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Auto-acusação falsa

O Código Penal, em seu artigo 341, refere-se ao crime de auto-acusação falsa. Esse delito acontece quando o indivíduo acusa-se de ter cometido um crime que não cometeu (ou porque outra pessoa o fez, ou porque o crime nunca existiu). Como conseqüência, quem se auto-acusa falsamente pode receber pena de prisão, ou multa.

Mas e por que alguém seria tão torpe ao ponto de se auto-denunciar por um crime, sem ter cometido crime algum? Apesar de parecer absurda, a previsão desse crime tem lá seu fundamento – o delito está situado no capítulo referente aos crimes contra a administração da Justiça. A intenção é punir aqueles que retardam o andamento de julgamentos com óbices desnecessários. Um exemplo disso seria se alguém viesse diante da autoridade judiciária ou policial para dizer que cometeu um determinado delito que não cometeu, ou que jamais foi cometido, para desviar a atenção das investigações, e deixar a polícia e o Judiciário ainda mais distante de descobrir a verdadeira autoria do crime (ou algum outro crime que porventura realmente tenha sido cometido pela própria pessoa que se auto-denuncia, mas que se pretendia acobertar com a auto-acusação falsa).

E sim, isso acontece na prática. Como exemplo, veja esta notícia, um release com excesso de juridiquês, mas que permite entender melhor o que é a tal da auto-acusação falsa. Este outro link traz uma auto-acusação falsa ainda mais bizarra – o bandido queria parecer mais perigoso do que realmente era.

Também pode ocorrer denunciação caluniosa, que é quando você quer sacanear aquele indivíduo chato que tirou sarro da sua cara a infância inteira e resolve denunciá-lo como autor de um crime nunca ocorrido, ou cometido por outrem.

Em tempo: os releases policiais são todos assim tão toscos? 😛

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Brasil Telecom: o pior atendimento do mundo

Estamos sem conexão à Internet aqui em casa (em Bagé) há cinco dias. A saga começou na quarta-feira. Impossibilitados de conectar desde a terça-feira, telefonamos para o serviço de atendimento da Brasil Telecom, para tentar saber se o problema era com eles ou no computador de casa. Pelo telefone, informaram que os fios de conexão haviam sido furtados, mas que o problema seria resolvido até o dia seguinte (quinta-feira, feriado da Proclamação da República).

Na quinta-feira, a conexão seguiu não funcionando. Decidimos esperar até sexta, após o feriado, para telefonar novamente.

Sexta-feira

Na sexta-feira, após esperar quase duas horas para sermos atendidos (e muita musiquinha, propaganda institucional, e mensagens de falsa esperança do tipo “Aguarde. Em breve, você será atendido”), a atendente, Elane sem sobrenome (ela se recusou a dizer o nome completo) disse que poderia mandar um técnico para resolver o problema no dia seguinte. Ela argumentou que o problema nos cabos já havia sido resolvido (mas então por que a Internet continuava sem funcionar??). Reclamamos, insistimos que queríamos atendimento no mesmo dia (já que desde terça estávamos sem Internet), e, enquanto falávamos, a atendente “supersimpática” colocou o telefone no mudo. Algum tempo depois, ela voltou para perguntar “Pronto. Já terminou?” (ou seja, a moça não teve paciência nem de ouvir a reclamação – então por que raios foi procurar emprego em um serviço de telemarketing???). De qualquer modo, ficou registrado o número do atendimento, e a promessa de que em até 24 horas o problema estaria resolvido.

