All posts by Gabriela Zago

Notícia online

Pirâmide invertida, pirâmide deitada, news diamond… afinal, qual o modelo ideal para uma notícia na internet? Há, de fato, um modelo ideal, ou seria possível lidar com uma verdadeira multiplicidade de opções – algo como… cada tipo de fato requeriria um tipo de texto, que, por sua vez, seguiria um modelo diferente?

A idéia do news diamond parece interessante. E ainda inclui o Twitter (ali no topo, no ‘Alert’, como primeiro passo de uma notícia na internet).

(Via André Deak. Via GJol. Via Online Journalism Blog)

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Jornalismo wiki e o futuro do jornalismo online

Há algum tempo atrás, Paul Bradshaw, do Online Journalism Blog, iniciou uma página em formato wiki para escrever um artigo sobre jornalismo wiki. No dia 13 de setembro, o resultado final foi apresentado na Future of Newspaper Conference, na Cardiff University, Inglaterra. O artigo delinea as principais possibilidades de utilização da ferramenta wiki para a produção jornalística (com ou sem a participação dos leitores).

Aproveitando o assunto, fiz algumas perguntas por e-mail para autor, sobre jornalismo wiki e o futuro do jornalismo online, em uma entrevista para a disciplina de Jornalismo Digital. O resultado pode ser conferido no meu blog de aula (em português), ou no próprio blog de Paul Bradshaw (em inglês).

Em tempo: normalmente, uma jornalista de verdade não precisaria pedir isso… mas… se alguém notar algum deslize grave na tradução, favor noticiá-lo via comentário. É a primeira vez que tento fazer algo do tipo, e erros costumam fazer parte do processo de aprendizagem 🙂

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Zero Hora

Da Zero Hora de hoje, página 36:

– Não é a primeira vez que fazem uma barbaridade dessas. Meu marido e meus filhos também têm moto, poderia ter sido eles – alerta uma moradora que pede para ser identificada

Desculpem o post meio Verdade Absoluta, mas…
Por favor, alguém identifica a moça! Coitada, ela está perdida e não sabe quem é. Deve ter ficado transtornada com a história do motociclista degolado.

(Não me perguntem o que eu estava fazendo lendo a página policial da Zero Hora de domingo; mas é interessante notar que os erros de supressão de palavras não acontecem só no jornalismo online)

Falando em jornalismo online… A Zero Hora irá lançar uma nova versão online na quarta-feira. A estratégia faz parte da comemoração dos 50 anos do Grupo RBS. Dentre as novidades anunciadas, estão notícias em tempo real e espaços para a participação dos usuários. (Finalmente a ZH vai sair do modelo transpositivo!). Só não precisavam fazer tanto suspense, substituindo a página tradicional do site por um contador no estilo “nós vamos mudar o mundo”. A roda já foi inventada. Sites mudam todos os dias.

Update – 20/09 – hora de morder a língua e fazer a mea culpa – o resultado final do novo site da ZH é realmente muito interessante. E também não deixa de surpreender o fato de que se trata de um jornal online de uma empresa jornalística que fica fora do eixo Rio-São Paulo. No máximo, talvez eles tenham exagerado um pouco nos espaços em branco (essa é uma nova tendência feliz para o design de páginas na web?) – falta uma cor marcante e que chame a atenção.

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Leitores (não) sabem escolher notícias

Um estudo do Project of Excellence in Journalism (PEJ) comparou, durante uma semana, o agendamento de notícias em sites em que os usuários podem escolher o que irá receber destaque, e na mídia tradicional. Os resultados apontam que as informações encontradas em um e outro lugar tendem a ser diferentes.

A pesquisa levou em conta as notícias veiculadas na semana entre 24 e 27 de junho de 2007, nos sites Del.icio.us, Digg, Reddit (conteúdo gerado por usuários), Yahoo! News (nas categorias mais vistas, mais enviadas por e-mail e mais recomendadas) e nos jornais normalmente analisados pelo PEJ. Na semana em recorte, observou-se que a mídia tradicional focou em assuntos de interesse público, em áreas como política, ou internacional, ao passo que os sites de conteúdo gerado por usuário focaram-se em novidades tecnológicas e científicas (como o lançamento do iPhone) e em trivialidades (como imagens de frutas e legumes comendo-se uns aos outros).

