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Liberdade de Expressão

Da página 3 da Zero Hora de sábado, 03/09/05:

ANJ protesta contra censura

Em nota divulgada ontem, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) protestou contra a decisão judicial que impôs censura prévia ao jornal A Tribuna, de Santos, em São Paulo.
Por decisão do juiz José Alonso Beltrame Júnior, da Décima Vara Cível de Santos, o jornal foi proibido de divulgar informação relativa a processo administrativo que envolve funcionária da prefeitura daquela cidade. A servidora é acusada de desvio de dinheiro público. A decisão judicial ainda prevê multa de R$ 50 mil por “divulgação indevida”.
O presidente da ANJ, Nelson Sirotsky, observa que “essa violência não atinge apenas o jornal, mas é uma afronta ao direito de informação de todos os cidadãos”. A entidade acredita que o Poder Judiciário vai “corrigir mais esse atentado à liberdade de expressão”.

Sinceramente, acho que essa decisão foi muito bem feita. Tá certo que censurar matérias jornalísticas vai contra a liberdade de expressão, apregoada pela Constituição Federal e tudo mais, mas também não dá para aproveitar esse princípio para começar a comprar denúncias por fatos. Não se pode atropelar as fronteiras da ética e do bom senso, em nome de um simples furo jornalístico. A servidora está sendo acusada, em processo administrativo (ou seja, ainda interno)… Nada está comprovado ainda. Por que o jornal tinha que se meter e sair publicando o fato antes que ele pudesse ser devidamente verificado?
Liberdade de expressão, sim. Mas com limites! Pois “censurante é tanto a proibição de dizer como a obrigação de dizer”, na medida em que “a plenitude do dizer e do fazer equivaleria à própria negação da linguagem, à morte da palavra, ao silêncio total”. (Adriano Duarte Rodrigues, em Figuras das Máquinas Censurantes Modernas).
Essa tal liberdade precisa (e deve) ser ponderada por outros princípios constitucionais, como o da dignidade humana e o da presunção de inocência. A liberdade de expressão, que é um direito fundamental, mas que não é absoluto, também não pode ser usada para justificar a violência, a difamação, a calúnia, a subversão, e a obscenidade. É preciso buscar um equilíbrio: defender a liberdade de expressão, mas ao mesmo tempo impedir o discurso que incita à violência, à intimidação, ou à subversão (Princípios da Democracia, da Embaixada Americana)
Não sei exatamente os reais motivos que levaram o juiz que decidiu o caso a tomar essa decisão, mas acho que foi muito bem feito! 😛 (Isso quer dizer que, ao menos tacitamente, eu prefiro o Direito? Nãããão!!)

Da Constituição Federal de 1988:

CAPÍTULO V – DA COMUNICAÇÃO SOCIAL
Art. 220.
A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º. Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º. É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

Na versão comentada pelo STF (mais uma das maravilhas/porcarias da tecnologia virtual), há dois trechos interessantes:
– Sobre o caput do artigo, fala-se em “polêmica — ainda aberta no STF — acerca da viabilidade ou não da tutela jurisdicional preventiva de publicação de matéria jornalística ofensiva a direitos da personalidade”.
– E sobre o parágrafo 2°, lê-se “A Constituição de 1988 em seu artigo 220 estabeleceu que a liberdade de manifestação do pensamento, de criação, de expressão e de informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerá qualquer restrição, observando o que nela estiver disposto. Limitações à liberdade de manifestação do pensamento, pelas suas variadas formas. Restrição que há de estar explícita ou implicitamente prevista na própria Constituição.”
Este último comentário fala da questão da divulgação de nomes de crianças e adolescentes em processo por ato infracional, mas acho que também se aplica à questão. A liberdade de expressão não pode ser total, sob pena de sermos “censurados” a falar tudo o que pensamos!

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Semiótica 2

Destruindo a Semiótica, com base num exemplo citado no livro do Umberto Eco (Tratado Geral de Semiótica)…

“minha escova de dentes está viva e está querendo matar-me”

É um exemplo de frase sintaticamente correta, semanticamente anômala, mas pragmaticamente possível… =)
(Um maluco pode realmente acreditar que sua escova de dentes esteja de fato tentando matá-lo. Essa frase poderia ser empregada, por exemplo, numa conversa com um Psiquiatra.)