Ainda na sexta-feira, no final da tarde, um rapaz, que se identificou como Gabriel, técnico de informática da Brasil Telecom, telefonou aqui para casa. Ele queria a todo custo nos convencer de que o problema era no computador, e, por isso, foi solicitando que mudássemos as conexões, desligássemos todos os telefones, e mexêssemos nas configurações da Internet. Ele também subestimou a minha capacidade ao extremo. Primeiro, ele pediu para entrar no cmd para digitar um comando. Digitei o comando, deu uma mensagem de erro, e li para ele a mensagem. Ele disse para digitar novamente, fiz isso, e veio a mesma mensagem (!!). Aí ele me acusou de estar digitando errado, e começou a soletrar, pausadamente, como se se dirigisse a uma criança de 3 anos de idade, letra por letra do que deveria ser digitado. Antes que eu xingasse o coitado e mandasse ele para a Lua, meu pai assumiu o telefone e voltou a insistir na necessidade da presença física de um técnico, porque do jeito que a coisa estava, apenas desconfiguraríamos o computador, e nos afastaríamos ainda mais da solução do problema.

Por fim, o tal do Gabriel disse que um técnico (real, de carne e osso, e não uma voz entediada ao telefone) viria no dia seguinte – mas fez questão de dar ênfase ao fato de que, se o problema não fosse na conexão em si e sim no computador, eles nos cobrariam pelo serviço (sim, depois que o técnico por telefone nos fez mudar todas as configurações do computador, é bem provável que o problema agora seja, também, no próprio computador!).

Sábado

Esperamos pacientemente até o vencimento do horário da primeira solicitação da vinda do técnico. Até ligamos para o atendimento pelo telefone antes do término do prazo, e uma mensagem gravada afirmava que o problema seria resolvido até meio dia (24 horas após a solicitação feita com a simpaticíssima Elane). Tendo passado o prazo sem nenhuma resolução do problema, ligamos novamente para o suporte. Uma hora esperando atendimento (com direito a anúncios gravados do tipo “passe o dia inteiro na Internet com BRTurbo”), e uma moça de nome “Quênia” (sic?) nos atendeu. Ela disse que poderia solicitar a vinda de um novo técnico para o dia seguinte, já que havia expirado o prazo da solicitação anterior (COMO ASSIM???). E não adiantou dizer que a gente já tinha esperado 24h. Ela ainda disse que, para o mesmo dia, tudo o que poderia fazer era pedir para um técnico entrar em contato pelo telefone (outra criatura com nome de anjo para tirar sarro da nossa capacidade intelectual???).

Chegamos a perguntar o que era preciso ser feito para cancelar o serviço de ADSL, ou então como fazer para conectar com discada (queríamos um número para conectar, pelo menos). Quanto à primeira pergunta, a moça se limitou a dizer que o serviço só pode ser cancelado “De segunda a sexta, em horário comercial” (??). Quanto à segunda pergunta, ela nos mandou ligar para outro número de suporte Brasil Telecom. Uma hora de espera com musiquinha no telefone, e desistimos.

Estamos agora conectados em um cybercafé, e, obviamente, mandaremos a conta para a Brasil Telecom.

E amanhã, domingo, vence o novo prazo para vir um técnico da Brasil Telecom para resolver o problema. Aposto que não virá, ligaremos no domingo, e empurrarão o problema para segunda – e o ciclo se repetirá ad infinitum.

Estamos sem Internet há 95 horas, 43 minutos e 17 segundos. And couting…

Update, 18/11 — hoje, domingo, finalmente um técnico de carne e osso esteve aqui em casa. O problema foi resolvido em pouco tempo. Parece que o que aconteceu foi uma sucessão bizarra de acontecimentos – a falta de fios (se é que houve; veja explicação adiante) fez com que o modem do nosso computador parasse de responder (e continuasse assim, mesmo com o retorno da conexão). O técnico de nome de anjo que ligou aqui para casa na sexta-feira contribuiu para que terminássemos de desconfigurar completamente a conexão. Bastou reiniciar o modem (introduzindo um arame no buraco de reinicialização) para que o aparelho voltasse a funcionar (e por que não nos disseram sobre essa possibilidade por telefone, então?). Depois, foi preciso reconfigurar os endereços de IP e DNS (o tal do Gabriel tinha feito com que bagunçássemos tudo).

