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Fragmentos de um dia que não quer terminar

Hoje eu me senti um resultado parcial da Tele-Sena de Primavera (aquele que o SBT informa “de hora em hora”)… A cada hora exata, saía eu, a câmera e o chaveiro-sapo em direção à faculdade para bater a foto. Se elas saírem ruins eu juro que… que… ah, sei lá. Juro que não bato tudo de novo, e entrego do jeito que estiver 😛

Obs.: Mais detalhes no flog.

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Metas (cumulativas):
+ Não dormir às 4h.
+ Não acordar às 7h.
+ Não tirar fotos de hora em hora.
+ Não ir à faculdade quando não tem aula.
+ Não ir ao supermercado no meio da tarde.
+ Não levar filmes para revelar a mais de 10 quadras de casa.
+ Não ir para a aula de francês com sono.
Ou ao menos não fazer tudo isso no dia em que a última coisa a ser feita seja um trabalho de Semiótica que exija que se pense muito, que se espremam muitos miolos, que se raciocine em demasia. Depois de um dia como esse, não é de se espantar que eu tenha levado 10 minutos para me lembrar qual era o meu nome. E tenha sido obrigada a reconhecer a própria ignorância e pedir para a professora explicar o humor da tirinha do Garfield (objeto de análise), já que, 1 hora e meia depois, eu ainda não tinha conseguido entender, e precisava analisar os planos sintático, semântico e pragmático valendo 15% da nota total do semestre.

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Sabe quando os pensamentos simplesmente não vêm? Ou se vêm, aparecem em total desarmonia, é cálculo de subsídio de vereadores pra cá, lista de compras no supermercado pra lá… Você tenta puxar na memória, e não consegue lembrar o nome do dono do Garfield. E nessa tentativa emocionante de ordenar pensamentos desconexos, você nem se dá conta de que o nome se encontra na parte inferior do texto. Aaaah.

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Nova frase célebre surgida no porão da fila dois: “O Direito é legal“. Tudo no duplo sentido… 😀

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Por que é tão difícil calcular os subsídios dos vereadores? Tem de ser sabe-se lá quanto % do salário do deputado estadual, que por sua vez precisa ser de 75% do deputado federal, que por sua vez tem como teto o salário do Ministro do STF, QUE, por sua vez, está limitado conforme o artigo 37 XI da Constituição Federal (!!)… E ainda tem limitações no tocante à porcentagem máxima que pode ser gasta com o Legislativo Municipal, considerando-se que no máximo 70% devem ser gastos com pagamento de funcionários (servidores E vereadores), e o total de despesas do vereador (70% de alguma porcentagem qualquer) não pode passar de 5% do total da arrecadação do município, dividido pelo número de vereadores da cidade, dividido por 12, que são os meses do ano. AAAAhhh.. É muito cálculo!!!! (Prova de Direito Financeiro amanhã às 10h!!!)

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Decidi que não faço mais rascunho. Agora vai tudo na bucha. Não deleto mais o que escrevo. “Viver é desenhar sem rascunho.” Pois vou aplicar isso a tudo quanto é coisa que eu for vir a fazer. Provas, trabalhos, posts, yadda yadda.

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Meu organismo grita: durma! E o mais estranho é que parece que ainda nem acordei.

George Orwell

Li dois ensaios de George Orwell neste fim de semana. Ambos falam de aspectos formais da escrita, aplicados a diferentes áreas. Ambos foram escritos em 1946. Ambos permanecem atuais até hoje. Ambos me fizeram ficar com ainda mais vontade de ler a obra “1984” (mas a leitura vai ter de ser adiada por conta das zilhares de provas cruéis marcadas nas faculdades para as próximas semanas!).

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O primeiro ensaio é “Politics and the English Language“. Nele, o autor discorre acerca do fato de que o discurso político da época era impregnado de vagueza. Algumas passagens interessantes:

“This mixture of vagueness and sheer incompetence is the most marked characteristic of modern English prose, and especially of any kind of political writing.”

“It is easier — even quicker, once you have the habit — to say In my opinion it is a not unjustifiable assumption that than to say I think.”

“You can shirk it by simply throwing your mind open and letting the ready-made phrases come crowding in. They will construct your sentences for you—even think your thoughts for you, to a certain extent—and at need they will perform the important service of partially concealing your meaning even from yourself.”