Obs.:
Sintática – plano da estrutura, relação dos signos com outros signos
Semântica – plano do significado, relação do signo com o seu significado
Pragmática – plano do contexto, relação do signo com todo o resto 😀

[Sei lá por que, mas achei isso interessante…]

Um mês


Êêêê… um mês de blog 🙂

Semiótica

“A semiótica não é apenas a teoria de tudo quanto serve para mentir, mas também de tudo quanto possa fazer rir ou provocar inquietação.”

Umberto Eco, em “Tratado Geral de Semiótica

Vai dizer que a semiótica não é algo capaz de deixar qualquer um louco??

Enfim, queria ter tempo para ler todo o livro… mas vou ter que me contentar com 30-40% do total (há outras prioridades de leitura para esta semana!)…

Celular

[criticazinha bem sutil aos novos modelos de celular…]

Resolveu sucumbir à ditadura da tecnologia, e foi na loja comprar um celular. Estava disposto a pagar quanto fosse, o que não queria era continuar sendo alvo da chacota dos colegas do trabalho por ele ser o único que ainda não podia ser encontrado a toda hora e em qualquer lugar.
Entrou na loja, com o olhar meio perdido. Dirigiu-se à balconista, e pediu para ver celulares.
A moça então mostrou um modelo, última novidade:
– Este aqui é bom, chegou este mês na loja, vende bastante.
Possui agenda para 500 números, bate foto com qualidade e zoom, envia e-mail, acessa a internet, tem visor de cristal líquido com 65 mil cores, toca mp3, vem com fones de ouvido, reproduz vídeos, permite que você baixe programas e joguinhos da internet, e ainda vem com localizador GPRS!
O rapaz ouviu tudo atentamente. E no final, apenas perguntou:
– Tá, mas ele telefona?

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Tudo acaba em pizza

E a crise política? Será que acaba tudo em pizza? (Estou torcendo para que seja de calabresa… :D)

Tudo acaba em pizza

Não há vitória sem derrota.
Não há derrota sem ressentimento.
Não há ressentimento sem culpa.
E nem há culpa sem remorso.

Não há remorso sem dor.
Não há dor que não machuque.
Não há machucado sem desconforto.
E nem desconforto confortável.

Não há conforto sem bom humor.
Não há bom humor sem criatividade.
Não há criatividade sem papel.
Nem papel sem palavras.

Não há palavras sem sentimento.
Não há sentimento sem conteúdo.
Não há conteúdo sem sabor.
Não há sabor sem comida.
(Nem comida que não seja pizza)

[o poeminha é do início do ano passado, mas o tema é sempre eterno…]

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Metáforas

Do Semiotics for Beginners:

“The poet Wallace Stevens provocatively quipped that ‘reality is a cliché from which we escape by metaphor'”

😛

Teste: The Director Who Filmes Your Life

[Roubei a idéia de fazer este teste de vários blogs que visitei nos últimos dias em busca de “inspiração” =) É bem interessante. Faça você também! :P]








Sofia Coppola
Your film will be 57% romantic, 32% comedy, 29% complex plot, and a $ 23 million budget.
Relatively inexperienced (The Virgin Suicides, Lost In Translation) as a director, but already highly respected and connected — her dad, Francis, directed all The Godfather movies, Apocolypse Now. Also, at last word she’s dating Quentin Tarantino, so I’m sure he’ll have some input into the substance of your film. Sofia’s good at making the romantic drama that is your life. Who didn’t have at least a lump in the throat at the end of Lost In Translation? She’s already won one Academy Award for her writing, now she’ll be the first woman to receive one for directing — YOUR FILM!







