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Trabalho sobre jornalismo no Twitter

Seguindo o exemplo do Träsel, compartilho abaixo o link para o artigo que escrevi sobre Twitter e jornalismo para apresentar no encontro da SBPJor (que acontece de 19 a 21 de novembro, em São Bernardo do Campo, SP). Além do Marcelo Träsel, com o trabalho “O uso do microblog como ferramenta de interação da imprensa televisiva com o público” (com resultados muito interessantes, por sinal), por lá também estará o Fernando Firmino da Silva, que apresentará o trabalho “Jornalismo Live Streaming: tempo real, mobilidade e espaço urbano“.
Para mim, será uma excelente oportunidade para trocar informações com grandes pesquisadores da área. Ainda estou dando os primeiros passos no mundo da pesquisa (este será, oficialmente, o primeiro trabalho que apresento sem o rótulo de “iniciação científica”), então toda e qualquer crítica será muito bem vinda. 🙂
O trabalho pode ser acessado no link abaixo:
O Twitter como suporte para produção e difusão de conteúdos jornalísticos

Meme no Twitter: há seis anos, um ano depois

Há um ano, surgia espontaneamente na twittosfera um dos primeiros memes brasileiros no Twitter. Em 2007, ao relembrar o 11 de setembro de 2001, os usuários do Twitter passaram a usar uma estrutura sintática parecida: iniciavam a frase com “Há seis anos atrás”, “Há 6 anos”, e após contavam o que estavam fazendo no momento em que tomaram conhecimento do ataque às torres gêmeas.
Em 2008, o mesmo fenômeno de recontar o que acontecia em 2001 pode ser observado. Mas, desta vez, com o poder de sistematização propiciado pelas tags (#11set, #11), as participações têm sido bem mais organizadas – inclusive com direito a piadinhas relacionadas ao meme.
O que mudou em um ano? Os usuários do Twitter passaram a ser mais unidos, em maior quantidade, mais propícios a participar em ações coletivas, conhecem mais a fundo o sistema (aprendemos a usar as #tags!)… Mas, mesmo que o tempo passe, permanece ainda marcado em nossas memórias o que fazíamos no fatídico 11 de setembro…

Baleiada do TRE-CE

Definitivamente, o Judiciário brasileiro não entende a Internet. A decisão absurda da vez diz respeito ao blog Twitter Brasil, para o qual escrevo junto com Raquel Camargo e Fernando Souza.
Ao que parece, foi criado um perfil fake de uma candidata a prefeita no Ceará, Luizianne Lins, e resolveram ajuizar ação tentando tirar o perfil do ar, por se tratar de propaganda eleitoral irregular. Veja a descrição do caso, conforme consulta no site do TRE-CE:
twitter
O esperto juiz, ao cumprir a medida, concedeu liminar pedindo para tirar do ar o TwitterBrasil.org, que não tem absolutamente nada a ver com a história (exceto, ahm, por eu ter feito um post sobre fakes alguns dias atrás – isso foi o máximo de analogia que consegui pensar para o caso, e mesmo assim forçando muita a barra). Miraram o Twitter e acertaram um blog sobre o Twitter. Total baleiada do TRE-CE.
Assim que tivermos mais informações, atualizo o post.
Enquanto isso, veja também os posts da Raquel Camargo e do Fernando Souza, e acompanhe a discussão no Twitter.

Atualização — o TwitterBrasil.org está de volta, mas ainda instável. Há uma nota oficial explicando o ocorrido.

[ops, tinha escrito errado o título do post; consertei o título, mas o permalink denuncia a baleiada]