“The great enemy of clear language is insincerity.”

“But if thought corrupts language, language can also corrupt thought.”

“One can cure oneself of the ‘not un-’ formation by memorizing this sentence: A not unblack dog was chasing a not unsmall rabbit across a not ungreen field.” (:P)

E ele conclui, enumerando algumas regrinhas para quem pretende se aventurar no discurso político:
(i) Never use a metaphor, simile or other figure of speech which you are used to seeing in print.
(ii) Never use a long word where a short one
(iii) If it is possible to cut a word out, always cut it out.
(iv) Never use the passive where you can use the active.
(v) Never use a foreign phrase, a scientific word or a jargon word if you can think of an everyday English equivalent.
(vi) Break any of these rules sooner than say anything outright barbarous.

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Já no segundo ensaio, intitulado “Why I Write” (versão traduzida para o português), o autor faz um relato de como surgiu sua paixão pela escrita. Orwell apresenta os motivos que levam um autor a escrever (completo egoísmo, entusiasmo estético, impulso histórico e propósito político) — o autor admite escrever pelos 3 primeiros motivos –, e conclui dizendo que “Escrever um livro é uma luta horrível e cansativa, e o processo se parece com uma batalha contra uma doença longa e dolorosa. Ninguém embarcaria em tal jornada se não fosse impulsionado por algum demônio que ele não pode resistir nem entender.

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Enfim, recomendo a leitura de ambos os ensaios 🙂 E aceito doação de horas para ler 1984 😛

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Por que qualquer coisa parece ser mais interessante do que estudar Direito Financeiro?

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Tempo malvado 2

Pois bem. Sábado acordei 7h30 para [tentar] tirar fotos, na santa inocência, achando que o tempo fosse melhorar da noite para o dia. Vi-me diante de um temporal que durou um dia inteiro, e a única solução encontrada foi voltar a dormir.
Por uma simples abdução [?] imaginei que no domingo as coisas fossem ser iguais (inferi o caso a partir da regra e do resultado do dia anterior…), e simplesmente dormi até tarde. E não é que hoje o dia amanheceu lindo? Apesar do frio e do vento, é um dia bastante ensolarado. Grrr. Que raiva!
Ainda não me decidi se amanhã vou matar aula para tirar fotos (a idéia é tentadora :P), ou tirar fotos de hora em hora na própria facul… :}

Ah.. mais tarde volto aqui para postar algo mais, digamos, de acordo com a temática (!) do blog 😛

Dica de site

StumbleUpon.com. Isso vicia!

Ganhei meu dia depois de ler isto:

Último a saber

Como ontem, há quatro anos um ainda quase anônimo Severino Cavalcanti também representava a Câmara na ONU quando houve o ataque às torres do World Trade Center.
Monoglota, trancado no hotel nos dias seguintes ao atentado, Severino conseguiu embarcar no primeiro vôo da Varig a sair de Nova York. Alojado na classe executiva, o deputado virou-se para um atônito vizinho de assento e perguntou:
– O senhor pode me explicar o que aconteceu?

(Zero Hora, 10/09/05, pg. 3)

😛

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Hoje é o “aniversário” (a comemoração, a repetição da data que assinala? falta-me o termo agora…) do ataque às Torres Gêmeas… O que há de melhor no mundo desde então?
Terrorismo global, catástrofes naturais por todo lado, aviões que caem, corrupção no Brasil, alagamentos em Pelotas… Será que este mundo ainda tem conserto? (agora estou me sentindo culpada por ter rido da notícia acima :P…)

Culinária

Tenho um liquidificador. Torradeira remendada. Dois fornos (o elétrico e o convencional). Quatro bocas de fogão (mas só uso uma, a mais perto do balcão). Geladeira, pia, etc. Tenho até uma cafeteira! — O que falta para eu aprender a cozinhar? :}
Meu arroz fica uma droga (na imensa maioria esmagadora das vezes, eu esqueço do sal :P), as pizzas congeladas queimam (forno malvado!!), as sopas ficam com uma consistência tosca (nem líquidas, nem “sopas”), o café instantâneo fica amargo (nunca acerto a quantidade de açúcar), a torrada fica mal tostada (a torradeira está toda remendada, porque quebrei ela esses dias… a pressa era tanta que nem sei por que… ela simplesmente caiu :P), hambúrgueres já desisti de [tentar] fazer há quase um ano (ou ficavam crus, ou queimados, ou engordurados…)… nem miojo eu acerto! Qual o segredo da boa cozinha? Ou melhor, já me bastaria o segredo da cozinha razoável. (tipo poder fazer um prato de arroz com frango desfiado congelado com gosto de risoto :D)
Alguém aí tem a receita mágica para se aprender a cozinhar?

