All posts by Gabriela Zago

Propostas de referendos

Com a aproximação do utilíssimo referendo do desarmamento, passei a refletir sobre a urgência da realização de consultas populares acerca de temas igualmente relevantes para o interesse nacional… Pena que os governantes não se dão conta disso…

O referendo de armas de fogo deve ser realizado no Brasil?
Porque ninguém se questionou sobre a relevância de fazer uma pergunta cretina dessas à população nacional.

O comércio de veículos automotores deve ser proibido no Brasil?
Dizem que mata menos que as armas de fogo, mas quem acredita? Todos têm o direito de andar nas ruas sem ter medo de ser atropelado por algum motorista inescrupuloso! Nem que isso signifique ter de voltar a períodos pré-históricos onde o único meio de transporte eram os cavalos (e torcer que ninguém promova campanhas contra o maus tratos aos animais!)…

O comércio de CDs de Funk deve ser proibido no Brasil?
É preciso acabar com esse desserviço à moral pública do país! Abaixo a popularização de músicas que desmoralizam os indivíduos em letras totalmente promíscuas!

A exibição de programas idiotas deve ser proibido na televisão brasileira?
Estou sendo forçada a ouvir Zorra Total neste exato momento, por maioria absoluta (família reunida na sala). Ninguém merece!

A existência de professores medíocres que fingem dar aulas deve ser proibida nas instituições públicas e privadas do país?
Sem comentários. Tem gente que simplesmente não tem vocação (para usar um eufemismo) para o Magistério.

A existência de segundas-feiras com chuva deve ser proibida no Brasil?
Segunda fui para a aula com dois guarda-chuvas. Um quebrou e o outro virou. Grrr.

O comércio de passagens de poltronas de ônibus muito próximas ao banheiro deve ser proibido no Brasil?
Sexta-feira viajei de guardiã do WC. Fui comprar a passagem e me restavam as melhores opções possíveis — poltronas 44, 45, 46, 47 e 48. Escolhi a 45 porque, ao menos, era uma janela. O ruim dos ônibus é que os últimos lugares — além do fato já suficientemente trágico de ser em frente, ao lado ou na diagonal do banheiro — não possuem ar condicionado. De fato, eles ficam situados abaixo da central de refrigeração do ônibus e, por uma ironia viária, não dispõem de buraquinhos de saída de ar. Talvez porque aí teriam que furar o próprio ar condicionado, o que seria algo completamente tosco (mas creio que possível). Aí o ar “puro” (reciclado, aquele ar que passa por todos, mistura todos os tipos de gripes existentes e imaginárias, e retorna geladinho) vinha dos bancos da frente em baforadas inconstantes, mas revigorantes. O ruim era quando alguém abria a porta do banheiro. Aí era preciso esperar mais uns 2 ou 3 minutos para que se fosse possível respirar novamente.

O comércio de sofás pesados deve ser proibido no Brasil?
E o meu sofá segue sem os seus pézinhos…