Aqui, agora, e em todos os lugares

Há algum tempo atrás, falar sobre uma ferramenta que permite dizer o que se está fazendo no momento em doses de 140 caracteres pareceria insano. Hoje, tem gente que já não sabe mais viver sem acompanhar a vida dos outros e narrar a própria vida através de microblogs.
No artigo “Brave New World of Digital Intimacy“, publicado na NYTimes Magazine deste domingo (cuja leitura me foi sugerida pela Lucia Malla via Twitter – thanks!), Clive Thompson trata de como as ferramentas de streaming (em especial o Twitter e o Facebook) têm modificado o modo como nos relacionamos com outras pessoas. Em sua argumentação, o autor procura relacionar sistemas como o news feed do Facebook (que causou furor na web há dois anos atrás, quando foi lançado) e as microatualizações do Twitter com a idéia de ambient awareness (percepção do ambiente). Essas ferramentas permitem que saibamos o que todo mundo está fazendo a todo momento, o que também leva a questionamentos quanto a aspectos como privacidade e vigilância, e o quanto é possível controlar, ou tentar controlar, as informações que passamos para os demais.
A idéia básica é que, na rede, o compartilhamento de pequenas informações sobre o nosso dia-a-dia faz com que as pessoas tenham acesso a cada vez mais informações sobre a vida de outras pessoas. Como resultado, tem-se novas formas de constituição de laços sociais – relacionamentos que podem se desenvolver a partir do consumo de microatualizações sobre vidas alheias, ou até mesmo “amizades unilaterais”, que é mais ou menos o que acontece quando acompanhamos minuto a minuto a vida de alguém que sequer sabe que existimos (danah boyd, citada no artigo, vai se referir a esse tipo de relacionamento como “relações parasociais”). O autor chega a questionar se esse tipo de constituição de amizades não estaria, enfim, nos levando a extrapolar o Dunbar’s number, na medida em que as pessoas conseguem acompanhar facilmente as atualizações de centenas de contatos em ferramentas como Twitter e Facebook.
O interessante nessas ferramentas de streaming minuto a minuto da própria vida é que, diferentemente do e-mail, por exemplo, que requer 100% de atenção, no Twitter pode-se manter a atenção em baixa: pode-se apenas passar os olhos por cima de tudo e escolher o que ler; não é preciso ler tudo para poder interagir e participar do sistema. (Ou, como no Plurk ou no Google Reader, se há coisas demais por ler, basta “marcar tudo como lido” e seguir em frente.)
Alguns trechos do artigo:

“This is the paradox of ambient awareness. Each little update — each individual bit of social information — is insignificant on its own, even supremely mundane. But taken together, over time, the little snippets coalesce into a surprisingly sophisticated portrait of your friends’ and family members’ lives, like thousands of dots making a pointillist painting. This was never before possible, because in the real world, no friend would bother to call you up and detail the sandwiches she was eating.”

“Merely looking at a stranger’s Twitter or Facebook feed isn’t interesting, because it seems like blather. Follow it for a day, though, and it begins to feel like a short story; follow it for a month, and it’s a novel.”

“Young people today are already developing an attitude toward their privacy that is simultaneously vigilant and laissez-faire. They curate their online personas as carefully as possible, knowing that everyone is watching — but they have also learned to shrug and accept the limits of what they can control.”

Leia o texto completo aqui.

Widgets e Jornalismo

Em termos gerais, widgets são pequenos aplicativos, com conteúdos diversos, que podem ser acrescentados em sites, no desktop de seu computador, e até em celulares. Web widgets, por sua vez, são pequenos aplicativos fornecidos por um site a outros sites, que, ao serem incorporados no segundo site, exibem algum tipo de informação fornecida pelo primeiro site. O widget pode ser feito a partir de diversas linguagens de programação, como html, javascript ou flash. A tecnologia pode ser aproveitada para inúmeras finalidades, inclusive para o jornalismo.
Não é tarefa exclusiva do jornalista criar widgets – a parte técnica pode ser feita por um programador web. De qualquer modo, não deixa de ser interessante tentar aproveitar o formato para poder criar pequenos aplicativos informativos realmente úteis, que gerem nos leitores a vontade de compartilhá-los em outros espaços da web (o que pode resultar em uma espécie de jornalismo distribuído).
O blog 10,000 Words fez recentemente dois posts sobre widgets e jornalismo. No primeiro desses posts, listou alguns dos widgets mais interessantes criados por empresas jornalísticas, como NBC, CNN, entre outras. O que há em comum entre os exemplos apresentados é a facilidade que se tem para “incorporá-los” (embed) a outras páginas. Com isso, tal qual acontece com o descentramento possibilitado pela tecnologia RSS, com widgets tem-se a possibilidade de pulverizar o conteúdo de um site em vários outros sites.
Dentre os exemplos apontados pelo 10,000 Words, está a National Geographic, que oferece em seu site 11 widgets, todos eles muito legais (como no jogo incorporado abaixo):
(pessoal do feed: provavelmente vocês terão que visitar o blog para ver o widget)

E no Brasil? Uma olhada rápida nos principais portais jornalísticos do país revela que boa parte deles oferece widgets com seu conteúdo. No UOL Notícias, por exemplo, é possível encontrar diversos widgets incorporáveis com parcelas de conteúdos do site, como no caso do widget do UOL Primeira Página.
Já o G1 oferece uma versão em javascript de suas últimas notícias para ser incorporada em blogs. O Estadão proporciona um widget em versão para baixar e rodar no desktop (no dock no Mac, ou na área de trabalho do Windows – o que é um tanto sem graça; a graça da coisa é poder compartilhar o conteúdo dos jornais em outros sites).
(Para quem está na página inicial do blog, o post continua depois do link)