Tempo malvado

Ahhh… droga de chuva! Não era para chover neste fim de semana!
Em sã consciência [!?] eu ia adorar passar um fim de semana véspera de época de provas sozinha em Pelotas e com chuva! (aí eu não teria outra opção do que fazer senão estudar; não ia ser preciso resistir a tentação alguma de sair de casa, de ir ao cinema, de usar a internet, etc.)… Mas, convenhamos, não precisava chover logo no fim de semana que decido pegar a câmara para fazer a prova de Foto!! Leis de Murphy sabem ser sacanas quando querem…
Preciso bater 3 fotos a cada hora, de um mesmo objeto, para testar as variações de luz ao longo de um dia (e suas influências nas cores, tonalidades, luminosidades e etc. das coisas). São no mínimo 24 fotos (se se considerar um período de “dia” de 8 horas). O ideal seria que eu fizesse no fim de semana, porque daí posso ir de hora em hora na portaria do prédio bater as fotos, e isso não atrapalharia em nada minha vida. (\o/)
Durante a semana, passo as 5 primeiras horas de luz do dia na rua (8h, 9h, 10h, 11h e 12h!!!), e as outras 3 sempre em casa (13h, 14h, e 15h). Então, o que seria menos tosco (caso o tempo não colabore e eu precise tirar as fotos durante a semana): tirar as fotos na faculdade (e ter de me deslocar até ela três vezes durante a tarde), ou tirar as fotos em casa (e a) matar aula [yay!], ou b) ficar vindo de hora em hora bater as fotos)???

Como o objetivo desse trabalho prático de foto é verificar as variações da luz do Sol ao longo de um dia (em dia de chuva, bem… cadê a luz do sol? :P), tenho que torcer para o tempo melhorar!
Bom, ainda tenho esperanças de acordar amanhã diante de um radiante sol de setembro… 🙂 Do jeito que o tempo anda maluco, tudo pode acontecer… 😛

Mitologias

Aproveitei o feriado para [terminar de] ler o livro Mitologias, de Roland Barthes. Já havia lido, anteriormente, o capítulo final da obra, que fala dos aspectos formais de um mito (“Barthes’s understanding of myth is the notion of a socially constructed reality which is passed of as `natural’“*). O que me faltava era ler a primeira parte do texto, que é composta por diversas análises feitas pelo autor, no formato de artigos jornalísticos, acerca dos mitos que rondavam a sociedade francesa no período pós-2ª guerra mundial.

A obra está totalmente vinculada à realidade histórica vivida pelo autor (e, por vezes, sua leitura torna-se bastante cansativa, quase enfadonha). Alguns capítulos tratam de questões muito específicas, que possam não interessar a um leitor do século XXI. Entretanto, a grande parte dos textos é bastante interessante, apresentando assuntos ainda de relevância para os tempos atuais…

Um dos capítulos que mais me chamou a atenção é intitulado “Brinquedos“. Barthes faz uma análise bastante realista dos brinquedos com que as crianças brincam à sua época: “O adulto francês considera a criança como um outro eu; nada o prova melhor do que o brinquedo francês.” (…) “o brinquedo francês, de um modo geral, é um brinquedo de imitação [do mundo dos adultos], pretende formar crianças-utentes e não crianças criadoras.
Brinquedos assim fazem com que a criança perca a capacidade de abstração (altamente produzível com objetos arcaicos, como bonecos de madeira e argolas de metal), e com que sua hora de brincadeira acabe se tornando em uma verdadeira escola de “como ser adulto” (quem nunca brincou de cabeleireiro das bonecas, se menina, ou vivenciou o mundo dos transportes, se menino?). De certo modo, até mesmo brincando as crianças estão aprendendo a lidar com a vida adulta — ao invés de estarem desenvolvendo seu intelecto, o que seria importante para que essa mesma criança pudesse um dia resistir aos modelos pré-estabelecidos. A criança é preparada para aceitar a realidade futura, sem pensar em transformá-la. Aí reside o mito.
O mais curioso disso tudo é que o livro foi escrito entre 1954-1956. E até hoje, aparentemente, ninguém fez nada para mudar isso. Os brinquedos seguem sendo meras cópias miniaturizadas do mundo dos adultos, dando margem a pouca — ou nenhuma — capacidade de reflexão por parte das crianças.