Quanto ao suposto furto de fios, de acordo com o técnico que esteve aqui, isso tem cara de desculpa esfarrapada dada pelo serviço de atendimento pelo telefone para se livrar de clientes insistentes (o que só corrobora com a idéia de que eles oferecem o pior serviço de atendimento do mundo — pelo menos por telefone).

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Ask 500 People

Quer saber alguma coisa? Pergunte a 500 pessoas espalhadas ao redor do mundo!

O Ask 500 People é uma ferramenta baseada na “sabedoria das multidões” (Surowiecki, 2004). A idéia é permitir que qualquer um faça uma enquete descentralizada em instantes. Você cria a pergunta, estabelece as opções de resposta, e, se a questão for considerada relevante pela comunidade, ela será feita a 500 100 pessoas (a versão beta é limitada a 100 respondentes) de todas as partes do mundo. E ainda é possível acompanhar, em tempo real, as respostas dadas, em um mashup construído sobre um Google Map.

E qual é a mágica por trás disso? A mesma pergunta é veiculada em 75.000 sites ao mesmo tempo, permitindo que se obtenha a resposta em poucos minutos.

Fiz uma pergunta teste ontem. Hoje pela manhã ela foi ao ar (recebi um e-mail avisando alguns minutos antes, para caso quisesse acompanhar a votação ao vivo) e o resultado pode ser conferido neste endereço.

A parte interessante é que os demais usuários do Ask 500 votam nas perguntas, para que elas sejam colocadas no ar (em um sistema de pontuação a la Digg). E eles também podem deixar comentários. Por exemplo, o usuário kkkkkrissss ressaltou o fato de que uma das alternativas para a minha pergunta era, na verdade, uma contradição total. (E pior que é mesmo!)

A pergunta

Let’s be honest: do you always tell the truth when answering online polls?

As alternativas, e respectivos resultados:

Yes, of course. Why would anybody lie on polls? (61 votos)
Um… most of the time. (33 votos)
Nope, I lie all the time. (6 votos) [eis o paradoxo da minha pergunta: alguém que efetivamente mente, irá sempre responder “sim, sempre digo a verdade”, o que faz com que os resultados da enquete percam qualquer relevância prática :P]

Distorções inevitáveis

Reparem no mapa [imagem que ilustra o post] que a esmagadora maioria das pessoas que responderam à pergunta estão localizadas na Europa ou na América do Norte. Há bem menos respostas provenientes da América do Sul, da Ásia, da Oceania ou da África.

Mesmo assim, com as devidas adaptações, a ferramenta pode se tornar interessante, inclusive para a prática do jornalismo.

E-mail 2.0

Qual é o futuro do e-mail? RSS, rede-socialização ou visual 3D bonitinho?

Segundo Brad Garlinghouse, do Yahoo!, o e-mail do futuro será capaz de identificar quais as mensagens são mais relevantes, com base nos seus hábitos de leitura. Além disso, os contatos terão cada vez mais características de perfis de redes sociais. Outros elementos de redes sociais que o e-mail do futuro do Yahoo! ainda poderá ter incluem lista de aniversários (útil, muito útil) e uma espécie de news feed a la Facebook (tipo aquele recurso tosco do Orkut com as últimas atualizações nos perfis de seus amigos). O ReadWriteWeb aposta ainda na possibilidade de se ver quem acessou seu perfil do e-mail por último (tipo o que faz o MyBlogLog, recentemente adquirido pelo Yahoo!; ou, trazendo a analogia para o universo Orkut, algo como aquela lista com os cinco últimos indivíduos que bisbilhotaram o seu perfil).

Uma outra opção é, literamente, mergulhar nos e-mails. O 3D Mailbox é uma mistura bizarra de e-mail com metaverso. E não é algo prometido para o futuro: existe e está em funcionamento. Com ele, você pode ler as novas mensagens à beira da piscina, e pode servir spams de alimento aos tubarões. Em uma segunda opção de metaverso, suas mensagens chegam em um aeroporto. Cada nova mensagem é um Boeing 747, e chega pelo portão de desembarque. E-mails com anexos vêm em aviões de carga. As mensagens que você redige saem pelo terminal de embarque. E os temíveis spams vão parar em uma pista paralela.

