All posts by Gabriela Zago

Lista de feeds em OPML

Fiz algumas modificações básicas no blogroll (tirei links, incluí links, voltei para o ‘modo manual’) e já aproveitei e acrescentei um pedaço da minha lista de feeds em um arquivo OPML. Ainda falta incluir e categorizar vááários blogs, mas já é um começo. Para alguém que até três dias atrás não tinha nem idéia do que era OPML, até que isso foi um grande avanço.
(Para entender o que é OPML e como disponibilizar sua lista de feeds em um blog, leia este post do Donizetti)

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O Complô

Hoje, ao assistir ao filme “Teoria da Conspiração“, não pude deixar de me lembrar d’O Complô.
Mas e o que é, afinal, O Complô?
Todo mundo sabe o que é O Complô, mas ninguém admite que sabe. O Complô é algo que está em todos os lugares, ao mesmo tempo em que não está em lugar algum. Sempre que algo dá errado, é culpa d’O Complô. Sempre que algo dá certo, também é culpa d’O Complô – porque tudo, absolutamente tudo o que acontece, só acontece porque houve intervenção d’O Complô.
A única maneira de escapar d’O Complô é estar alerta o tempo inteiro para escapar de suas artimanhas. Mas todo mundo sabe (O Complô adora generalizações) que é impossível manter a consciência o tempo todo. Daí então é só baixar a guarda minimamente e O Complô age.
Quando você vai mal na escola, mesmo tendo estudado muito, é culpa d’O Complô. Quando seu chefe pega no seu pé sem motivo (aparente – porque, para O Complô, tudo tem um motivo, embora nem sempre esse motivo seja óbvio), é culpa d’O Complô. Quando você finalmente consegue convencer alguém a sair no final de semana, também é culpa d’O Complô. Basicamente, tudo o que acontece de inusual ou diferente em nossas vidas é culpa d’O Complô. As coisas rotineiras também são obra d’O Complô, mas elas não são percebidas tão facilmente, justamente por já fazerem parte de nossa rotina.
O Complô é também conhecido por outros nomes, inclusive com desdobramentos, como nas Leis de Murphy, ou na expressão clássica de mea culpa, geralmente proferida após ter acontecido algo que seja ou não obra d’O Complô: “isso só podia acontecer comigo”.

Em tempo: será O Complô o elemento impeditivo para que se construa uma máquina do tempo? (mas, do mesmo modo, se eu tiver consciência de que ele é o motivo, então, automaticamente, ele deixa de ser o motivo?)

Não adianta. Não tem como fazer posts sérios durante as férias 😛

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Post-comentário

A Tina, do Universo Anárquico, fez um post sobre o aniversário dela. Empolguei-me com o assunto e fiz um comentário gigantesco sobre a passagem do tempo. Praticamente um post dentro do comentário. Para não perder o “fio da meada”, resolvi reproduzir minhas palavras aqui, transformando o comentário em um post de verdade.

Então, falemos sobre aniversário…
É importante comemorar a data e tudo o mais, pois assinala a passagem do tempo. Mas, mesmo assim, acho um pouco estranho o fato de que a gente admite a falsa-linearidade do tempo a tal ponto que, de um dia para o outro, da noite para o dia, passamos a ter outra idade. É como se o tempo passasse de repente, como se a nossa idade mudasse do nada, quando, na verdade, estamos ‘crescendo’, ‘envelhecendo’ a cada dia.
Temos uma idade em número absoluto, dedicamos um certo tempo para nos acostumarmos à idéia de que essa é a nossa idade, internalizamos o número a tal ponto que conseguimos responder com prontidão e quase sem pensar à pergunta “Qual a sua idade?” em um formulário qualquer proveniente da burocracia do mundo. Daí, sem mais nem menos, chega um determinado dia do ano a partir do qual todo o esforço em decorar a nossa idade simplesmente é perdido. Passamos a ter uma nova idade e a ter de decorar um novo número.
O aniversário assinala a data dessa mudança de idade. Mas talvez a mudança não fosse assim tão sem sentido se já tivéssemos a cultura de contar a idade não por dezenas exatas, mas com números quebrados. Algo como ter 31,5 anos, ou 57,8. Ou se, ao invés de medir o tempo por anos, contássemos a nossa idade por conhecimeto adquirido, ou por vivências e experiências. Ou talvez a idade pudesse ser medida por estado de espírito. Ou até mesmo a partir de uma média ponderada entre a idade física e a idade do espírito (com peso maior para a idade que sentimos ter; não importa muito o tempo vivido – este só serve de baliza para termos a noção de há quanto tempo estamos vivos).

Update 12/07 – a Tina também transformou o comentário em post.