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Acareação

Retomando a extremamente impopular série de termos jurídicos absurdos deste blog (veja mais termos aqui), a palavra do dia é acareação.
A acareação é um meio de prova previsto no Código de Processo Penal pelo qual acusados, testemunhas e/ou vítimas são colocados frente e frente para novos questionamentos, com vistas a esclarecer pontos divergentes entre seus depoimentos.
A palavra vem do verbo acarear, ou seja, salvar o mundo das cáries colocar cara a cara.
É usada para quando esses personagens do processo já prestaram seus depoimentos, mas foi possível perceber uma certa contradição nos fatos entre o que disse uns e outros. O réu não precisa se submeter à acareação se não quiser (isso decorre do princípio geral de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo – aliás, forçando um pouco a barra, é possível estender esse princípio para escapar da exigência de se fazer o teste do bafômetro!).
Imagine a seguinte situação: aconteceu um crime de furto, e duas pessoas que estavam passando pela rua no momento presenciaram a cena. Em seus testemunhos em juízo, uma testemunha garante que o possível ladrão fugiu em uma moto. A outra assegura ter visto o larápio escapar de ônibus. Há dois supeitos: um que teria pego o ônibus, e outro que costuma perambular pela cidade com uma moto. Como uma testemunha não pode ouvir o depoimento de outra, as partes do processo, a autoridade policial, ou o próprio juiz, podem achar por bem ouvir novamente as duas testemunhas juntas, como uma forma de tentar determinar, afinal, se o ladrão fugiu de moto ou de ônibus. Esse confrontamento das duas testemunhas é conhecido como acareação.
Aplicação na vida prática:
Você não foi na festa, mas seu namorado foi. No dia seguinte, naturalmente, você vai procurar saber, através de amigos, como ele se comportou sem você. Se uma amiga disser que o viu com uma loira, outra disser que o viu com uma morena, e uma terceira jurar de pé junto que ele estava sozinho o tempo todo, uma saída é colocar as três frente a frente – e se possível, também, o namorado – até que consiga extrair a verdade (acareação enjambrada detected!).