De acordo com o estudo, ainda,

“In short, the user-news agenda, at least in this one-week snapshot, was more diverse, yet also more fragmented and transitory than that of the mainstream news media”

Sim. Os resultados apontam que, se se deixar tudo nas mãos dos usuários, a audiência emburrece. Essa é mais ou menos a conclusão a que chega Nicholas Carr, ao comentar o estudo em seu blog:

“When you replace professional editors with a crowd or a social network, you actually end up accelerating the dumbing-down of news. News becomes a stream of junk-food-like morsels. The people formerly known as the audience may turn out to be the people formerly known as informed”

Algumas considerações:

– Se o público prefere outras coisas, diferentes das tratadas na grande mídia, será que isso não poderia significar que a mídia é quem está errada?

– O fato de que o público não sabe escolher, significa que a mediação jornalística continuará necessária, talvez não tanto na geração de conteúdo, mas pelo menos na questão de selecionar o que é relevante? (Entretanto: relevante para quem???)

– Não é absolutamente normal que tenha predominado contribuições sobre tecnologia em sites como del.icio.us e digg, cujos públicos são formados, em sua maioria, por geeks?

– Qual seria a necessidade de haver agregadores de notícias controlados por usuários se fosse apenas para reproduzir o conteúdo da grande mídia?

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Vergonha nacional

Ainda não comentei nada sobre a recente vergonha nacional. Passados alguns dias, não tem lá muita graça discorrer sobre os números discrepantes da votação secreta (40 votaram contra, 35 a favor, 6 abstiveram-se, sendo que 41 bastariam para cassar Renan; 41 também é o número dos que afirmaram terem votado a favor da cassação – o que nos leva a duas saídas: permanecer na ingenuidade e aceitar que talvez tenha havido fraude no sistema de votação, ou então constatar a triste realidade política do país – pelo menos 6 senadores mentiram).

Eu poderia ficar horas enumerando históricas coincidências que envolvam o número 40. Ali Babá tinha 40 ladrões. 40 é também o número de mensaleiros indiciados. Mas tudo isso já foi feito blogosfera afora.

Também dava para falar dessa interessante Google bomb iniciada por dois blogs ao mesmo tempo e que foi parar até na mídia, demonstrando o quanto uma rede descentralizada pode se reunir a partir dos extremos para interferir no centro (mas então por que não houve uma mobilização massiva antes da votação?).

Também daria para falar de pizzas (afinal, tudo acaba em pizza mesmo), narizes de palhaço, descrédito com as instituições públicas, situações de embaraço, e tudo o mais que nos levou a essa triste sensação de desilusão coletiva.

Mas não tenho legitimidade para isso. Demonstrar um pseudo-simulacro de consciência política quatro dias depois é o mesmo que nada. (Ainda mais vindo de alguém que não lembra em quem votou para senador na eleição passada…).

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Em busca de idéias

Preciso urgentemente ter idéias! O normal é que elas apareçam sem ter que procurá-las. Elas costumam brotar assim, do nada, espontaneamente. (Na verdade, não é bem do nada. Elas precisam de todo um contexto especial para surgirem. Um contexto que propicie que elas surjam, ao menos aparentemente, a partir do nada. Um contexto em que não seja preciso se preocupar com nada, para que o nada gere idéias – uma mente livre de preocupações consegue ter idéias; sob pressão, não criamos, apenas reproduzimos técnicas repetidas). Quando menos se espera, eis que surge uma idéia.

Lembro de um desenho que vi muito tempo atrás (algo como 2003) no Canal Futura (nos tempos em que eu ainda assistia televisão, em que eu ainda acreditava no potencial pedagógico dos meios), no qual as idéias (graficamente representadas pela letra “i”) continham apenas uma perna. A idéia era simples. Sozinhas, as idéias não conseguiam andar. Mas apoiadas em pessoas que decidissem levá-las adiante, as idéias iam longe.