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Sobre patos e Disney

O livro “Para ler o Pato Donald – Comunicação de massa e colonialismo“, de Ariel Dorfman e Armand Mattelart, é uma das críticas mais famosas ao grande império infantil construído por Walt Disney. Os autores chilenos falam mal de tudo, das cores dos cenários até à ausência de sexo na vida das personagens, e acabam exagerando em certos pontos. Mesmo assim, a leitura do livro é interessante. Principalmente para os fãs do universo Disney que tenham um mínimo de senso crítico.
Não dá para simplesmente concordar com tudo o que está dito na obra. Mas muito do que está ali é bem interessante. Os autores falam da ausência de estruturas familiares (há tios, sobrinhos, avós… jamais pais e mães; há casais de eternos namorados, mas parece que nenhum animalzinho tem coragem de assumir compromissos fixos), da falta de relações de produção no trabalho (há uma verdadeira exaltação do consumo; “só há setor primário e terciário no universo de Disney“), e de coisas toscas como o fenômeno da multiplicação dos gêmeos e trigêmeos (há uma predisposição enorme a fazer tríades de sobrinhos, com o exemplo clássico de Huguinho, Zezinho e Luizinho), e o culto ao ócio, que é apresentado nas historinhas como tudo o que mais pode se desejar na vida. Estranhamente, os autores elogiam bastante o personagem Mickey, por ser o único que não rege suas ações em função de si, mas sim pelos outros (o que poderia ser suficiente para taxá-lo de “tolo”). Por acaso o Donald é menos interessante por ser meio atrapalhado, ou o Tio Patinhas não merece relevo por ser avarento — o que poderia ser traduzido por simples consciência [talvez um pouco exagerada] do valor do dinheiro? Ressalve-se: estamos falando de literatura infantil. Estamos falando de histórias em quadrinhos. Tem que ter um pouco de eufemismo, um pouco de antropomorfização… (talvez Disney tenha exagerado no número de patos, ou em certas suavizações da realidade do mundo, mas mesmo assim… é uma história infantil… ninguém ia querer uma criança de 7 anos aprendendo a ler e ao mesmo tempo refletindo sobre os princípios do marxismo…).
Não sei se todas as historinhas da Disney seguem esse tipo de linha teórica (a análise dos autores restringiu-se a edições chilenas de pouco antes da publicação do livro, em 1971), mas é interessante notar que tipo de coisa as crianças andam lendo na infância. Claro que não é o caso de condenar toda e qualquer HQ e declarar o fim da confiança nos meios de comunicação de massa. O ideal seria que todos tivessem consciência para selecionar aquilo que lêem 🙂 (num mundo perfeito talvez isso fosse possível…).

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Roland Barthes, aleatoriamente

A importância de se contextualizar mensagens…

Todos esses jovens fotógrafos que se movimentam no mundo, dedicando-se à captura da atualidade, não sabem que são agentes da Morte.
(A Câmara Clara, de Roland Barthes, pg. 137)

Arrã. Palavra de quem morreu atropelado por uma van de lavanderia ao sair de uma aula que estava dando na universidade, pouco tempo depois da publicação do referido livro…

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Cheguei à conclusão de que é mais divertido ler Barthes do que ter que fazer análises semióticas como as sugeridas por ele em “Elementos de Semiologia”.

Ver alguém não vendo é a melhor maneira de ver intensamente o que ele não vê.” (Mitologias, de Roland Barthes, pg. 32). Até porque “nada é mais apaixonante do que ver em um olhar o mundo desabrochar de um sentido.” (Dentro dos Olhos, O Óbvio e o Obtuso, de Roland Barthes, pg. 281). Sem falar que “hoje em dia, as imagens são mais vivas que as pessoas.” (A Câmara Clara, de Roland Barthes, pg. 173). Mas tudo bem. O importante é que a fotografia é “uma realidade da qual estamos protegidos” (A Retórica da Imagem, em O Óbvio e o Obtuso, de Roland Barthes, pg. 36).

E viva as frases descontextualizadas!! \o/

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Registro histórico

Eu entrei no Google e esqueci o que tinha ido fazer por lá. Aí decidi escrever meu nome completo e pesquisar. Hoho… Encontrei isto. Confesso que cheguei a duvidar que fosse eu… hauahuaua 😛

Estatísticas

Aniversário do blog… Êêê! *<:P (faça de conta que isso é um boneco com chapéu de aniversário…)

2 meses (61 dias)
92 posts (1,5 por dia)
90 comentários
358 visitas (desde 07/09)
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Post mais divertido
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Freqüência das palavras no blog:
9 “inútil”
9 “política”
16 “enfim”
19 “Semiótica”
24 “Constituição”
88 “:P”

Tudo o que você nunca quis saber sobre a Mauritânia

A professora de francês pediu que a gente fizesse uma pesquisa sobre usos, costumes e cultura de algum país francófono qualquer. Em português, é claro (considere-se que faço francês há 1 mês, e tive no máximo 5 aulas — e foi a apenas na última que a gente aprendeu o verbo être). Para não cair no convencionalismo de escolher um país sem graça como França ou Canadá, peguei o mapa dos países francófonos do livro e me decidi a escolher o país que tivesse o nome mais bizarro. A escolha recaiu sobre a Mauritânia. Então eu passei o domingo inteiro pesquisando tudo na internet sobre um país insignificante da África. E qual é a graça de ter todo um conhecimento inútil e não poder compartilhá-lo? 😛 Fiquem aí com o meu trabalho (não achei quase nada de usos, costumes, e coisas do tipo; por isso o texto se detém a falar sobre basicamente TUDO que tenha a ver com o país)…

