvi pegar onda no Anônimo pára-quedista do Google que comentou no texto hoje, e colocá-lo neste espaço novamente. Esse mesmo post acabou dando origem, meses mais tarde, ao meu primeiro atentado literário pseudo-transfigurado na forma de livro novela PDF.

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Excesso de informação

Se a gente seguir produzindo no ritmo em que produzimos atualmente – ou melhor, se a produção continuar aumentando no ritmo em que aumenta – em no máximo 2 anos teremos um excesso de informação incontornável na Internet.

De acordo com um estudo divulgado pelo Nemertes Research Group na semana passada, a Internet ficará sem capacidade até 2010, a menos que se invistam bilhões de dólares no reforço aos backbones que atualmente suportam o tráfego mundial de dados — algo como uma lei de Moore aplicada à circulação de dados na Internet.

O grande culpado serão os videozinhos bobinhos e inocentes que você assiste diariamente no YouTube, os filmes de qualidade duvidosa que você baixa para economizar com cinema e as músicas que tenta pegar de graça para sua imitação barata de iPod [não que eu não faça isso… sempre]. O crescimento no fluxo de streaming de vídeo, nos downloads de músicas, ou na troca de arquivos por P2P pode contribuir para entupir as vias de circulação dos dados. O estudo sugere que a demanda para esses serviços irá acelerar cada vez mais, o que requer, urgentemente, mais capacidade.

A estimativa é que os usuários da Internet produzam 161 exabytes de novos dados, apenas neste ano. Um exabyte é o equivalente a 1,1 bilhão de gigabytes, ou seja, algo como 50 mil anos de vídeo em DVD de alta qualidade.

Via GJol

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Um blog aos 95 anos de idade

A notícia é [relativamente] velha, mas não deixa de ser interessante. A vencedora do Best of the Blogs (The BOBs) na categoria melhor weblog em espanhol, tanto por voto popular quanto pelo voto do júri, foi María Amelia, com o blog “A mis 95 años”. — Eis uma prova de que blogar não tem idade.

Em seu blog, María Amelia narra histórias vividas ao longo de seus 95 anos de vida. A espanhola conta com a ajuda do neto para digitar seus textos e acompanhar a repercussão do blog.

O The BOBs é um concurso internacional de blogs promovido anualmente pela Deutsche Welle. O vencedor na categoria weblog em português, voto pelo júri, foi o Blog do Tas. Já o vencedor na categoria weblog do ano (considerando-se todos os idiomas) foi Foto-Griffaneurei (Foto Mania), de Xenia Awimova, uma aspirante a fotojornalista de 23 anos que vive em Minsk (capital da Bielorrúsia).

Via eCuaderno.

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Os melhores blogs do Brasil 2

A Revista Bula publicou o resultado da “maior pesquisa de opinião pública já feita no Brasil sobre blogs”. É mais ou menos como a pesquisa anterior, só que, desta vez, a pergunta foi feita a mais pessoas. Na primeira edição, perguntou-se a universitários quais os blogs que eles costumavam ler. Nesta segunda versão, procurou-se “buscar um caráter mais científico”. Para isso, eles entraram em contato com 704 706 pessoas, de dez estados do país e das mais variadas áreas de atuação.

Cada pessoa podia indicar no máximo 5 blogs. 211 disseram que não lêem blogs, e os outros 495 apontaram os seus favoritos.

O resultado? Deu Pensar Enlouquece de novo na liderança. Mas alguns dos outros blogs constantes da relação dos 21 melhores do país mudaram. Caiu o número de blogs escritos por jornalistas – mas aumentou a diversidade de assuntos abordados.

Em tempo: caráter mais científico? Pessoas de profissões diferentes? Uma dica para a próxima vez [se houver uma próxima vez, já que esta é apontada como a listagem definitiva]: perguntem a profissão da pessoa que está respondendo. E o Estado. Só para conferir… (E, sim, eu votei no Inagaki, e ajudei a perpetrar o status quo da web).

Dados interessantes sobre a blogosfera brasileira podem ser acessados na Pesquisa Blogosfera Brasil, realizada em 2005, pela Verbeat. Não tem uma lista dos blogs mais influentes, mas o relatório traz informações sobre os hábitos dos blogueiros e leitores de blogs do país – como o fato de 95,4% acreditarem ser possível conhecer pessoas através de blogs 🙂

Update 27/11 — o pessoal da Revista Bula publicou hoje alguns dados adicionais da pesquisa (incluindo o número de votos que cada blog recebeu), além de ter aumentado a relação de blogs de 21 para 31. Também há uma nota explicando que rankings costumam ser bastante subjetivos (!), e que nesse procurou-se mostrar algo que fosse além do que pensa a própria “umbigosfera” – por isso, 90% dos respondentes teriam sido usuários de Internet não leitores de blogs.

Agora apenas uma sugestão: que tal transformar isso em uma espécie de seção permanente da revista, refazendo a pesquisa de tempos em tempos (6 em 6 meses, talvez?) para observar como se comporta as preferências dos usuários? — tipo, considerando o fato de que a blogosfera é líquida e as relações virtuais são instáveis, por que não respeitar isso e criar uma pesquisa de opinião que também seja mutável?

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Dia de Ação de Graças

Nos Estados Unidos, o Dia de Ação de Graças é comemorado todos os anos na quarta quinta-feira de novembro (no caso, hoje). No Canadá, a ocasião é celebrada na segunda segunda-feira de outubro. Embora a tradição seja essencialmente norte-americana e canadense, países do mundo todo foram aos poucos incluindo a data em seus calendários. No Brasil, a celebração costuma ser tímida. E no geral não passam de algumas poucas manifestações isoladas.