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A desgraça alheia ’empacotada’ como espetáculo para as massas

E o que eu tenho a ver com um ex-síndico que matou o morador de um prédio há 8 anos atrás? É incrível como a mídia (em especial, a televisiva) consegue transformar todo julgamento em espetáculo. A parte interessante é que isso só acontece com crimes bárbaros. Principalmente quando há registro de imagens.
Crimes bárbaros são bastante telegênicos, mesmo que as imagens que se tenha não sejam nada nítidas.

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Orkut 2.0

Dentro do fenômeno de pipocação de novas redes sociais, dois novos serviços estariam sendo gestados.
O primeiro vem do Google, que patrocinou um projeto de criação de uma página que integrasse várias ferramentas em um só local, ao mesmo tempo que permitisse interação entre os usuários. — Mas, espera aí, o Google já não tem o Orkut?
O Yahoo também teria planos de lançar uma nova rede social (embora já tenha o 360°).
Resta saber se as pessoas terão tempo de conviver com tantas ferramentas de comunicação digital ao mesmo tempo.

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Diálogo na veterinária

Diálogo na veterinária hoje à tarde:

– Como é a primeira vez que você traz sua cachorrinha aqui, precisamos fazer uma ficha para ela.
– Ah, tudo bem.
– Nome?
– Gaby. Com ípsilon.
– E o seu nome?
– O meu nome? Er. Ahm. É…
[minha irmã intervém na conversa]
– Gabriela.
[olhar bizarro da atendente]

O que não gosto nessas situações é que geralmente não me dão a oportunidade de explicar que o cachorro já veio “de fábrica” com esse nome (compramos ela com 6 meses, e trocar de nome nessa idade seria uma crueldade com o bichinho). E que a Gaby tecnicamente não pertence a mim.
É por essas e outras que odeio quando a Gaby troca de pet shop.
Talvez eu devesse pensar em um nome alternativo para dar quando levo a cã a esses lugares. “Caqui”? “Babi”? “Aqui”? (Alguma sugestão de algo mais que rime com Gaby? :P)

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Para entender a polêmica do Ziraldo

ou… “como transformar um assunto polêmico em meme” 😛

Siga os passos:
1) Assista ao vídeo
2) Indigne-se à toa
3) Acompanhe a explicação no Contraditorium
4) Volte a gostar de um de seus autores preferidos na infância

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Muito entusiasmo, pouco uso

Este texto publicado por Clay Shirky no blog Many2Many em dezembro de 2006 (e republicado em português na revista Trópico em maio) sugere que os números de acesso ao Second Life esconderiam um dado fundamental: a taxa de desistência de uso do software é muito grande. Pelo que Shirky diz, as pessoas entrariam no Second Life movidas pela curiosidade, apenas para ver como funciona. Entretanto, a maioria não retorna. Assim, mesmo que realmente tenha havido 1 milhão de acessos nos últimos 60 dias, isso significaria muito pouco em termos práticos, na medida em que mais de 70% desses usuários jamais voltarão ao Second Life.

There’s nothing wrong with a service that appeals to tens of thousands of people, but in a billion-person internet, that population is also a rounding error. If most of the people who try Second Life bail (and they do), we should adopt a considerably more skeptical attitude about proclamations that the oft-delayed Virtual Worlds revolution has now arrived.

No post, Shirky ainda discorre acerca do fato de que o Second Life não seria de fato um ambiente virtual totalmente inovador, na medida em que busca inspiração em outras comunidades virtuais preexistentes. Enfim, vale a pena ler o texto completo.

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The New7Wonders

Ontem, dia 07-07-07, foram anunciadas em Lisboa as 7 novas maravilhas do mundo. A votação foi feita durante vários meses pela Internet e por telefone. Qualquer um poderia votar pela Internet, bastando que, para isso, fornecesse alguns dados simples, como país e e-mail (e também era preciso confirmar a validade do e-mail).

Como Lynz já havia ressaltado em seu blog, esse sistema de votação era um tanto tendencioso:

“La verdad es que todo esto me parece un cachondeo y bastante poco serio, ya que una misma persona puede efectuar muchos votos mientras pague por ello. No me parece justo. Al final, resultará que las 7 maravillas del mundo moderno estarán en función del país que más dinero se haya gastado en los votos y no en funciópn del valor real que tienen estas magníficas obras patrimonio de la humanidad”

No Brasil, houve uma campanha massiva em prol do Cristo Redentor. Algo como: “veja, temos uma candidata a nova maravilha do mundo, então vamos votar para estimular o turismo no lindo e nada-violento Rio de Janeiro”. Isso talvez seja uma verdadeira política narcisística, uma vez que as campanhas pró-Cristo tentavam convencer as pessoas a votarem no monumento apenas sob o argumento da territorialidade. (Mas será que as outras candidatas, algumas mais antigas, outras mais belas, não mereceriam em iguais condições o título de maravilhas do mundo?)

