ou… “tome cuidado com o que você diz por aí”.
O general Maximiliano Hernández Martínez teria afirmado uma certa vez que “É um crime maior matar uma formiga que um homem, porque o homem reencarna, ao passo que a formiga morre definitivamente”. A frase pode ser perfeitamente lógica, mas seu conteúdo é um absurdo. Para entendê-la melhor, é preciso analisar o contexto histórico em que foi proferida (e também o que passava pela cabeça do maluco que disse isso).
Martínez foi ditador de El Salvador no período entre 1931 e 1944. Seu governo foi marcado por atitudes sangüinárias de extermínio, em especial relacionadas ao racismo (índios, negros e palestinos). Argumentar que o homem reencarna certamente é um bom caminho para justificar uma mortandade massiva. Mas, apesar de sacrificar vidas humanas, o general respeitava um monte a natureza e os outros animais. Martínez era um teósofo. A Teosofia é uma espécie de saber que procura estabelecer uma relação entre Filosofia, Religião e Ciência. Segundo o site da Sociedade Teosófica do Brasil, a teosofia não é nem um credo, nem uma religião – embora tenha servido como embasamento para a criação de algumas correntes, como os movimentos Wicca e New Age. A partir disso, também é possível entender outra pérola proferida pelo ditador, “É bom que as crianças andem descalças. Assim recebem melhor os eflúvios benéficos do planeta, as vibrações da terra. As plantas e os animais não usam sapatos”, em resposta a uma oferta de doação de sapatos a alunos carentes de escolas públicas em seu país.
Também não dá para se basear apenas nisso e achar que o cara era completamente maluco. Afinal, ele também disse que não acreditava na história, porque “A história é feita pelos homens e cada homem tem sua paixão favorável ou desfavorável”.
A frase das formigas é citada no livro “As veias abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano. Galeano se refere a Martínez como “un brujo vegetariano y teósofo”, e enumera algumas outras de suas maluquices, como o costume de enviar notas de condolências aos pais de suas vítimas, ou o relógio de pêndulo que usava para sinalizar se sua comida estava ou não envenenada.
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