My test tracked 4 variables How you compared to other people your age and gender:



















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You scored higher than 73% on action-romance





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You scored higher than 24% on humor





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You scored higher than 16% on complexity





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You scored higher than 5% on budget

Link: The Director Who Films Your Life Test written by bingomosquito on Ok Cupid

E o vento levou…

Levou as esperanças, os anseios, as alegrias e os desejos de muita gente… E também a ilusão de que vivíamos num mundo “domesticável”.

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O que é essa loucura total do tempo? Alguém sabe se amanhã vai fazer sol, chover, esquentar, esfriar, ou se vai passar um furacão? Estou em dúvida se gasto meu dinheiro com um guarda-chuvas ou um protetor de orelhas. E vá que eu precise de um ventiladorzinho desses portáteis, ou algo do tipo. É tão difícil tomar uma decisão.

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Confesso que ri quando ouvi a manchete “Chuva destrói Muitos Capões”. Não pude deixar de me divertir pela ambigüidade da frase, ao menos ao ser proferida oralmente (porque na forma escrita é indiscutível a referência a uma cidade com esse nome tosco).
Ri pela bizarrice de um local chamado Muitos Capões. Imaginem a [falta de] criatividade de quem criou esse nome*.
Mas as risadas param por aqui.
O que está acontecendo com o clima do mundo é preocupante. Já não temos as quatro estações (que saudades da primavera!). E fenômenos naturais que antes eram “privilégio” dos países ricos (tempestades de raios, furacões, tornados, terremotos) começam a pipocar por aqui.
Tá certo que [não querendo causar polêmica] sou a favor da ação da natureza como forma de controlar o superpovoamento do mundo (!), mas também há limites para isso. Uma coisa é você morar numa área de risco, sabendo que a qualquer momento podem te pedir para sair de casa por um furacão estar se aproximando. Outra, completamente diferente, é você ter de sair às pressas no meio de uma tempestade, quando percebe, tarde demais, que o teto está [literalmente] desabando em cima de sua cabeça.
As forças da natureza são incontroláveis. Mas até certo ponto. Elas são, em grande parte, fruto de nossas ações sobre a face da terra, reflexos de nossa atuação desenfreada sobre o globo terrestre. Tsunamis, por exemplo, já eram previstas para acontecer, mas daqui uns 20 ou 30 anos. Se a coisa está acontecendo agora, imaginem o que não estará por vir nos próximos anos. Ninguém mais está seguro, nem mesmo em sua própria casa!
Mas o jeito é se adaptar. A presença constante de ventos fortes no estado vai abrir mercado para empresas seguradoras, construtoras que se disponham a construir casas a prova de vendavais, e tudo o mais (a inclusão deste trecho é totalmente intencional: tenho prova de Marketing hoje à noite, e os conceitos de micro e macroambiente de marketing começam a pulular em minha mente, como que se pedissem, implorassem para ser incluídos em todo e qualquer texto que eu possa vir a produzir no dia de hoje).

Os cientistas se dividem quanto ao que pensar a respeito do assunto. Alguns alegam que já era previsto que o efeito estufa viesse a causar eventos extremos, como ventanias intensas e chuvas diluvianas (não confundir com Delúbio… :P). Outros alegam que ciclones e tornados sempre ocorreram no Rio Grande do Sul, a diferença é que agora eles têm se concentrado em zonas urbanas, e também o fato de que a mídia (é sempre culpa da mídia!) esteja nos causando a sensação de que haja mais tornados por conta da maior divulgação dos mesmos pelos meios.

E também, com tanta massa de coisa ruim vinda da Argentina se chocando com massas de praia, férias sol e mar vindas do oceano… só podia acabar em porcaria mesmo!