P.S.: Eu nunca tinha entrado em um site árabe antes. É bem legal, tudo aparece invertido. Até a barra de rolagem migra da direita para a esquerda da tela 😛 hehe… Visitem o site oficial da Mauritânia em www.mauritania.mr 😉

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Países francófonos são aqueles que de certa forma encontram-se ligados à França por laços culturais ou pelo idioma. A Mauritânia, uma ex-colônia francesa na Àfrica, recebeu muitas influências da França ao longo da sua história. A curiosidade em pesquisá-la surgiu da irreverência do nome país, e do profundo desconhecimento que normalmente se tem sobre ele.
O nome vem do fato de o território ter sido antes ocupado por mouros (Mauritânia é “terra dos mouros”, em latim). E a relação com a França advém do fato de a Mauritânia ter sido colônia de exploração francesa entre 1908 (ou 1920, de acordo com a Embaixada da Mauritânia em Washington) e 1960 (a independência é comemorada no dia 28 de novembro).
A República Islâmica da Mauritânia tem 3 milhões de habitantes. É banhada pelo Oceano Atlântico a Oeste, e faz fronteira com o Saara Ocidental, Mali e Senegal. A capital do país é Nouakchott, com cerca de 600 mil habitantes. Os idiomas oficiais são o árabe e o francês (utilizado basicamente para comunicações oficiais). Outras línguas e dialetos também são faladas na região, como hassniya, soninké e oulof. A religião predominante (100% da população) é a muçulmana. A moeda é a Ouguiya. A Mauritânia é uma República unitária, e seu regime de governo é o presidencialista.
O lema do país é Honneur, Fraternité, Justice (Honra, Fraternidade e Justiça), e as leis vigentes são uma combinação da lei islâmica com o código civil francês, o que reforça a influência francesa sobre a nação. Há o presidente e um Conselho de Ministros. O primeiro Ministro, escolhido pelo presidente, é Sidi Mohamed Ould Boubacar (desde 7 de agosto de 2005). O Presidente do Conselho Militar para Justiça e Democracia é Elv Ould Mohamed Vall. O presidente do país, Muauía Uld Sidi Ahmed Taya, foi deposto pelo Conselho Militar para a Justiça e a Democracia em agosto deste ano, após mais de 20 anos se mantendo no poder através de eleições fraudulentas e de um regime autoritário.
O país está localizado a noroeste da África. Dois terços do território é ocupado pelo deserto do Saara (onde predomina o clima quente e seco, e vegetação de planícies cobertas por dunas de areia). A atividade agrícola é exercida apenas numa estreita faixa de terras ao sul do país, ao longo do Rio Senegal (única fonte de água potável do país) e concentra-se no cultivo de cereais e tâmaras, além da pecuária. A extração de minério de ferro – produto do qual a Mauritânia tem uma das maiores reservas do mundo – e a pesca marítima são as principais fontes de receita. Gesso, cobre e fosfato são outros recursos naturais explorados no país.
A Mauritânia é o 28° maior país do mundo, com uma área de 1.030.700km². Os recursos aquáticos são desprezíveis (apenas 300km² da área total do país). Há 754km de litoral. Podem ocorrer tempestades de areia e ocorrem secas periódicas. As cidades concentram-se nas margens do único rio do país.
A expectativa de vida da população é baixa (52,73 anos). A taxa de alfabetização é de 41,7%. Metade da população vive abaixo da linha de pobreza. O desemprego atinge 23% da população economicamente ativa do país. E a taxa de fertilidade é de 5,94 filhos por mulher!
Em termos tecnológicos, o país vem tentando crescer cada vez mais. Em 2000, havia 20 mil linhas telefônicas e 14 mil telefones celulares, 360 mil rádios e 1 emissora de televisão. A Universidade de Nouakchott dedica-se à pesquisa de Ciência e Tecnologia, e é também quem cuida do registro de domínios .mr na internet.
A cultura do país é bastante rica. É na Mauritânia que nasceu Abderrahmane Sissako, cineasta famoso por filmes como o premiado “Heremakono” (À Espera da Felicidade) e “A Vida sobre a Terra” (este último retrata o contraste entre a Europa e a África, e o massacre econômico e cultural operado pela primeira sobre a segunda).
Os descendentes dos povos árabe e bérbere são a maioria no país. No passado, eram principalmente nômades, o que explica as influências do sul da África e do Deserto do Saara, bem como de tradições árabes, em sua cultura. O tuaregue é um dos últimos povos nômades do mundo. Alguns membros desse povo ainda vivem como pastores, atravessando o deserto do Saara em caravanas de camelos. As mulheres vestem tradicionais túnicas de índigo, que incluem o tagilmust (turbante que cobre o rosto delas a fim de protegê-las do sol) e a espada. Eles falam tamarshak, um idioma bérbere.
O hino nacional da Mauritânia foi feito a partir de um poema de Baba Ould Cheikh, um poeta e líder religioso do país. Foi escrito por volta do fim do século XIX e adotado como hino em 1960, na ocasião da independência do país. A bandeira foi escolhida em 1959. As cores verde e dourada são consideradas cores pan-africanas. O verde é a cor do Islã, e o dourado simboliza as areias do deserto do Saara. O crescente e a estrela são símbolos do Islã – maior religião do país. Seria o equivalente à cruz para o cristianismo. Esses símbolos também estão presentes nas bandeiras de vários outros países que adotam a mesma religião, como o Egito, o Paquistão, a Turquia, etc.

