Monthly Archives: June 2007

Ainda dá tempo de mudar o mundo?

O Fórum Municipal de Educação em Direitos Humanos (aqui haveria um link se eu não tivesse sido tão relapsa e esquecido de colocar a notícia relativa ao Fórum no site do projeto) funcionou como uma navalhada na minha vida acadêmica. Nele, descobri que nunca fiz uma extensão universitária de verdade, uma vez que em nenhum momento tive contato direto com a população. Quanto a pesquisas, sempre soube que nunca fiz uma pesquisa de verdade. Desde hoje, passo a achar também que foram todas pesquisas sem qualquer relevância prática. Nosso projeto experimental, também, não apresenta interesse social. Na hora do almoço, fiz um breve discurso acerca das potencialidades do uso do Second Life na educação, fruto de quase um semestre de leituras e investigações, o que uma colega minha que nunca usou a ferramenta conseguiu desconstruir com apenas quatro palavras: “e a exclusão digital?”. Basicamente, é como se todas as minhas experiências universitárias até hoje tenham sido em vão. Embora elas tenham contribuído para que eu aprendesse – bastante – é possível dizer que até o momento não contribuí em nada para o mundo. E isso assusta.
Felizmente, ainda dá tempo de mudar alguma coisa. Ou não. Quem disse que todo estudante universitário precisa necessariamente (querer) mudar o mundo?

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A importância dos metadados

“Actuellement, les moteurs de recherche utilisent le texte comme sa propre métadonnée en travaillant sur le plein texte. C’est une immense régression par rapport à tout le travail réalisé depuis deux ou trois siècles par les bibliothécaires et les documentalistes. Un retour à la préhistoire” (Le Monde)

Pierre Lévy trabalha atualmente em uma pesquisa que visa criar uma metalinguagem para categorizar dados. A idéia é criar um sistema para metadados que independa dos idiomas falados no mundo, o que contribuiria para facilitar a busca por informações na Internet. A linguagem proposta por Lévy é a IEML, Information Economy Meta Language.

Esse recurso permitiria explorar ainda mais a idéia de inteligência coletiva através do ciberespaço (Lévy propôs, há quase vinte anos atrás, que a interconexão de computadores permitiria um aprimoramento da inteligência coletiva, uma vez que as pessoas poderiam interagir entre si através da Internet), já que a IEML permitiria que informações sobre um determinado assunto pudessem ser mais facilmente encontradas na Internet, independentemente do idioma em que se encontrassem, em uma procura semântica bem mais complexa que a utilizada pelos atuais sistemas de busca.

Exageros e entusiasmos à parte, a proposta é a de que até 2010 essa metalinguagem possa ser posta em prática.

Assunto paralelo: o AOL News reformulou recentemente sua página. Qualquer semelhança com um blog não será mera coincidência. Até as editorias foram transformadas em “tags”.

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Ação X Emoção

Acordou. Quis voltar a dormir. Bocejou. Relutou. Irritada, deu-se por vencida. Esfregou os olhos. Esticou os braços. Levantou. Deu dois passos. Suspirou. Desligou o despertador. Apreciou o silêncio novamente. Dirigiu-se ao banheiro. Abriu o armário. Bocejou. Pegou a escova. Colocou a pasta. Escovou os dentes. Enxaguou a boca. Foi até a sala. Abriu a janela. Viu o sol. Sentiu o vento. Sorriu. Caminhou até a cozinha. Colocou água e pó de café na cafeteira. Abriu a geladeira. Pegou os frios. Fechou a geladeira. Parou no balcão. Partiu o pão. Preparou um sanduíche. Voltou à geladeira. Guardou os frios. Ouviu a cafeteira apitar. Serviu uma xícara. Mordeu o sanduíche. Tomou um gole de café. E percebeu que era domingo…

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Ao abrir a janela, certa manhã, Lili sentiu-se renovada. Esperava ver um dia feio, nublado e cinza, como houvera sido os outros da mesma semana. Mas, para sua surpresa, quando abriu a cortina deparou-se com um maravilhoso dia de sol. Não era um dia quente, deveras, mas o solzinho tímido cismava em aparecer por entre as nuvens, e ninguém poderia tirar de Lili a idéia de que aquele seria um grande dia. Sentiu o aroma suave das flores. Ouviu o piar dos pássaros, há dias abafado pelo tilintar das chuvas. Era tão lindo ver o sol novamente que desejava secretamente que chovesse mais vezes, só para poder desfrutar novamente de momentos mágicos como aquele. Estava prestes a ter uma epifania quando lembrou-se de que precisava correr. Tinha acabado de acordar, e no entanto já estava tremendamente atrasada.

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Postado originalmente em 20 de outubro de 2005

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Sentir-se estranha em um lugar antes familiar

Hoje passei por um daqueles momentos em que tudo o que a gente mais quer é ter o manto de invisibilidade de Harry Potter à mão, ou então poder cavar um buraco e enterrar o pescoço dentro da terra.

Fui a uma reunião do Lions com meu pai. Fazia tempo que eu não ia. Eu tinha belas recordações de infância de outras reuniões que fui, algo bucólico, e até um pouco romântico. Os pais levavam seus filhos às reuniões, e a gente ficava correndo e brincando pelos campos da Associação Rural de Bagé. Era divertido. Só que hoje antes de sair de casa eu não me dei conta de um detalhezinho importante: eu cresci. E foi só depois que cheguei lá que percebi isso.

É mais ou menos assim: fui em busca de recordações da infância, mas acabei chegando a um lugar estranho em que a minha presença contribuía para diminuir drasticamente a média de idade de todo o povo lá presente. Algo como: grande demais para brincar com crianças (e, dessa vez, nem tinha crianças), mas pequena demais para interagir com os mais velhos (ou melhor: eles é que não queriam levar a sério alguém com metade da idade deles!).

