Monthly Archives: June 2007

O fim do jornal em papel?

Segundo dados divulgados pela WAN no 60th World Newspaper Congress – e contrariando todos aqueles que ainda acham que a tecnologia vai transformar radicalmente nossa forma de se relacionar com o mundo –, a circulação de jornais impressos no mundo aumentou em 2,3 pontos percentuais em 2006. Se considerados os últimos cinco anos, o aumento acumulado foi de 9,48%. Pode ser que um dia o jornal em papel, tal qual o conhecemos hoje, possa vir a acabar. Mas, pelo visto, esse dia ainda vai demorar muito para chegar…

O congresso anual da associação mundial de jornais segue até amanhã, em Cape Town, na África do Sul. O evento reúne profissionais do mundo inteiro para discutir o atual estado da mídia impressa ao redor do globo.

O crescimento na circulação de jornais tem sido observado em quase todos os continentes, inclusive na América do Sul. Apenas na América do Norte é que os jornais impressos estão em baixa.

Se considerados os índices de circulação de jornais distribuídos gratuitamente (o que hoje representa 8% do total da circulação global de impressos), a taxa de crescimento em 2006 sobe para 4,61%. A renda publicitária com anúncios em impressos também tem aumentado. Basicamente, os números dos jornais impressos são só positivos.

Os cinco maiores mercados mundiais de jornais impressos são, em ordem, China (com 98,7 milhões de cópias vendidas diariamente), Índia (88,9), Japão (69,1), Estados Unidos (52,3 – mesmo com a queda na circulação, os EUA ainda têm a maior circulação do mundo ocidental) e Alemanha (21,1). Há muitos outros dados interessantes que podem ser consultados diretamente no site da entidade.

Para os céticos que, mesmo com a divulgação de todos esses números, ainda acreditam que o jornal impresso vai acabar, vale a pena dar uma conferida na campanha preparada pela WAN para circular em jornais impressos no mês de maio (o anúncio pode não fazer mudar de idéia, mas pelo menos contribui para divertir um pouquinho).

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Falta de foco

Ontem, apresentando o projeto de projeto experimental (algo como… “resuma tudo o que foi planejado durante o semestre em 5 minutos* de exposição oral”), fiquei meio frustrada porque não tenho um objetivo definido na vida acadêmica. É mais ou menos assim: meus colegas apresentaram seus trabalhos com uma certa paixão, com aquele ar de certeza de que é aquilo que pretendem fazer para o resto da vida. Nós não. Estamos empolgadas com a idéia, mas nenhuma de nós pretende passar a vida toda em função disso.
Com o término da faculdade se aproximando, preciso pensar em temas para TCCs e coisas do tipo. Mas estou tendo uma dificuldade imensa em definir o que quero fazer. Muita coisa me interessa, e não consigo estabelecer um foco. Já está quase certo que a grande área dos meus estudos será a Internet (algo como direito no ciberespaço, crimes virtuais, jornalismo online, enfim, cibercultura). Mas escolher uma única coisa para aprofundar está sendo difícil. Também não vou querer definir tudo o que vou fazer para o resto da vida no 4° ano de faculdade 😛 Mas seria bom ter um objetivo definido. Admiro as pessoas que conseguem ter alguma certeza na vida.
(Okay, nem todo mundo sabe o que quer, e é preciso aprender a conviver com isso)

* Como o trabalho era em dupla, meu tempo total de fala foi de 2,5 minutos. Como levo pelo menos 1,5 minuto para parar de gaguejar e começar a dizer algo com sentido (e isso vale não só para apresentação de trabalhos como para qualquer tipo de conversa), meu tempo de total de exposição com conteúdo não foi superior a 1 minuto. Basicamente, quando fui começar a dizer algo de relevante, meu tempo acabou, e já era a vez do trabalho seguinte. Limitações temporais deveriam ser abolidas 😛

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Procura-se

Nossa superprodução midiática*. O filme é tosco, a trilha sonora é por vezes tediosa, tem cenas muito longas, mas… conseguimos concretizar a idéia de fazer uma câmera subjetiva de um cachorro 🙂 Já era para estar no YouTube bem antes, mas só agora conseguimos uma cópia em DVD do curta.

* produzido em caráter experimental por alunos de Comunicação, para a disciplina de Cinema, em novembro de 2006 na UCPel

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Mac X Microsoft

A religião dos sistemas operacionais, por Umberto Eco. Para ele, o Macintosh seria católico, porque ensina passo a passo como os fiéis devem proceder. Já o MS Dos seria protestante, mais especificamente do tipo calvinista, pois as decisões de como proceder cabem aos fiéis. As primeiras versões do Windows seriam um tanto anglicanas, porque ainda permanecia a possibilidade de se retornar ao Dos e começar tudo de novo. A distinção toda teria se complicado de vez com o lançamento do Windows 95. Perdemos a piada. Mas continua a disputa…

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Guerra digital

Os moradores da Estônia encontraram uma maneira interessante de protestar contra a retirada de uma estátua (real) de uma cidade portuária do país. Ao invés de violência nas ruas, os estonianos optaram por protagonizar um ataque digital de grandes proporções. No lugar de armas, uma avalanche de dados. No lugar de soldados, bots comandados remotamente a partir de várias partes do mundo. O cenário era o ciberespaço, mas as conseqüências dos atos tiveram reflexos no mundo real.