A idéia é a de usar a data de hoje para se agradecer pelo que se conseguiu no último ano. E a festa não termina na quinta-feira. O dia seguinte ao Thanksgiving costuma ser a data com movimento mais intenso no comércio dos Estados Unidos. As pessoas saem às compras após o feriado em um clima ainda festivo. O dia é conhecido como “Black Friday” (sexta-feira negra), pois é o dia em que os lojistas esperam que suas vendas saiam do vermelho.

Historicamente, o primeiro dia de ação de graças aconteceu em 1621. Colonos ingleses (peregrinos) que tinham fundado a colônia de Plymouth (em Massachusetts) convidaram os integrantes da tribo Wampanoag para uma celebração. Os índios levaram comida para os ingleses. Foi só em 1789, por meio de um decreto do presidente George Washington, que a data se transformou em um feriado nos Estados Unidos. Como antecedente histórico, tem-se a tradição inglesa de se reservar um dia para dar graças aos céus, geralmente com muita comilança. A data costumava ser celebrada após a época da colheita, de forma a assegurar a ceia farta.

Atualmente, a comemoração costuma se dar em família, com grandes ceias, ou então em paradas e festivais em lugares públicos. No Brasil, a data é celebrada por famílias estrangeiras e em instituições vinculadas à cultura canadense ou norte-americana (exemplo clássico: cursinhos de inglês). A escola em que estudei na segunda metade do Ensino Fundamental costumava fazer uma grande festa no Dia de Ação de Graças. Ninguém entendia o porquê de tanta comemoração…

Nos EUA, é tradição ainda a cerimônia anual do peru. Na terça-feira, dia 20 de novembro, o presidente George W. Bush “perdoou” dois perus, que serão poupados neste dia de Ação de Graças, e ainda, de quebra, irão ganhar passagens para a Disney. Os perus perdoados foram batizados de “May” e “Flower”, em homenagem ao barco em que chegaram os primeiros peregrinos à América (Mayflower).

Em tempo: gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer aos lurkers, leitores do feed, visitantes esporádicos, pára-quedistas do Google, fakes, amigos, conhecidos, desconhecidos, salsinhas, amigos imaginários (:P), enfim, todas aquelas figuras bizarras (reais ou imaginárias) que, de certa forma, contribuem para a existência deste blog 🙂

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E o tal do conversor de TV Digital a R$100,00?

Pela lei da oferta e da demanda, tem-se que oferta (quantidade oferecida de um determinado bem) e demanda (procura por este bem) são fatores que influenciam diretamente na determinação do preço. As diferentes combinações entre um e outro elemento darão origem a diferentes faixas de preço para um mesmo produto. Regra geral, quanto maior a oferta, menor o preço; se aumenta a demanda, aumenta também o preço. Um meio termo entre oferta e demanda pode levar a uma estabilização do preço.

Mas é claro que nem tudo se resume a uma simples dicotomia… há vários outros fatores que podem influir no processo de determinação do preço, como os desejos das pessoas, a concorrência, a capacidade técnica de as empresas produzirem um determinado produto e o poder aquisitivo das pessoas diretamente interessadas na aquisição desse produto. Sintetizando ao máximo, não basta produzir em grandes quantidades um produto que ninguém irá querer comprar, ou então cobrar muito caro por um produto cujo público-alvo não terá condições financeiras de adquiri-lo.

Feita essa enrolação inicial, vamos aos fatos. Os primeiros aparelhos conversores de TV Digital do Brasil, fabricados pela Positivo e pela Semp Toshiba, chegarão às lojas na próxima semana, em São Paulo. O preço? O da Positivo sai por R$499,00, e o da Semp Toshiba por R$800,00, para televisores convencionais – e a bagatela de R$699,00 ou R$1.199 para quem tem tevê de alta definição (HDTV). Ou seja: muito longe da estimativa inicial de R$100,00, ou da posterior atualização sensata da expectativa para R$250,00. Vale lembrar que só quem tiver conversor poderá assistir às transmissões digitais, que se iniciam, na cidade de São Paulo, no dia 2 de dezembro.

O problema prático? Apesar de já existir três grandes padrões para TV Digital no mundo (o americano, o japonês e o europeu), o Brasil resolveu ser feliz ao extremo e inventar seu próprio modelo de TV Digital (usando como base o padrão japonês). Divertido, inovador, versátil. Só que, por conta disso, ainda não há mercado suficiente para produzir conversores com preços competitivos. Por enquanto, há apenas dois fabricantes. Assim que outras empresas começarem a produzir seus modelos, talvez o valor reduza um pouco. Quando a transmissão digital se estender a todo o país e todo mundo começar a comprar conversores apesar do preço salgado, a demanda fará com que se produzam mais conversores, o que estimulará a concorrência, aumentará a oferta e fará com que o preço caia. É tudo uma questão de tempo.

Nessas horas é bom lembrar o que aconteceu com as pobres criaturas que compraram uma TV de 42’’ pela bagatela de 20 mil reais um ano antes da Copa do Mundo de 2006. Antes da Copa, ter uma tevê dessas era raridade. Depois, o preço foi despencado. Hoje já banalizou. Dá para levar quatro pelo preço que se pagava por uma há menos de dois anos. Os tempos mudam. O consumo estimula a oferta, e, quanto maior a oferta, menor o preço…

Infelizmente, é preciso primeiro “sacrificar” o bolso de alguns consumidores, para que o preço comece, enfim, a diminuir. O conversor de TV Digital poderá, sim, um dia vir a custar os prometidos R$100,00. Mas, até lá, melhor continuar sem assistir televisão 😛

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