O interessante é que a gente usa tanto o e-mail, que nunca pára para pensar no que ele ainda pode ser melhorado. As mudanças anunciadas para o futuro vão um pouco além do que a “nova versão” do Gmail já faz. Cada vez mais as alterações irão além do que meras modificações de ordem estética, a caminho de transformarem os e-mails em ferramentas inteligentes.

Em tempo: será que o e-mail do futuro não vai “sofrer” do mesmo mal que os celulares? Assim como para um telefone o que importa é fazer ligações (e não tirar fotos, enviar videozinhos, escutar mp3 e acessar a Internet em qualquer hora e em qualquer lugar), um programa de e-mails ideal deve se basear, fundamentalmente, na possibilidade de enviar e receber, de maneira prática, dados e informações. O resto é frescura — mas tudo o que vier é lucro.

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Twitter Poster

O TwitterPoster é um mashup que procura posicionar as fotos dos usuários do Twitter em um ranking visual, no estilo de um pôster. Quanto maior o número de seguidores, mais alto no pôster aparece o indivíduo. Os usuários com o maior número de seguidores em uma determinada circunscrição geográfica aparecem com fotinhos maiores. O resultado é uma representação visual da Twittosfera, separada por países e regiões do mundo.

Na imagem/link acima, você pode conferir a representação visual da Twittosfera brasileira. Dentre as fotos maiores, destaque para CrisDias (primeiro brasileiro do Twitter) e Edney Interney (maior número total de seguidores no Brasil).

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Todo mundo quer ser jornalista

Jornalismo é o curso mais concorrido da Fuvest no vestibular de 2008, com 41,63 candidatos por vaga. Em segundo lugar, vem Publicidade e Propaganda, com 41,02. Cursos tradicionais como Medicina e Direito só aparecem mais adiante na lista (respectivamente, nas posições #5 e #17). Sinal dos tempos? Todos querem ser jornalistas cidadãos ou blogueiros?

Em tempo: em números absolutos, Medicina e Direito ainda lideram em número de candidatos. Mas sofreram considerável queda em relação ao ano passado. São 2.722 candidatos ao curso de Jornalismo – contra 12.341 em Medicina. A discrepância na relação candidato/vaga se dá porque o número de vagas para Jornalismo é muitas vezes menor que para Medicina. De qualquer modo, chama a atenção a quantidade de pessoas preferindo uma área até então pouco comum, como é o caso da Comunicação Social.

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Circulação da Folha

A Folha é o jornal de maior circulação do país. Segundo dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC) para setembro deste ano, são em média 307 mil exemplares diários. (Isso é considerado muito?) Produzir 307 mil exemplares não significa que apenas 307 mil pessoas leiam o jornal, até porque um mesmo jornal pode ser lido por mais de uma pessoa, por uma família inteira, e até por uma turma inteira de alunos (é mais ou menos o que acontece com a assinatura da Folha lá na ECOS). De qualquer modo, 307 mil parece um número baixo. Principalmente se se considerar que, em 1997, eram 530 mil exemplares, e, no ano 2000, 441 mil (ou seja, circulação em declínio). A tendência é mundial. Cai o número de leitores do impresso, aumentam os leitores do online. (Mas, se serve de consolo, o índice de circulação de impressos no Brasil despencou até 2004, e, desde então, tem tido uma lenta reabilitação, inclusive com crescimento, ainda que tímido).

Não encontrei índices de leitura de jornais online no Brasil. Mas, a título de comparação [tosca], o blog Pensar Enlouquece tem 1.945 assinantes via FeedBurner. O Cardoso tem 3.331 assinantes. Okay, mal chega a 1% do alcance da Folha, mas… é um número considerável, para uma mídia não massiva.