Há outros capítulos interessantes na obra, como “Saponáceos e Detergentes“, “Marcianos“, “Gramática Africana“, “Conjugais” e “O Vinho e o Leite“.
À propósito de Conjugais, há uma passagem bastante curiosa. Ao falar de um casamento, Barthes descreve a noiva como “(…) bem sucedida, visto que tem o diploma do curso secundário e fala inglês fluentemente.” Hoje em dia, essa mesma moça teria que ter no mínimo o título de Mestre, 2 ou 3 empregos e falar uns 3 ou 4 idiomas para ostentar o título de “bem sucedida”… É… coisas dos tempos modernos…

* Obs: citação de Tony McNeill, em “Roland Barthes: Mythologies (1957)” — recomendo a leitura 😛

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Duas soluções para o Brasil

I.

Muitos sustentam que já é hora de jogar 17 anos de conquistas no lixo e elaborar uma nova Constituição no Brasil, de modo a acabar com a corrupção. Mas será que a mera inclusão de uma ou outra palavra é capaz de resolver um problema histórico no país?
Se for para fazer uma nova Constituição, então que se faça alguma alteração drástica, algo como mudar o regime político para uma Monarquia Presidencialista (Democrática e Federativa!). Ora, a justificativa seria simples: um Rei não depende de mensalão para se manter no poder, muito menos de uma base aliada, ou de qualquer tipo de partido político — apenas de “sangue azul”.
A separação dos cargos de Chefe de Governo e Chefe de Estado (que no Presidencialismo convergem na figura do Presidente) já acabaria com metade da burocracia no país (enquanto o Rei fica viajando pelo mundo, o Presidente fica em Brasília, editando Medidas Provisórias, sancionando leis, vetando projetos, enfim, fazendo toda aquela parte chata e monótona de ser Presidente de uma nação).
Dependendo do grau de abstração que se pretenda, dá para imaginar um projeto social de iniciativa do gabinete da Primeira Dama, mas com apoio de Sua Excelência, a Rainha de Terra Brasilis (depois de tanta transformação, mudar o nome do país será mera conseqüência…). Já temos o ouro estampado no amarelo de nossa bandeira, como que num prenúncio subliminar do que estaria por vir. É só incluir um capítulo sobre o regicídio na lei de crimes hediondos, separar parte da verba pública para sustentar a família real, escolher quem vai ser o primeiro Rei, e deixar que a sucessão hereditária acabe com as mazelas do país.
A partir daí, as grandes preocupações da imprensa passariam a ser outras. Nada de depoimentos intermináveis em CPIs incontáveis. As grandes fofocas seriam quanto a quem pertence o coração da princesa, a rebeldia do jovem príncipe, e as extravagâncias da rainha. Não teríamos nem tempo de pensar em corrupção!
Mas não é preciso ir tão longe para salvar o país: basta uma reforma na Constituição atual para aplicar os dispositivos que ainda requerem legislação complementar. A chave para a democracia está aí. Não basta chamar o Presidente pelo apelido, liberar geral a criação de partidos e meter meio milhar de deputados dentro de uma sessão. É na efetiva aplicação da lei que tudo se resolve!

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II.

E tem também a proposta do Luis Fernando Veríssimo, da Zero Hora de ontem (05-09-05):

“A idéia de um recomeço é atraente. A gente podia devolver o Brasil aos índios, desde que eles concordassem em devolver os espelhinhos, e fundar outro Brasil – onde? Sugiro Paris. Já tem até praia no Sena.”

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Enfim.. o que não dá para admitir é que as coisas continuem do jeito que estão… 😛

Para refletir

“O Direito não pode parar.”

Frase dita pela Carol hoje em sala de aula, a respeito da greve dos professores na Universidade Federal de Pelotas.
Quantos níveis de significados são possíveis de se captar a partir dessa singela e inocente frasezinha? 😛