O mundo dos fakes

Cansado de sua vidinha online pacata? Crie um fake! Você pode interagir em diversas comunidades no Orkut, passear quase incólume por sites como fóruns de discussão e bate-papos, e até mesmo arrancar boas risadas dos demais usuários do Twitter. Tudo isso sem ter que se preocupar em ser você mesmo.
Na escalada social do dia-a-dia, precisamos a todo momento tomar conta de nossa identidade, de forma consciente ou inconsciente. Na prática, como nem todo mundo é paranóico com sua própria imagem o tempo todo, muita coisa passa batida, e mesmo sem querer o que não queríamos demonstrar pode acabar se transformando no modo como os outros nos vêem (Goffman vai dizer que há as impressões dadas, a parte que a gente controla, e as impressões emitidas, aquela parcela de nossa identidade que foge ao nosso controle).
Mas e naqueles momentos em que tudo o que se quer é simplesmente relaxar? Bom, para essas situações, pode-se recorrer a um perfil fake.
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Praia deserta para fakes no Orkut
No Orkut, há todo um submundo dedicado aos fakes. Há shopping de fakes, festas de fakes, e até mesmo uma agência de adoção para bebês fakes. Fakes casam, têm filhos, visitam lugares exóticos, e até “morrem” (morrer, em linguagem fake, significa deletar seu perfil). O problema é que os fakes acabam levando uma vida tão normal, mas tão normal, que precisam também enfrentar o dilema de conseguir cada vez mais e mais amigos. E o que era para ser solução acaba se transformando em um novo problema. Se é para ter os mesmos problemas de um perfil normal, qual a vantagem de ser fake? A vantagem pode ser vista neste vídeo: A liberdade. A possibilidade de se reinventar a cada dia. A experimentação de identidades. A construção e representação de novos papéis, ainda que virtuais.
No Twitter, ao menos por enquanto, a apropriação da ferramenta pelos fakes tem sido um tanto diferente. Se no Orkut o propósito é mais voltado para a experimentação de identidades, no Twitter os fakes buscam parodiar personagens famosos. Para que a paródia faça o máximo de sucesso, é preciso elevar à máxima potência o controle das impressões emitidas pelo personagem que se quer interpretar. Como resultado, alguns personagens fakes fazem enorme sucesso.
Picture 11 Há a Maisa do Sabado Animado, a Dercy Gonçalves, e até um Delegado da Polícia Federal fake. Fakes até conversam com outros fakes. Mas o sucesso mesmo é do Vitor Fasano (a versão fake do ator Victor Fasano; há até mesmo uma versão fake do fake, bem como uma versão fake do fake do fake, além de uma versão fake do fake do fake do fake). Muitos até mesmo passaram a adotar um estilo VF de vida.
Criar um fake não é nada fácil. Criar um fake verossímil, então, é mais complicado ainda. Você precisa captar a essência do personagem a ser incorporado de tal modo que interaja com os demais de uma forma natural. De certa forma, o VF do Twitter consegue fazer isso com maestria. Até mesmo fora do próprio Twitter.
Por outro lado, “incorporar” traços da personalidade de outras pessoas pode ser considerado crime, como no caso da falsidade ideológica (art. 299, do Código Penal). Há um limite entre a piada saudável e o abuso. Além disso, há quem se valha de fakes para cometer crimes, como os de ofensa a honra. Um fake pode até mesmo acabar com uma vida real. Literalmente. Criar um fake de um personagem de desenho animado é completamente diferente de criar um fake para sacanear seu vizinho.
Embora a maior parte dos fakes saia impune (só do ator Victor Fasano, são 4 versões fake no Twitter, e pelo menos outras 10 no Orkut), há a possibilidade de haver ações no judiciário contra aqueles que extrapolam o limite entre diversão e crime.
Alguns perfis fakes para acompanhar no Twitter:
(claro, só o VF realmente vale a pena seguir)
Silvio Santos
Padre Voador
Regina Volpato
Dercy Gonçalves
Maisa Silva (outra versão)
Roberto Justus
Regina Duarte
Leila Lopes
Ruth Lemos (a do sanduiche-iche)
Mari Alexandre
Elza Soares
Eliana
Palmirinha Onofre (alguém me ajuda – quem é este ser???) – vídeo aqui. (Valeu, oProfeTa!)
Tiririca
Ronnie Von
Hebe Camargo
Xuxa
Ana Maria Braga
Susana Vieira
Fábio Assunção
Glorinha (???)
Cissa Guimarães
São Longuinho
Jesus Cristo
Mais sobre fakes no Twitter:
EGO Notícias: O diário falso de Victor Fasano, Roberto Justus, Leila Lopes e outros famosos
De Repente: A “mídia” e a popularização do twitter
A História Doce: Fakes de famosos invadem o twitter
Mashable: Is Social Network Identity Theft a Crime? No, a Pain in the Arse

Leitura na Internet

Depois de trocar de tela várias vezes, buscar algumas coisas no Google, fazer uma pausa para uma breve conversa no MSN, e interromper constantemente a leitura para acompanhar o que de novo estava sendo dito em microblogs como Plurk e Twitter, finalmente consegui terminar de ler o artigo “Is Google Making Us Stupid?“, de Nicolas Carr, que foi capa da Atlantic Monthly de julho/agosto deste ano. O argumento central do texto é que a forma de navegação rápida e não-linear da web estaria mudando nossa forma de consumir informações. Se antes conseguíamos numa boa nos concentrar para ler livros imensos, hoje teríamos dificuldades gigantescas para conseguir ler qualquer coisa que contenha mais do que dois parágrafos. Em síntese, a Internet estaria nos deixando mais burros.
O interessante do texto de Nicolas Carr é que ele traz dados variados para exemplificar o quanto a tecnologia poderia estar afetando a forma como adquirimos informação. Se antes dependíamos de suportes textuais bastante lineares, hoje é possível ter contato com bem mais informações navegando através de links pela web. Entretanto, a quantidade e a variedade de informações acessíveis a poucos cliques pode conduzir a múltiplas leituras superficiais, sem que se consiga aprofundar em um único ponto. Por outro lado, o excesso de informação faz com que se tenha cada vez mais que buscar novos caminhos para captar a atenção do leitor. Nunca antes se teve tanta possibilidade de acesso conhecimento. Do mesmo modo, talvez antes não se tivesse tantos atrativos para desviar nossa atenção. De acordo com a tese defendida pelo autor, a Internet estaria alterando nossa forma de aprender, interagir e se expressar.
É possível ler o texto neste link, explorar mais a fundo as referências citadas pelo autor a partir deste link, ou então acompanhar a discussão gerada no espaço de blogs do site da Enciclopédia Britannica.