Além do Cristo, outras seis atrações mundiais receberam o título de “novas 7 maravilhas do mundo”. É possível conferir a lista completa no site. Na minha humilde opinião (de alguém que não conhece ao vivo nenhuma das candidatas), a torre Eiffel não deveria ter ficado de fora. Nem as estátuas da Ilha de Páscoa. Mas talvez para isso fosse preciso aumentar a lista para bem mais que apenas sete itens.

Em tempo: já começou o período de indicações de candidatas para as novas 7 maravilhas da natureza.

Confira também a lista original das sete maravilhas do mundo.

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Filme: Um Crime de Mestre

No filme “Um Crime de Mestre” (Fracture, 2007), Hannibal, digo, Anthony Hopkins, interpreta Dr. Lecter, digo, Ted Crawford, um homem que descobre que sua mulher tem um amante. Para resolver o problema, Ted decide matar sua esposa quando ela chega em casa logo após ter se encontrado com o amante. Não, eu não estou estragando o final da história. Isso acontece logo nos primeiros 15 minutos de filme. O principal da história não é o tiro deferido contra a mulher, mas a tentativa de condenar Ted pelo crime.

Como em todo julgamento teatralizado norte-americano, há aspectos processuais penais interessantes que são destacados pelo filme. Primeiro, Ted abre mão de ser representado por advogado ou defensor público. Aparentemete, lá nos EUA isso é permitido. Mas não tente parecer cool fazendo isso no Brasil. Por aqui, só é permitida a auto-representação se a pessoa tiver número de registro na OAB. Ou seja, só pode abrir mão de constituir advogado ou de ser representado por defensor público quem já é advogado. Mas como lá isso é permitido, Ted vai em frente e tenta se defender sozinho.

O filme passa uma certa inquietação no telespectador, porque o tempo todo nós sabemos que Ted realmente deu um tiro em sua esposa (a cena é mostrada em todos os seus detalhes, e não há como contestar que foi ele mesmo quem atirou). Mesmo assim, aos poucos vamos percebendo a audácia dos planos de Ted. Seu objetivo é conseguir a absolvição a partir de aspectos meramente processuais: ninguém tem provas de que ele realmente atirou contra sua mulher, uma vez que a perícia constatou que o revólver encontrado na cena do crime não havia sido disparado em nenhum momento.

Inicialmente, a única prova que se tinha era uma confissão assinada por Ted a partir de um depoimento tomado logo após a chegada da polícia em sua residência. O detalhe é que o policial que atendeu a ocorrência era o amante da mulher de Ted (isso também é revelado nos primeiros minutos do fime; não estou estragando o final da história :P), o que abriu caminho para que Ted alegasse no julgamento que o depoimento fora tomado sob forte coação moral. Ora, uma prova tomada de forma coercitiva é considerada uma prova ilícita, e não é admitida em Direito (esse mesmo princípio é aplicado a escutas telefônicas não autorizadas pela Justiça). E, pela teoria da árvore dos frutos podres (fruits of a poisonous tree), uma prova ilícita contamina todas as demais, invalidando todo o argumento de defesa ou acusação que se baseie em tais provas. Assim, mesmo a prova mais cabal possível (a própria confissão do criminoso) não possui valor algum em termos processuais por ter sido obtida de forma inválida, o que praticamente inviabilizaria a condenação de Ted, pelo menos até que se encontrasse a verdadeira arma do crime, ou alguma outra prova igualmente eficaz.

Mas Willy Beachum (Ryan Gosling), o jovem promotor público designado para o caso, que tem um índice de 97% de condenações, não vai desistir enquanto não conseguir desvendar o mistério desse crime.

Outro aspecto processual penal ressaltado é a proibição de duplicidade de acusação (o que tem a ver com a teoria da coisa julgada) e a idéia de que não se pode modificar o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, mesmo que elementos novos sejam descobertos depois. Em nome da segurança jurídica, o mesmo fato não pode ser julgado duas vezes. Mas melhor não entrar em detalhes, sob pena de, aí sim, estragar um dos aspectos mais interessantes do final do filme.

No mais, o Anthony Hopkins de “Um Crime de Mestre” é quase um Hannibal. Exceto pelo fato de que Ted não tenta comer o cérebro da própria esposa (praticamente um Hannibal sem carnificina).

* em cartaz até terça-feira, 10/07, no Cineart, em Pelotas

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