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Falando em forças de marketing… o Banrisul já está concedendo crédito às vítimas dos temporais. Bagé foi incluída na lista de cidades que poderão contar com o benefício. (Lá em casa quebrou todo o teto de vidro da sala com as tais pedras de granizo do tamanho de ovos de galinha…] Pois bem, acho que agora entendo o que diz o dito popular “Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra”. 😛

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* Da Zero Hora de hoje, sobre a localidade de Muitos Capões:
“O nome se deve obviamente à existência de uma quantidade grande de capões (ilhas de mato) nos campos da região.”
Arrá! É falta de criatividade mesmo 😛

Suspense

Bateu a porta. O estrondo ecoou no corredor. Várias luzes de apartamentos se acordaram. Aquele silêncio mortificante da noite fria de agosto era interrompido por um estrepitante ruído. De súbito, o medo tomava conta de todos aqueles que há pouco estavam dormindo. O que teria acontecido?
Enquanto isso, não muito longe dali, ele já estava entrando em seu carro, na garagem do subsolo do prédio, quando lembrou-se de que deixara o aquecedor ligado. “Merda.”
Desfez todo o caminho percorrido. Voltou ao apartamento. O crepitar da chave, num silêncio engasgante de 3h da madrugada, pôde ser ouvido dois apartamentos acima. A criança que já não conseguia dormir desde o estrondo, vai então para o quarto, para a cama de seus pais, e por pouco não os flagra na concepção de mais um irmãozinho.
Ele apaga o aquecedor. Verifica outros dispositivos eletrônicos, fogão, computador, televisão. Tudo devidamente desplugado. A viagem seria longa. Tudo deveria ficar em seu devido lugar.
Desta vez, não bateu a porta: fechou-a delicadamente. Percebera passos em um apartamento vizinho. Talvez morasse perto de sonâmbulos lunáticos e psicóticos. Talvez uma mãe estivesse a amamentar o seu filho. Talvez estivesse ouvindo coisas.
Retornou ao carro. Ficou algum tempo sem fazer nada. Sem dizer nada. Sem pensar em nada. Quando estivera prestes a esquecer porque estava ali, um medo súbito tomou-se-lhe conta. Aquela garagem escura e vazia, fria e cavernosa, assustara-o, como nunca antes o tinha feito. E antes que aquele sentimento pudesse lhe fazer desistir de seus planos, ligou o carro e acelerou com tudo. Tinha de sair dali o mais rápido possível!
Em poucos instantes, ganhou a rua. Tomou cuidado de sair pelo portão da garagem cuja câmara de segurança estivesse estragada. Não queria correr o risco de ser reconhecido em seu carro. Principalmente depois do papel que seu carro desempenharia naquela noite.
Com um mapa em mãos, passou a traçar um trajeto que não percorresse pedágios e câmeras de segurança. Ia ser difícil chegar onde queria sem ser reconhecido. Era preciso inovar: parques e praças poderiam servir de atalhos engenhosos. Ainda bem que ninguém circulava pelas ruas da cidade em madrugadas frias de agosto. Estavam todos ocupados fritando seus miolos diante de lareiras, aquecedores, estufas. Poucos sofriam desse distúrbio incontrolável do sono chamado insônia.
Tomou todo cuidado para não ter de parar em sinais vermelhos, que quase se esquecera de dobrar na esquina certa. E então viu a luz indicativa de que era aquele o lugar que planejava chegar há dias. Estava escuro o suficiente. Ninguém iria perceber o crime que cometeria.
Entrou pela entradinha da esquerda. Olhava insistentemente para os lados, de modo a certificar-se de que não vinha ninguém. Qualquer deslize poderia ser fatal. Reduziu a velocidade. Baixou os faróis. Sentiu que alguém se aproximava, mas logo percebeu que tratava-se de um carro que passava velozmente pela avenida logo ao lado.
Quando estava no ponto final do trajeto, sorriu aliviado. A pior parte já passara. Agora era só questão de executar o plano, esconder o corpo, e voltar para casa. Não sem antes, é claro, tratar de apagar todas as evidências que permanecessem por seu carro. Era preciso tomar muito cuidado a partir de agora. Cuidado redobrado.
Parou o carro. Desligou o motor. A seu lado, uma janela de ferro deslizava lentamente. Tinha pouco tempo para desistir. Será que valeria a pena levar o plano adiante?
E então, uma voz quente e suave dirige-se a ele: “Faça seu pedido.”
Não resistiu: comprou seu McLanche Feliz com a Hello Kitty, e voltou feliz para casa.

[tá, eu desisto… não sei fazer textos de suspense… :P]