Como desembalar um sofá com uma tesourinha de primeira série

Chegou meu sofá novo. Tive um trabalhão para desembrulhá-lo, mas valeu a pena.
Primeiro, os carinhas da entrega chegaram beeem antes do planejado. Era para eles virem de tarde. Mas parece que 10 da manhã tem sido um horário recorrente para entregas de lojas felizes que combinam de entregar à tarde (o mesmo ocorreu com máquina de lavar, semana passada… estranho… parece um complô para não encontrar as pessoas em casa e declarar os itens comprados, pagos e carimbados como entregues… é conspiração pura!)… — E-e… e se eu tivesse aula? Eles acham o quê, que fico a manhã inteira em casa, na maior várzea? Deu acaso de hoje ter sido a segunda chamada de Constitucional e eu já ter feito a prova… Mas tudo bem. Dessa vez passa (não que eu pretenda comprar muitos sofás nos próximos dias..).
E então os rapazes da entrega simplesmente largaram o sofá em pé, no meio da minha sala, e me abandonaram. Pelo visto eles ainda tinham muitas entregas pela frente. Os carinhas da máquina de lavar, ao menos, tiraram a embalagem dela antes de ir embora. Os do sofá foram malvados. Malévolos. Cruéis. Frios. Calculistas. Déspotas. Tiranos. [insira um adjetivo tosco aqui]
Quando me vi só, com um sofá-troglodita de 2 metros de altura embalado em um pano, um plástico e um papelão, quase me arrependi de morar sozinha há mais de um ano. Aí respirei fundo. O que fazer? Subi em uma cadeira, e percebi que o pano (o ectoplasma do sofá) estava tão bem amarrado que não haveria outra solução senão cortá-lo. E quem disse que tenho tesoura, ou qualquer outro instrumento cortante? Encontrei uma tesourinha amarela, dessas de primeira série do Ensino Fundamental (sem ponta, sem fio, sem função alguma), subi em cima de uma cadeira, e comecei a cortar. Tirar o pano foi fácil. Ele estava solto. Foi só cortar e arrancar fora. Beleza.
O estágio 2 foi partir para o papelão (mesoplasma? mesoderme?). Simples. Ele estava solto também. Foi só puxar um pouquinho ali, levantar uma pontinha aqui… E em instantes eu estava diante da maior pilha de pano e papelão já vista na vida! Se fosse São João, dava para fazer uma fogueira! (\o/)
E então é que veio a complicação. A terceira camada envoltória do sofá (endoplasma) estava grampeada (isso mesmo, grampeada!) no forro inferior do mesmo. E não eram grampos comuns, eram supergrampos criados a Toddynho! Arrancar o plástico, firme e resistente, com as próprias mãos seria impossível. Tesourinha nele! Mas quem disse que foi fácil? Nossa… Tive que recortar toda a volta do sofá. No meio do caminho, acabei colocando o sofá deitado, em sua posição final, achando que isso facilitaria o processo. Que nada! Até piorou. Descobri que não tenho força para levantar um sofá de 3 lugares por tempo superior a 3 segundos (e a 7mm do chão). Recortei o máximo que pude. O sofá ficou com umas pontinhas de plástico saindo pra fora nos lados (é impossível arrancar os megagrampos sem levantar o sofá!), mas como não pretendo receber muitas visitas nos próximos, sei lá, mil anos, vai ficar assim mesmo (a menos que eu milagrosamente adquira força nos músculos com a minha vida sedentária e aprenda gradualmente a levantar o sofá, até o dia em que consiga erguê-lo a 1 metro do chão pelo dedo mindinho e vá para o Faustão ganhar sei lá quantos mil reais no tal do Se Vira nos 30).
Com tudo feito, ainda tive que me livrar da quantidade imensa de entulho acumulada. Era tanto plástico, papelão e pano, que dava até para juntar tudo, forrar com um tecido colorido, e declará-lo um pufe. O material todo encheu até a boca um daqueles sacões de lixo (que, por sinal, são um afronta à natureza!) de 100 litros de capacidade. Por pouco consegui enfiá-lo (metê-lo, introduzi-lo, empurrá-lo ‘guela’ abaixo…) dentro das naves espaciais (trequinhos de separação de lixo orgânico e lixo seco, embora na hora da coleta tudo seja misturado novamente).
No fim, até foi divertido. Só achei o sofazinho meio pequenininho, esmirradinho, baixinho… bem… inho… mas quem se importa? Ao valor dele, agrega-se a possibilidade economicamente incalculável de poder dizer “Gostou? Fui eu quem instalei“. E não tive jeito de conseguir encaixar os pézinhos dele na parte de baixo — além de ser humanamente impossível erguer o sofá para este fim, quando ele ainda estava em pé também não encontrei onde encaixá-los.