Os ataques conseguiram impedir o acesso a vários sites estratégicos, como as páginas relativas aos órgãos do governo, a página do principal banco do país, e os sites de alguns jornais diários. Pode parecer pouco, mas para um país em que os habitantes praticamente respiram Internet, um parlamentar ficar dois dias sem e-mail é quase motivo suficiente para iniciar uma crise política.

Mesmo que não consiga impedir a retirada da estátua, essa guerra digital abre precedentes para que os sistemas de segurança dos diferentes países comecem a considerar a necessidade de investir mais em proteção na web. A preocupação com os ataques apareceu até em editorial do NYTimes. Os atos de cibervandalismo ocorreram entre abril e maio deste ano.

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Driblando a censura

Hugo Chávez resolveu encarnar a figura de ditador malévolo e cruel (com um atraso de 40 anos em relação às demais ditaduras latino-americanas, mas tudo bem) e tirou a emissora Radio Caracas Televisión (RCTV) do ar nesta semana (acusando-a de atos contra o governo). Mas ele não se deu conta de que atualmente vivemos na era da Internet. Sim, a emissora perdeu o sinal de concessão para transmissão via sinal de televisão na Venezuela. Mas a RCTV encontrou uma maneira alternativa de continuar transmitindo – e de manter seu público. Os principais programas do canal estão sendo transmitidos pela Internet, como as novas edições do telejornal El Observador, carro-chefe da emissora, que podem ser acompanhadas pelo YouTube. Claro, não é a mesma coisa. Programas muito longos precisam ser fracionados (para se adaptar às exigências do site), e a imagem precisa ter menos qualidade para ser reproduzível em qualquer computador. Mas fora essas pequenas limitações, a RCTV segue transmitindo, e isso é o que importa. E os milhares de acessos que os vídeos já tiveram até então apenas confirmam que não há limites para a inventividade humana…
Agora só falta Chávez dar uma de juiz-brasileiro-que-não-entende-como-funciona-a-internet e proibir o acesso ao YouTube inteiro para tentar evitar que as pessoas assistam a um único vídeo (qualquer semelhança com o caso Cicarelli não terá sido mera coincidência).

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Relação entre pensamento, linguagem e cultura

Does the Language I Speak Influence the Way I Think?”, de Betty Birner, procura defender a idéia de que não é propriamente a língua que falamos que define o modo como pensamos, mas sim que a cultura, o pensamento e a linguagem se inter-relacionam de tal forma que um interfere no outro, e o conjunto dos três irá determinar como pensamos.

Para a autora, nada impede que se possa pensar em algo mesmo que não se tenha uma palavra específica para designar isso. Ao mesmo tempo, o fato de não se ter uma palavra para designar algo pode significar que, culturalmente, o povo que criou aquela língua não sentiu a necessidade de criar essa palavra porque não pensava no que ela significa. É mais ou menos assim: só porque os outros idiomas não têm a palavra saudade, isso não quer dizer que as pessoas que vivam em outros contextos culturais que não o Brasil não sintam saudades umas das outras. Elas apenas não possuem uma palavra para nomear esse sentimento; mas ele existe. Ou melhor, a existência ou não desse sentimento vai depender da cultura. E dá para sentir e pensar em saudade mesmo sem se ter uma palavra específica.

Da mesma forma, a gente aprende a agrupar objetos semelhantes em grupos, mas o que é considerado similar em um idioma vai depender de aspectos culturais, o que faz com que esses grupos de elementos variem de idioma para idioma. Essas diferenças na divisão da realidade em categorias provocam diferenças na forma de pensamento (e pensar diferente leva a uma cultura diferente, que por sua vez leva a uma linguagem distinta – acho que já deu para entender isso :P). Um dos exemplos citados no texto é a divisão do dia em horas, minutos e segundos. Isso cria em nós a ilusão de que o tempo é algo que pode ser fragmentado e compartimentalizado, com se as divisões do tempo fossem ‘coisas’ a serem preenchidas. Em outras culturas, o tempo não é dividido da mesma forma (a linguagem o trata com algo sucessivo e contínuo).

E sabe aquela história de que os esquimós teriam dezenas, ou até centenas de palavras para se referir à neve? Isso também decorreria da cultura – para eles, é relevante saber distinguir entre os tipos de neve, porque eles convivem o tempo todo com isso. Mas até esse mito pode ser desconstruído a partir de uma análise mais atenta do processo de formação de palavras da linguagem esquimó (na verdade, o que para eles é uma palavra, para nós seria a combinação de duas ou três, o que no fundo reforça a idéia de que linguagem, cultura e pensamento dependem um do outro).

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Enade

Se for para levar ao pé da letra a interpretação do resultado das notas do ENADE, eu praticamente posso dizer que estudo Direito na UFRGS e Jornalismo na PUCRS. Ao menos as notas da UFPel e da UCPel são iguaizinhas às das universidades e cursos equivalentes de POA. Nada como poder estudar no comodismo de uma cidade média mas sem perder para a qualidade do ensino da cidade grande… 🙂
(Mas como não é só pelas notas dos alunos que se determina a qualidade de uma instituição de ensino, ainda falta o resultado da avaliação in loco para determinar a média final de cada curso…)

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