Uma discussão recorrente nessas três primeiras semanas de Edhuca (Escola de Direitos Humanos e Cidadania, projeto de extensão da faculdade de Direito da UFPel) diz respeito ao quanto a mídia contribui para o desrespeito aos direitos humanos. Fora as críticas que já eram de se esperar, como o fato de que a mídia não se preocupa tanto com assuntos ligados a pequenas violações de direitos humanos, mas quando a violação é grande, ela transforma em espetáculo midiático (exagerando as proporções do fato), havia também um tipo de crítica diferente. Em mais de uma oportunidade, a mídia foi acusada de ela mesma também violar os direitos humanos. E de formas bastante sutis. Como exemplo, quando um jornal coloca em uma manchete, ou até mesmo no texto de uma pequena nota da página policial, que “um pivete atacou uma criança”, a mídia está, ela própria, cometendo uma violação de direitos humanos. Ora, quem é o pivete e quem é a criança? O “pivete” não é ele mesmo uma criança? Outro caso, bem mais freqüente, ocorrequando algum jornal menciona algo como “extremistas muçulmanos jogam bomba no prédio X” – mas quando o violador é, digamos, Bush, atacando países islâmicos, ninguém diz “cristão enfurecido manda jogarem bomba no Iraque”. Assim, até mesmo pela má escolha de palavras um jornalista pode se transformar em um violador dos direitos humanos, e contribuir para perpetuar as graves discriminações que determinadas parcelas da sociedade recebem, visto que a mídia, com seu alto grau de penetração nos lares, é capaz de influenciar a opinião das pessoas. Talvez os cursos de Jornalismo estivessem precisando buscar uma maneira de incutir em seus alunos algumas noções de direitos humanos…
Em tempo: até no curso de Direito a disciplina de direitos humanos não é obrigatória :/