Essas e outras informações [exceto a comparação forçada com blogs] constam na reportagem sobre o perfil do leitor da Folha [também realizada em 1997 e 2000], publicada na edição de hoje da Folha de S. Paulo. A pesquisa Datafolha traz informações interessantes sobre os leitores do jornal – como o fato de que a maioria é assinante (91%), tem nível superior (68%) e pertence às classes A e B (90%).

Via Diagrama

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Prevaricação

Simplificando ao máximo, prevaricação é quando você usa o Orkut durante o horário de trabalho, ao invés de trabalhar.

De acordo com o Código Penal, prevaricação é “retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal” (art. 319). Como punição, o prevaricador pode receber pena de detenção de três meses a um ano, e multa.

Ou seja, se você passa horas no computador da repartição bisbilhotando a vida alheia no Orkut (pô, logo Orkut!), e, com isso, deixa de fazer algumas das atividades pelas quais o poder público lhe paga todo mês, você está cometendo um crime. E pode ser preso por isso.

Na verdade, a razão de ser desse crime é a de punir outras condutas bem mais malévolas, de quando um funcionário público falta com o cumprimento de um dever, ou então abusa no exercício de suas funções. Tipo quando um funcionário do cartório deixa de cumprir um prazo processual porque ficou tempo demais fazendo outras coisas que para ele pareciam mais importantes, como visitar perfis do Orkut, ler e responder e-mails, ou divertir-se em joguinhos online (okay, essa conduta não é tão malévola; mas causa prejuízo ao particular, na medida em que o funcionário público que deveria ter feito um determinado ato não o fez, para satisfazer interesses pessoais; embora seja discutível que o mero comodismo seja suficiente para preencher o elemento subjetivo da prevaricação).

Dentro da turminha dos crimes contra a administração pública (e que, portanto, só podem ser cometidos por funcionários públicos, embora se admita concurso de agentes entre funcionário e não funcionário), há outros crimes de nomes bizarros, como peculato (apropriar-se de um bem público – tipo, levar o computador do escritório pra casa) e concussão (exigir vantagem indevida – tipo, pedir uns trocados por fora para fazer uma tarefa que de qualquer modo deveria ser feita).

Aplicações na vida prática:

– Pare de prevaricar e vá logo estudar!

– Prevariquei demais e não fiz o trabalho de Geografia; como resultado, fiquei com zero.

E ao invés de estudar, estou aqui, prevaricando…

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Você pode fazer melhor que isso

“Você pode fazer melhor que isso” foi o mote da 15ª edição do Caça-Talentos (festival interno de laboratório da Escola de Comunicação Social da UCPel). Esta edição marcou a retomada do evento após um ano sem realização do concurso. Para inovar, os trabalhos ficaram expostos durante os quatro dias da Semana Integrada da Comunicação – ou seja, além de concorrer, os alunos tinham que dar a cara a tapa e deixar suas fotos, textos, produtos gráficos ou vídeos em exibição para os demais alunos da ECOS.

Ao todo, foram mais de 300 trabalhos inscritos, em 9 categorias e 70 subcategorias. Nem todas as subcategorias tiveram trabalhos inscritos (notavelmente, a categoria de Relações Públicas foi a que menos teve inscritos em suas subcategorias – o motivo: praticamente não há mais alunos de RP na faculdade, já que o curso foi extinto), mas as que tiveram, contaram com, em média, 3 trabalhos inscritos. O top top foi a subcategoria de Reportagem Impressa (categoria Jornalismo), com mais de 70 matérias inscritas. No outro extremo, subcategorias como Editorial de Moda (categoria Moda) e Pesquisa de Opinião (categoria Relações Públicas) tiveram apenas um inscrito.