Estou disposta a apoiar uma idéia, a dar suporte a várias idéias ao mesmo tempo. O problema atual é um pouquinho mais pontual. O problema é: como ter idéias?

Mas não é qualquer idéia que me satisfaz. Tem que ser uma idéia da qual se possa participar de todo o processo criativo de gestação. Do estalo inicial à execução. Do brainstorming acidental ao elogio ou à decepção final. Posso até me sentir frustrada depois, mas o importante é que seja uma idéia própria. Uma idéia minha. Algo que, tanto faz que dê certo ou errado ao final, mas que me faça querer ir até o fim.

Alguma idéia de como conseguir isso?

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Meme no Twitter?

Hoje faz seis anos que dois aviões se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade Center e mudaram o mundo. Em uma data tão estigmatizada como essa, fica difícil não lembrar o que acontecia há seis anos atrás com a gente e com o mundo.

E foi assim, de forma mais ou menos caótica, mas organizada, que hoje, seis anos depois da tragédia do WTC, muita gente decidiu atualizar o Twitter com uma frase curta que sintetizasse o que estava fazendo há seis anos atrás. Fica a pergunta: Seria esse o primeiro grande meme do Twitter?

(Via Interney)

Em tempo: participei também, mesmo sem querer, tal é o poder dos memes… 😛

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Explorando o Twitter

O Twitter é um microblog. Um microblog é uma ferramenta que permite atualizações rápidas e curtas, e, se possível, a partir de uma multiplicidade de suportes diferentes (é possível atualizar o Twitter, por exemplo, pela web, por IM, ou até mesmo pelo celular – por SMS ou Internet móvel). Há outras ferramentas de microblog por aí, como o Pownce e o Jaiku (o que mais se assemelha ao modelo do Twitter), mas o interessante do Twitter é a limitação de espaço. As micropostagens não podem ultrapassar 140 caracteres (é o mesmo tamanho máximo para o envio de uma mensagem de celular por SMS).

Há ainda o Tumblr, que tem um formato interessante, e permite não apenas textos, mas também imagens, fotos, citações, diálogos, links e vídeos. Mas, dada a multiplicidade de formatos que aceita, o Tumblr se situaria na verdade em uma categoria intermediária entre blogs e microblogs (os tumblelogs).


busca comparada por quatro microblogs via Google Trends.

O Twitter existe desde o ano passado. Criado em março de 2006 e tornado público em agosto do mesmo ano pela Obvious, o Twitter teve um crescimento rápido ao redor do mundo. No Brasil, o hype só foi começar mesmo lá por meados de agosto de 2007. Foi em agosto também que surgiu o primeiro ranking para mapear o crescimento e a popularização dos usuários em língua portuguesa.

O que se pode fazer com o Twitter

A idéia original do Twitter é a de se postar o que se está fazendo no momento. O tamanho reduzido da postagem aliado à multiplicadade de modos de se poder atualizar poderia levar a uma prática que beirasse ao voyeurismo. Poderia. Entretanto, a parte mais legal do Twitter é o fato de que seus usuários têm se apropriado da ferramenta para fazer usos interessantes do sistema. E um desses exemplos é o uso do Twitter como ferramenta jornalística.

Desde o final de agosto, está no ar o ReporTwitters, um site dedicado a jornalistas que queiram utilizar o Twitter como ferramenta de trabalho. A idéia é mostrar os bastidores da produção da notícia através do Twitter, ou então usar o próprio Twitter como meio para encontrar e entrevistar fontes espalhadas pelo mundo.

vários outros usos possíveis para o Twitter, como usá-lo para fazer a cobertura ao vivo de um evento, para notícias, para falar sobre si mesmo (a proposta inicial), para comunicação entre integrantes de um grupo de trabalho, para escrever uma história de ficção experimental em trechos de 140 caracteres, para fazer perguntas (embora os demais twitters tenham a tendência a crer que toda e qualquer pergunta é meramente retórica), como um miniblog genérico (dá até para postar links, cujas URLs são automaticamente compactadas por serviços terceirizados como o TinyURL)… enfim, há uma infinidade de possibilidades. E todas elas requerem uma mega readaptação por parte do usuário ainda não acostumado a reduzir frases e idéias complexas a míseros 140 caracteres.