Galeria de fotos:
1. pilha de plástico, tecido e papelão 2. o sofá (tã dã! :D) 3. recortando um dos lados 4. recortando o outro lado 5. os pézinhos 6. a ponta de plástico aparecendo 7. a tesourinha 8. vontade de cortar o sofá inteiro... 9. a sala, com o entulho 10. a sala, sem o entulho

Desarmamento 3

Hoje eu estava lendo o livro “Dos Delitos e das Penas“, de Cesare Beccaria (livro este que eu devia ter lido há vários meses atrás para um trabalho de Direito Penal sobre o período do humanismo, e um certo sentimento de culpa misturado com remorso por ter apresentando um trabalho sem nunca ter lido o texto antes me impeliu a lê-lo mesmo com todo o atraso, mas isso não vem ao caso…) e lá no meio dele encontrei o posicionamento do autor acerca do desarmamento (é possível enlouquecer pensando obstinadamente em um único assunto?)

“Podem igualmente considerar-se como contrárias ao fim de utilidade as leis que proíbem o porte de armas, porque apenas desarmam o cidadão pacífico, enquanto que deixam a arma nas mãos do criminoso, muito habituado a violar as convenções mais sagradas para respeitar aquelas que são somente arbitrárias. (…) Essas leis apenas servem para aumentar os assassínios, colocam o cidadão indefeso aos golpes do criminoso, que fere mais audaciosamente um homem sem armas; favorecem o bandido que ataca, em detrimento do homem honesto que é atacado.”

(Diga-se de passagem, o porte de armas já está proibido no Brasil há um baita tempo… e olha que esse posicionamento é de um cara que lutava pelo fim de coisas arcaicas como penas de morte cruéis e execuções em praça pública, em 1764!!)…

De qualquer maneira, recomendo a leitura do livro. Se possível, prefiram alguma edição com tradução menos tosca que a dos livrinhos felizes da Martin Claret.