Usos do Twitter

Estive em Porto Alegre ontem para apresentar os resultados de uma pesquisa sobre usos sociais do Twitter em um evento de iniciação científica. Enquanto minha monografia focava no caráter de blog do Twitter, a pesquisa de IC foi mais voltada para o aspecto de rede social do sistema. E o que pude notar, a partir de uma observação participante da ferramenta, é que, além de servir como plataforma para publicação de conteúdos (algo mais voltado para o caráter de blog), o Twitter pode ser usado para diversas formas, digamos, mais “sociais”, tanto para estabelecer (conhecer novas pessoas) quanto para manter laços sociais (reforçar amizades), e esses usos costumam mobilizar diferentes formas de capital social*.
Entretanto, embora tenha encontrado vários exemplos de utilização social da ferramenta, cada vez me convenço mais de que o Twitter se presta mais para difusão de informações do que para conversações. As pessoas parecem usar o Twitter mais para comentar, compartilhar e distribuir informações (notícias estrito senso, ou até mesmo fatos sobre suas vidas) do que propriamente para conversarem umas com as outras. As próprias conversas muitas vezes emergem espontaneamente a partir de informações originalmente compartilhadas pelos usuários. Até surgem conversas, diálogos, mas em geral, pelo que tenho observado, eles rapidamente se dispersam no mar de outras informações no Twitter. O sistema não favorece interações com mais de três usuários, e as trocas comunicativas com mais gente se tornam confusas e difíceis de acompanhar.
Uma apropriação um tanto diferenciada pode ser observada no Plurk, por exemplo; lá, a própria estrutura do sistema favorece que haja mais conversações, mais discussões de determinados tópicos, uma vez que as “conversas” ficam agrupadas debaixo de uma atualização motivadora inicial. Como resultado, tem-se um afastamento ainda maior da idéia de “blog”. (– A Raquel Recuero fez recentemente um post bem interessante sobre as diferenças entre Twitter e Plurk enquanto suportes para conversação.)
E vocês, o que acham? Para que serve o Twitter? Ele estaria voltado mais para a difusão de informações, ou para usos mais sociais? Depois de tantos usos diferenciados que vêm surgindo para ele e para as demais ferramentas similares, ainda faz sentido comparar microblogs com blogs?

* Para uma maior discussão sobre o tema, deixo aqui
um link para o trabalho que produzi com os resultados da pesquisa sobre capital social e usos do Twitter (uma versão mais burocrática desse mesmo texto foi apresentada à UCPel como relatório de pesquisa).

Yahoo! Posts

Entrou no ar hoje o Yahoo! Posts, uma editoria dentro do portal Yahoo Brasil que se propõe a reunir links para posts de blogs sobre temas variados. Os posts são selecionados por quatro consultores e um editor, inicialmente a partir de um grupo de cerca de 100 blogs (a lista dos blogs pode ser conferida aqui).
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Alguns pontos interessantes da proposta:
– Os links apontam para o post original, sem interferir no conteúdo dos blogs (permanece a independência editorial; ninguém ia ser doido a ponto de tentar impor regras para se escrever posts de blogs!);
– A seleção inicial reúne blogs de temas bem variados meeesmo (tem os blogs clássicos, aqueles famosos que figuram em tudo quanto é lista de top-qualquer-coisa, mas também há blogs interessantes, mas pouco conhecidos; aos poucos, outros blogs também serão incluídos).
– Com essa seção, o Yahoo! passa a fornecer uma seleção diária de posts variados para o seu público – vale lembrar que o público que freqüenta um portal tende a ser bastante diferente do público que acessa regularmente esses blogs.
– Em contrapartida, os blogueiros cujos posts forem linkados podem vir a receber visitantes novos em seus blogs, o que pode gerar novas conversações.
– Como apontado no Remixtures, diferentemente de outros sites, que se baseiam no crowdsourcing ou em ferramentas automáticas para seleção de conteúdo, a escolha dos posts que irão constar na home do Y!Posts é feita por um conselho editorial, formado por cinco blogueiros, que faz sua escolha a partir do conteúdo publicado nos 108 blogs pré-selecionados para o projeto.
A página entrou no ar ainda com algumas partes faltantes (como a FAQ), e o pessoal chiou no Twitter. Reclamaram tanto da parte técnica que esqueceram de comentar a idéia, o conteúdo… De qualquer modo, o buzz gerado logo na estréia foi considerável.
A proposta parece interessante. Resta saber como irá se desdobrar, e isso só o tempo poderá dizer. Para saber mais sobre o projeto, consulte a FAQ do site (que agora está no ar!). Este post do Ian traz uma boa explicação geral do projeto (mas praticamente assassina o nome deste blog, chamando-o de Jus Comunicatio – tudo bem, ninguém mandou colocar um nome tão esquisito em um blog :P).