Um uso interessante possível para o Twitter é estabelecer diálogos coletivos de modo assíncrono. Para isso, basta colocar uma @ antes do nome do usuário para quem se quer dirigir uma determinada atualização, e essa pessoa será notificada da nova mensagem.

Assim, embora na prática não haja a possibilidade de se adicionar comentários a uma determinada postagem – como nos blogs -, o Twitter consegue manter a possibilidade de conversação entre indivíduos a partir do envio de mensagens direcionadas.

Indo além do próprio Twitter

O Twitter tem a plataforma aberta, o que significa que qualquer um pode utilizar o código do sistema para buscar usos criativos. Há uma infinidade de sites e programas derivados do Twitter. Um exemplo é o TwitterDigest, que permite criar feeds de periodicidade diária a partir das atualizações de um número limitado de pessoas. Há também o Twittervision, que se propõe a situar as últimas atualizações ao redor do mundo em um mapa mundi. É possível até mesmo programar o Twitter para lembrá-lo de fazer alguma coisa importante, como se fosse um serviço de timer.

(Alguns aplicativos que surgem acabam sendo um tanto inúteis, como o Twitter Comic Book, que mistura as atualizações do Twitter de uma determinada pessoa com fotos aleatórias encontradas via Flickr)

Dentre os recursos do próprio Twitter, é possível obter uma interessante visualização em 3D de suas atualizações em conjunto com a de seus amigos e amigos dos amigos através do Explore Twitter.

O site ainda não tem uma versão em português. Mas há o Gozub, um microblog totalmente brasileiro. A cópia é tão descarada que a frase-mote do site brasileiro é “O que você está fazendo?”. O Gozub também adota a terminologia de “seguidores” e “seguidos”. Enfim, é praticamente uma versão brasileira do Twitter. Mas com funcionamento independente, o que contribui para que constitua apenas um gueto, na sua maioria de jovens com idade inferior a 18 anos.

Já o jornal 20minutos, da Espanha, resolveu ser feliz ao extremo e criar seu próprio serviço de micropostagens – limitado a 150 caracteres e com grandes semelhanças com o Twitter.

Explorando ao máximo sem sair do próprio Twitter

É fundamental aprender bem as regras de funcionamento do site para poder explorar o Twitter ao máximo. Os comandos são simples, e podem ser usados a partir do celular, de um programa de mensagens instantâneas (como o Google Talk), ou pela web. Para acessar na web do celular, basta apontar o navegador para m.twitter.com. SMS e IM podem ser configurados a partir do site do Twitter. Por enquanto, ainda não há um número de SMS no Brasil para fazer as atualizações, o que acaba encarecendo um pouco o uso do Twitter por essa via.

Enfim, talvez o Twitter não seja o microblog mais eficiente que existe. O próprio Pownce apresenta bem mais utilidade. Além de
postagens curtas (e não tão limitadas em tamanho quanto no Twitter) também é possível administrar uma rede de contatos e enviar e receber arquivos (de até 10Mb) pelo Pownce. Mas o diferencial do Twitter é o público… E o uso criativo que essas pessoas fazem da ferramenta.

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Monetização de blogs

Minha contribuição à campanha de monetização de blogs:

Impression, soleil levant, de Claude Monet. 1873. 48 x 63 cm. Óleo sobre tela. Representa o nascer do sol no porto de Havre. Atualmente exposta no Museu Marmottan, em Paris. A pintura deu origem ao nome do movimento impressionista.

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Novidades sutis no Orkut e no Google Reader

Quer saber quando seus amigos atualizam seus perfis no Orkut sem ter que se dar ao trabalho de abrir página por página? Agora é possível! O recurso é meio Facebook, mas não deixa de ser interessante. O Google Reader também apareceu hoje com algumas mudanças sutis, como mostrar o total de feeds não lidos. Era menos assustador abrir e ver “100+” ao invés de “857” na quantidade de novos itens…

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