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O fantástico mundo dos móveis

Para fazer companhia à nova máquina de lavar, acabei ganhando também uma estante e um sofá para a sala. Só que esses singelos itenzinhos novos provocaram mudanças substancias na [in]decoração do meu apartamento…
Da máquina já falei aqui. Ela reduziu em 90% o espaço útil da minha área de serviço. Mas quem se importa? 😛 Já lavei tanta coisa que é como se eu já tivesse ela desde sempre.
As alterações maiores foram na sala. A estante velha foi desmembrada em inúmeros pedacinhos, virando uma mesa para televisão, um baú tosco para a área de serviço e uma prateleira a mais para a estante nova. E ainda sobrou alguns pedaços de madeira, que provavelmente ganharão algum tipo de utilidade pelas mãos criativas do meu pai 😛
Também foi alterada a disposição dos móveis na sala. A estante trocou de lugar com a mesa. Agora, tenho que chegar em casa ao contrário. Ao invés de abrir a porta e virar para a esquerda, colocar as coisas sobre a mesa, e migrar para a direita (em direção ao meu quarto), vou ter que abrir a porta, virar para a direita (que é o lado onde está a mesa agora) e, bem, seguir indo para a direita, porque por mais que meus pais malévolos tivessem um plano maligno de trocar a mesa de lugar, o meu quarto eles (ainda) não conseguiriam tirar de onde está (hoho). Talvez num futuro não muito remoto isso seja possível…
O sofá novo chega amanhã. Tive que ser uma boa negociadora para ganhá-lo agora. O problema era o que fazer com o velho e bizarro sofá xadrez preto e branco da sala. Meu pai conseguiu enfiar o de três lugares no “quarto de hóspedes” (ao lado de uma cama de casal — ninguém imaginava que o quarto fosse tão grande para caber os dois lado a lado, ao comprido). Mas para não atravancar o resto da casa, vou ter que me contentar com um sofá novo e um sofá velho na sala. Menos mal que combinam. O novo sofá será branco. E minha irmã mais velha ficou de me dar um pufe de uma variante de alguma cor qualquer do arco-íris (voto no verde limão!! :D). Aí eu vou ter finalmente uma sala sem cheiro de naftalina e que tenha a minha cara (se é que é possível que alguém tenha cara de sala) 😛
P.S.: Escolhi meu sofá pelo catálogo de ofertas do Ponto Frio que veio encartado na edição de domingo passado da Zero Hora. Espero que ele seja, no mínimo, parecido com o da foto 😛 hauhauhaua

Desarmamento 2

Meu texto sobre o desarmamento de alguns dias atrás está horrível 😛 Sinto-me na obrigação de “corrigi-lo”…
Em primeiro lugar, como disse o Timm, via comentário, acabei me equivocando e esquecendo o motivo principal por esse referendo ser idiota: a votação é apenas quanto à comercialização de armas de fogo e munição. O porte já está proibido para todos, e não é objeto de votação. Mesmo que ganhe o não, as pessoas não poderão andar armada por aí. Apenas vão ter a oportunidade de adquirir armas de fogo de forma legalizada (como se a aquisição por meios ilícitos não fosse até mais fácil!).
Tem ainda o lado da pergunta cretina do referendo, que por si só já é tendenciosa. Com “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?“, parece que o governo nos está induzindo a optar pelo sim. A pergunta é confusa. Fala-se em comércio, ao invés de simplesmente referir-se a “venda”. O verbo, no futuro do presente, dá idéia de certeza, de algo provável de acontecer… (bem diferente do efeito de um “deveria”, que passa a idéia de possibilidade)…
Há também outra grande questão a ser levantada quanto aos gastos exorbitantes em se fazer uma votação completamente desnecessária. Tudo bem que se façam referendos e plebiscitos no Brasil. Mas gastar quase 1 bilhão para votar algo que, ganhando ou perdendo, não vai mudar em nada a vida dos brasileiros? Isso vai fazer com que as pessoas passem a crer cada vez mais que a democracia participativa não funciona no país. A iniciativa popular já é uma piada. Nossos representantes no poder não têm se mostrado muito confiáveis. O que nos resta?

Vou votar não. Até porque não vejo mal nenhum em se ter um revólver em casa, para defesa própria. Na verdade, era isso que eu defendia no meu texto, sem saber que isso era o não… hauhauhaa 😛

Obs.: Para quem ainda quer entender como funciona o referendo, a página do Senado sobre o assunto é bastante didática. E agradeçam ao Santo Google das Causas Impossíveis 😛