Sexta-feira, após a premiação, os integrantes da equipe de apoio do evento ficaram discutindo se fazia sentido ou não o troféu da premiação [uma versão em madeira do bonequinho usado na divulgação do evento] vir com a frase “Você pode fazer melhor que isso”. Alguns disseram que deveria vir com a frase “Você fez melhor que isso”, e o problema lógico estaria resolvido. Mas, espera aí, só porque o aluno foi premiado em um festival interno de laboratório, isso por si só já significa que ele deu o melhor de si e fez o melhor trabalho do mundo? Pouco provável, não? Portanto, “você [ainda] pode fazer melhor que isso” é uma frase bastante apropriada para o troféu. Afinal, a idéia do prêmio não é a de servir de estímulo para que o aluno faça ainda melhor da próxima vez – e não para ratificar a idéia de que ele já fez o melhor possível?

Esta edição do evento teve várias falhas, em especial em termos de regulamento. Muitos trabalhos foram desclassificados por faltar requisitos formais, outros tantos deixaram de ser inscritos por falta de uma categoria adequada. Também houve falhas estruturais que fugiram do nosso controle, como a chuva que tomou conta do ginásio [local de realização da cerimônia de encerramento] e por pouco não colocou [literalmente] por água abaixo a exposição. Mas esses problemas ficam como lição para a próxima edição do evento. Mais legal do que participar (e levar dois prêmios coletivos), foi integrar a equipe de apoio e ver uma simples idéia se transformar em um [relativamente] grande evento. E, com certeza, ainda dá para fazer muito melhor que isso!

Em tempo: fiquei imaginando como seria um festival de laboratório no curso de Direito. Várias peças jurídicas expostas. Prêmios para melhor Recurso (subcategorias Agravo e Apelação), melhor Petição Inicial (Penal, Cível e Trabalhista), melhor Contestação, melhor Lei em Tese, melhor Parecer e melhor Defesa Oral (subcategoria especial para os metidos a advogado, para aqueles colegas que vão à aula de terno só para parecerem mais inteligentes). Chato, muito chato.

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O que é jornalismo?

Estou em busca de uma definição de jornalismo que contemple o que se faz/o que se pode fazer no Twitter. Basicamente, é preciso partir da idéia de que o jornalismo é uma prática, e não um produto; de que é uma forma de agir diante dos fatos, e não necessariamente algo que advém da qualidade intrínseca a um determinado ser humano (ou seja: não só jornalistas podem fazer jornalismo; e basta haver fato novo, que se estará diante de jornalismo).

De acordo com a Wikipedia, o “Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações”. Opa. Uma leitura apressada permite concluir que apenas jornalistas profissionais fazem jornalismo (“atividade profissional”). E os blogueiros, e os cidadãos repórteres, e todo o resto? O que eles fazem? “Blogam”? Alguém que envia atualizações sobre os incêndios na Califórnia no Twitter, faz o quê? “Twitta?”

Mais adiante, no mesmo “verbete”, a massa de anônimos do wiki faz a ressalva de que “Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais”. E nesse caso, é preciso ser jornalista profissional? Ou qualquer um que colete, redija, edite e publique dados sobre fatos atuais exerce jornalismo? E se o evento não necessariamente for atual, permanece sendo jornalismo??? Não bastaria que o fato contivesse a idéia de ‘novo’ no sentido de que aquele fato, daquela forma, pelo menos naquele veículo, ainda não foi transmitido?

Não dá para simplesmente definir o jornalismo pela linguagem, pelo caráter de novidade, independente de quem escreva, e independente de onde se veicule (desde que haja uma publicidade, ou potencial de publicização, mínima – como nos blogs)? É realmente preciso ser jornalista para fazer jornalismo, ou basta haver coleta, redação, edição e publicação, como na segunda parte da definição da Wikipedia? E, nesses casos, uma pessoa comum (não-jornalista; embora isso não queira dizer que os jornalistas sejam especiais, ou estejam em uma categoria superior) que reporta fatos em seu blog – ou, pior, em um microblog – pode, efetivamente, fazer jornalismo?

Ou, como disse Paul Bradshaw, referindo-se ao jornalismo cidadão, por que importa tanto se a gente chama isso ou não de jornalismo?

Talvez seja mais fácil admitir que a complexidade e mutabilidade do jornalismo não cabem em uma definição estática e simplista

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