Era um daqueles lugares em que a gente chega, dá uma olhada ao redor, e tudo o que quer fazer é encontrar uma cadeira bem no cantinho, sentar lá, e torcer para ninguém notar a nossa presença.

Poderia ser pior. Sim, poderia. E foi. O prato principal era churrasco. E eu odeio carne vermelha.

Concentrei-me na tarefa de tornar-me invisível (algo como o que Hiro faria em uma situação semelhante, exceto pelo fato de que eu tinha o tempo todo a consciência de que não conseguiria quebrar a barreira do espaço-tempo), e até consegui dominar a tarefa de passar despercebida por boa parte do tempo (sim, sentei numa cadeira em um cantinho). Mas na hora do almoço em si não tive como me esconder. Fui obrigada a sentar a uma mesa. E todo mundo que passava por mim perguntava por que eu não tinha um suculento prato de carne na minha frente. Foi aí que comecei a chamar atenção, não por fazer algo, mas por não fazer o que todo mundo estava fazendo. “Nem uma saladinha?”.

Levantei-me e peguei um pedaço de pão. Por alguns instantes, tive paz. Mas assim que terminou meu pedaço de trigo processado, as reclamações voltaram. “É por isso que é tão magrinha…”

Servi-me de sobremesa. “Isso, tem que comer para ficar forte”. Mas assim que terminei, voltaram as críticas. “Não vai repetir? É muito pouco doce para uma menininha saudável”.

Fora isso, até que consegui me divertir bastante em um almoço de comemoração do aniversário de alguns associados, e também de um casal que recentemente virou avô. Saí de lá sabendo todas as dicas possíveis do que pode contribuir para aumentar a pressão sangüínea. Bebida alcoólica demais é ruim para a pressão. Churrasco malpassado, também. Carne salgada demais, então, vixi, melhor passar longe. Só não entendi direito a situação do doce, porque embora todos estivessem preocupados com a pressão sangüínea na hora de servir-se de carne, todo mundo abusou do doce. Será que também os mais velhos empregam a lógica do “tomar coca-cola light com torta de chocolate anula as calorias do doce”?

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MySpace + Second Life

Imagine poder reunir em um só lugar a possibilidade de navegar por ambientes virtuais em 3D, como no Second Life, com as características de uma rede social, como no MySpace. Isso já é possível com o Kaneva.

Nele, você cria uma rede de amigos, participa de comunidades, compartilha fotos, vídeos e músicas, e preenche um perfil, que é seu cartão de visitas para os outros usuários. Além disso, pode ainda criar um avatar, personalizá-lo, e habitar um ambiente virtual com as mesmas características do Second Life (em 3D, alguns recursos gratuitos, e promessa de monetarização futura).

A idéia é legal, mas até aí não entendi qual é a inovação. Que eu saiba, é possível preencher um perfil, adicionar amigos e participar de grupos também no Second Life (embora não seja possível ter um avatar e passear por ambientes 3D no MySpace). Talvez o diferencial do Kaneva seja justamente o de pôr em destaque ambas as funcionalidades – de forma que o avatar represente a pessoa real (já que o perfil do site costuma ser o da pessoa real) e não um personagem criado para habitar mundos virtuais e muitas vezes dissociado das características físicas e comportamentais do indivíduo por trás do bonequinho (o que é totalmente possível no Second Life).

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Marketing, diversão e educação no Second Life

Second Life é só um joguinho? Claro que atualmente só se entusiasmam com a ferramenta as empresas (para jogadas de marketing) e os jovens (para, ahm… finalidades hedonísticas). Mas até que há uma certa perspectivazinha de futuro para uso na educação (o que no Brasil caminha ainda a passos muito lentos).
Enquanto isso, nada como reunir empresários para tratar os avatares-consumidores como ratinhos brancos a girar como cobaias em um laboratório experimental.

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Processo eletrônico

Nesta sexta-feira foi julgado o primeiro recurso eletrônico dirigido ao STF. A tendência é que cada vez mais os processos passem para o ambiente digital. Com isso, economiza-se não só em papel, como também há uma significativa diminuição no tempo de tramitação do processo. No caso do recurso do STF, o tempo total de tramitação foi de 17 dias.

Quem já trabalhou em secretaria ou cartório do Judiciário sabe bem como funciona. Cada fase do processo precisa ser registrada, assinada, lavrada, certificada e datada para que seja válida. E isso toma tempo. Os processos precisam esperar dias e dias até que a fase seguinte seja acionada.

Para que um processo que chegou das mãos do advogado de uma das partes chegue até a sala do juiz para uma decisão, por exemplo, o processo precisa passar pelo recebimento no balcão, recebimento na secretaria, despacho de conclusão, remessa dos autos conclusos ao juiz, e só então alguém pode pegar a pastinha do processo e levar para a sala ao lado (da secretaria para o gabinete do juiz). Nessa brincadeira toda, o processo passa por várias mãos, e sucedem-se vários dias.

Mas a parte mais divertida é quando um advogado pede cópia do processo. Aí então o estagiário que estiver por perto precisa ficar uma tarde inteira plantado ao lado da fotocopiadora para tirar xerox página por página, frente e verso (sim, eu já passei por isso). Com o processo eletrônico, acaba tudo isso. Todos podem ter uma cópia digital e acessá-la quando bem entederem, os estagiários podem voltar a lidar exclusivamente com o Direito, e o ideal da tramitação célere do processo fica cada vez mais perto de ser atingido.

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